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Monumento argentino homenageia suíça esquecida

Bebida do Barão de Stafford
Um casal entre encenação e lenda: Myriam Stefford e Raúl Barón Biza. Após o seu acidente fatal, a suíça residente no estrangeiro tornou-se imortal através do mausoléu «El Ala», na Argentina. PD

Um monumento de 82 metros na Argentina homenageia a suíça Myriam Stefford, pioneira da aviação que morreu em um acidente aéreo em 1931. Erguido por seu companheiro, seu mausoléu ainda desperta fascínio e alimenta lendas.

Myriam Stefford é uma lenda na Argentina. Entre sua terra natal e o mausoléu “El Ala”, em Córdoba, percorremos 11.500 quilômetros em linha reta. Sua vida fascinante foi amplamente documentadaLink externo por jornais na Suíça e no exterior, além de livros e filmes. Menos conhecida, porém, é a história do monumento suíço que restou de sua trajetória.

Como é possível que, há 90 anos, um mausoléu de 82 metros de altura em homenagem a uma suíça esteja no meio da Argentina? A resposta começa com uma vida aventureira, um grande amor, a aviação. E termina com um acidente trágico que até hoje levanta dúvidas.

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Carreira inventada

Rosa Martha Rossi nasceu em 1905, em Berna. Filha de um comerciante de carruagens originário do cantão italófono do Ticino (sul da Suíça), cresceu em uma família de classe média. Em 1924, deixou oficialmente Berna rumo a Paris, supostamente por um ano. Os motivos permanecem incertos: fontes argentinas falam em fuga de casa; historiadoras suíças sugerem conflitos familiares ou um relacionamento indesejado.

Stefford com joias
Myriam Stefford, nascida como Rosa Martha Rossi em Berna. Na Argentina, ela tornou-se uma figura brilhante da alta sociedade. PD

Não se sabe como se sustentou em Paris nem como conheceu o milionário argentino Raúl Barón Biza. O certo é que ele transformou Rosa Rossi na personagem “Myriam Stefford”. Em sua própria revista, apresentou-a em 1926 como estrela promissora do cinema alemão, uma carreira que hoje se sabe ter sido em grande parte inventada. Seu nome não aparece em arquivos de cinema ou registros teatrais.

Até um casamento em Veneza foi anunciado, mas décadas depois não se encontrou registro oficial. Quando Stefford chegou à Argentina, em 1928, teria sido registrada como solteira e operária.

Uma das primeiras aviadoras argentinas

Na Argentina, Myriam Stefford tornou-se figura glamorosa da elite e descobriu a paixão pela aviação. Em 1931, foi uma das primeiras mulheres do país a obter licença de piloto. Poucas semanas depois, anunciou um voo pelas 14 capitais provinciais da Argentina.

Stefford com equipamento
Apenas algumas semanas após obter a sua licença de piloto, Myriam Stefford iniciou um voo ambicioso – que terminou em tragédia. PD

Em 18 de agosto de 1931, partiu em um pequeno avião biplace. Após pousos forçados, seguiu viagem até que, em 26 de agosto, a aeronave caiu perto de Marayes, na província de San Juan. Stefford e seu instrutor morreram no acidente. Rumores sobre as causas surgiram imediatamente, seja turbulência ou crime, e alimentam lendas até hoje.

Monumento erguido por amor

Barón Biza reagiu à morte da companheira com um projeto sem precedentes. Em 1936, mandou construir o monumental mausoléu “El Ala”, em Alta Gracia: uma asa de concreto de 82 metros que supera em altura o famoso Obelisco de Buenos Aires.

Projetada como uma gigantesca asa estilizada de avião, a estrutura também funcionava como farol. No topo, uma luz teria sido visível a até 60 quilômetros de distância.

Os restos mortais de Myriam Stefford foram transferidos para o local. Diz-se que joias, incluindo um lendário diamante, foram enterradas com ela, alimentando novos mitos.

a asa
«El Ala», perto de Alta Gracia, na província de Córdoba, tem 82 metros de altura. PD

Desde o início, o monumento foi pensado como espaço público e parque. Na inauguração, em 1936, milhares compareceram. Noventa anos depois, a asa de concreto segue na paisagem das Sierras de Córdoba, desgastada pelo tempo, quase esquecida na Suíça.

Na Argentina, porém, a história permanece viva, não apenas em livros e filmes, mas na memória de moradores que associam o local à infância ou às raízes suíças. “El Ala é mais que um monumento: conecta Córdoba à Suíça por uma história de amor e pioneirismo”, escreveu uma leitora.

Hoje, a Suíça oficial pouco utiliza o monumento como instrumento diplomático, apesar de a embaixada ter incluído Stefford em campanha sobre

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Hoje, a Suíça oficial pouco utiliza o monumento como instrumento diplomático, apesar de a embaixada ter incluído Stefford em campanhaLink externo sobre suíças na América Latina em 2021. Assim, a asa de concreto segue como símbolo local de uma ligação entre dois países, fascinante na Argentina, quase esquecida na Suíça.

Adaptação: Alexander Thoele, com ajuda do Deepl

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