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Rússia retoma ataques em larga escala contra Ucrânia durante onda de frio

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A Ucrânia acusou, nesta terça-feira (3), a Rússia de ter executado o ataque “mais potente” do ano contra suas já fragilizadas instalações de energia, o que deixou centenas de milhares de pessoas sem aquecimento sob uma onda de frio extremo, na véspera das negociações em busca de uma saída para quase quatro anos de guerra. 

Os bombardeios ocorreram quando as temperaturas alcançaram seu nível mais baixo desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022 e causaram a morte de dois adolescentes na cidade de Zaporizhzhia, no sul do país.

Além disso, os ataques foram executados um dia antes de os negociadores se reunirem para uma segunda rodada de conversas mediadas pelos Estados Unidos em Abu Dhabi e horas antes da chegada à Ucrânia do secretário-geral da Otan, Mark Rutte. 

Inclusive, durante a visita do chefe da aliança militar, ressoou em Kiev um alerta aéreo sobre um possível ataque.

“Ataques russos como os de ontem à noite não demonstram seriedade a respeito da paz”, opinou Rutte em um discurso no Parlamento ucraniano.

A Casa Branca declarou que o presidente americano Donald Trump não ficou “surpreso” com os ataques. O mandatário republicano prometeu que acabaria com a guerra em 24 horas assim que retornasse à Casa Branca em 2025 e está bastante envolvido na mediação com a Rússia. 

Em uma mensagem posterior no Salão Oval, Trump instou Vladimir Putin a “pôr fim à guerra” e disso que gostaria que seu homólogo russo prolongue a breve trégua nos ataques devido às temperaturas gélidas.

Jornalistas da AFP ouviram explosões em toda a capital durante a noite, e milhares de moradores despertaram com o aquecimento cortado, com temperaturas inferiores a -20°C.

Pelo menos 1.100 edifícios estavam sem aquecimento no leste da capital, informou o prefeito Vitali Klitschko.

O novo ataque contra o setor energético ucraniano ocorre após o Kremlin anunciar, na semana passada, que havia aceitado, a pedido de Trump, interromper os ataques contra Kiev “até 1º de fevereiro”. 

Zelensky condenou duramente um novo “ataque deliberado contra a infraestrutura energética, com um número recorde de mísseis balísticos”. Também acusou Moscou de ter aproveitado a pausa para “acumular mísseis” e “esperar os dias mais frios do ano” para atacar.

O presidente ucraniano afirmou ainda que a Rússia “mais uma vez ignorou os esforços do lado americano”.

O ataque desta terça foi “o mais potente” desde o início de 2026, confirmou o maior fornecedor privado de energia da Ucrânia.

Segundo a Força Aérea ucraniana, o Exército russo disparou 71 mísseis e 450 drones de ataque. 

Seis pessoas ficaram feridas na capital, informaram as autoridades. Em Zaporizhzhia, os bombardeios causaram a morte de dois adolescentes e ferimentos em pelo menos 11 pessoas, reportou o governo regional.

– Monumento soviético – 

Em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, mais de 100.000 casas foram afetadas. 

“Acordei com um clarão e ouvi uma explosão muito forte. Em pânico, eu e meu pai saímos correndo”, declarou Mikita, um estudante.

“Nossas janelas estão quebradas e não temos aquecimento”, disse Anastasia Gritsenko. “Não sabemos o que fazer”.

Um famoso monumento soviético que celebra a vitória sobre a Alemanha nazista também sofreu danos, a estátua gigante da “Mãe Pátria” em Kiev.

“É simbólico e cínico: o Estado agressor ataca um lugar que exalta a luta contra a agressão no século XX, repetindo seus crimes no século XXI”, escreveu a ministra da Cultura ucraniana, Tetyana Berezhna, nas redes sociais.

– ‘Aterrorizar a população’ –

Como é habitual, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que visou o “complexo militar-industrial ucraniano e instalações energéticas utilizadas em seu benefício”.

“Aproveitar os dias de inverno mais frios para aterrorizar a população é mais importante para a Rússia do que escolher a diplomacia”, denunciou Zelensky. 

Por sua vez, as autoridades de ocupação russas no sul da Ucrânia afirmaram também que bombardeios ucranianos causaram a morte de três pessoas na localidade de Nova Kakhovka, que foi tomada por Moscou nos primeiros dias da invasão de 2022.

As negociações diplomáticas para acabar com o pior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com dezenas de milhares de mortos, são complexas. 

Os Estados Unidos tentaram alcançar um acordo, mas a primeira rodada de conversas trilaterais em Abu Dhabi no mês passado não obteve nenhum avanço.

Segundo Zelensky, o principal ponto de atrito é a questão territorial. 

Moscou exige que as forças ucranianas abandonem as áreas sob seu controle no Donbass, uma região industrial do leste do país. Kiev não aceita.

A Rússia ocupa atualmente pouco mais de 19% da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.

bur/oc/rlp/yad/erl/avl/mb/arm/cjc/fp/aa/rpr

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