The Swiss voice in the world since 1935

Reis do K-pop BTS fazem show de retorno em Seul

afp_tickers

As estrelas sul-coreanas do BTS iniciaram neste sábado (21) seu primeiro show em quase quatro anos diante de uma enorme multidão em Seul, em um espetáculo de K-pop transmitido ao vivo para milhões de pessoas em todo o mundo.

Ampla e repetidamente aclamados como a boy band mais importante do mundo, os sete integrantes do BTS fizeram uma pausa em 2022 para cumprir o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul.

A apresentação de retorno foi no histórico palácio real Gyeongbokgung, um local apropriado para os “Reis do K-pop”, onde milhares de seguidores, tanto sul-coreanos quanto estrangeiros, entoaram as músicas do grupo.

“Foi um longo caminho, mas aqui estamos!”, disse RM, líder do BTS, cuja lesão no tornozelo o obrigou a sentar em um banquinho em algumas ocasiões, enquanto o grupo interpretava músicas de seu novo álbum e sucessos antigos como “Dynamite” e “Mikrokosmos”.

“Finalmente estamos aqui, vendo vocês novamente… nós sete juntos no palco me deixa muito feliz”, acrescentou Jimin em meio aos aplausos do público.

“O BTS 2.0 está apenas começando”, acrescentou J-Hope.

Os fãs, que segundo estimativas anteriores deveriam ser cerca de 260 mil, se reuniram em Seul desde a manhã, muitos vestidos com roupas coloridas, tirando selfies com seus ingressos e acenando com bastões luminosos “glowsticks” (um acessório luminoso) do BTS “ARMY”.

Antes do grupo subir ao palco, a multidão gritava em coro “BTS! BTS!”, e a avenida principal que leva à praça Gwanghwamun estava lotada de gente.

O portão de Gwanghwamun foi iluminado com as cores do arco-íris, e uma enorme instalação cênica com três círculos -simbolizando o novo álbum dos BTS, “ARIRANG”- brilhava sob as luzes.

Os músicos admitiram que se sentiam um pouco nervosos. “Houve momentos em que nos perguntávamos se poderiam ter esquecido de nós ou se lembrariam de nós”, comentou J-Hope.

“Não somos pessoas especiais. Sempre temos medo, mas acreditamos que, se mostrássemos a nossa sinceridade, ela chegaria até vocês”, destacou Jimin.

Os fãs responderam com um mar de “glowsticks”, cantando as músicas e filmando seus ídolos com seus celulares.

“É ótimo que o show tenha sido em Gwanghwamun, mas teria sido igualmente bom em qualquer lugar, até mesmo em um espaço menor”, afirmou Park Young-mi, de 34 anos, uma fã sul-coreana.

“Ao vê-los, senti que estava sendo recebido em uma família”, comentou Gabriel Miranda, americano de 34 anos.

“É um pouco diferente do estilo habitual do BTS, mas descobrir este novo lado deles, neste lugar histórico, é profundamente comovente”, apontou Jo Jung-hee, de 60 anos.

– Saudade e separação –

Nesta ocasião, milhões de seguidores de todo o mundo puderam assistir ao show transmitido ao vivo pela Netflix.

O último álbum do BTS, ARIRANG, lançado na sexta-feira (20), é apresentado como uma reflexão sobre a identidade coreana da “boy band” em seu processo de maturação.

Vendeu quase quatro milhões de cópias em seu primeiro dia, segundo a gravadora do BTS.

A plataforma Spotify informou que cinco milhões de fãs o pré-salvaram, o número mais alto já registrado para um álbum de K-pop. Além disso, foi o mais reproduzido em apenas um único dia deste ano, até o momento.

ARIRANG recebe seu nome de uma canção folclórica sobre o anseio e a separação, frequentemente considerada o hino nacional não oficial da Coreia do Sul. Com colaborações de vários artistas e produtores ocidentais, as 14 faixas misturas rap, batidas fortes e experimentação.

“Comparado com seus trabalhos anteriores, contém uma gama mais ampla de gêneros, o que lhe confere uma sensação mais madura e expansiva”, afirmou Lee Ji-young, professora universitária.

O show deste sábado precede uma turnê mundial que se espera ser muito lucrativa para o BTS, podendo até superar a recente Eras Tour da Taylor Swift.

A Coreia do Sul também se beneficiará com o turismo e a venda de produtos derivados, como bonecos do BTS, escovas de dentes e até latas de atum.

A turnê começa em Goyang, Coreia do Sul, em 9 de abril, e termina em Manila, 11 meses depois, abrangendo 82 shows em 34 cidades de 23 países.

A segurança no show de sábado foi rigorosa, com cerca de 15 mil policiais e guardas, barricadas nas ruas e locais fechados.

BTS -sigla de “Bulletproof Boy Scouts”- apoiou campanhas da Unicef, do movimento Black Lives Matter e também protagonizou iniciativas contra o racismo anti-asiático.

Os membros também falam abertamente sobre as pressões da indústria musical.

“Honestamente, virei fã simplesmente porque amo a música deles”, comentou Seo Ra-jung, de 40 anos, após o show. “Me tornei fã durante um período muito difícil da minha vida, e as letras das músicas me deram muita força”, destacou.

str-cdl/abs/lb/arm-al/dbh/ic/rm/am

Mais lidos

Os mais discutidos

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR