Trump promete ‘desescalar um pouco’ a situação em Minnesota, mas descarta demissões
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se disposto, na terça-feira (27), a “desescalar um pouco” a situação em Minneapolis, uma cidade abalada após a morte, em menos de três semanas, de dois cidadãos baleados por agentes federais.
Trump, que classificou como “muito triste” a morte do ativista Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos, descartou a demissão da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, alvo de críticas da oposição.
“Vamos desescalar um pouco”, disse Trump à Fox News depois de enviar seu czar para assuntos migratórios, Tom Homan, a Minneapolis, onde ele se reuniu com o prefeito democrata Jacob Frey.
Durante a noite, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, reconheceu que os agentes federais podem ter infringido o “protocolo” para separar os agentes dos manifestantes durante os protestos em Minnesota.
“Estamos avaliando por que a equipe da CBP (Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras) pode não ter seguido este protocolo”, admitiu Miller, uma figura influente que lidera a política de linha dura do governo Trump.
O presidente, no entanto, defendeu mais cedo Noem e disse que ela “está fazendo um trabalho muito bom” e não será substituída.
A secretária acusou Pretti de ser “terrorista”. Ele foi morto a tiros por agentes da Patrulha de Fronteira no último sábado.
Noem utilizou o mesmo adjetivo para qualificar Renee Good, uma mãe de 37 anos morta em 7 de janeiro por disparos de um agente de imigração.
“Kristi Noem é uma mentirosa compulsiva, abjeta e corrupta”, afirmou Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, ao canal MSNow.
A crise deu fôlego aos democratas e ameaça travar uma das principais políticas do segundo mandato presidencial de Trump: o combate à imigração irregular.
O prefeito de Minneapolis reiterou ao czar migratório de Trump que sua principal exigência é que a operação contra a imigração ilegal “termine o mais rapidamente possível”.
Frey acrescentou ainda que “Minneapolis não aplica nem aplicará as leis federais de imigração”.
“Todos estamos de acordo que devemos apoiar os agentes e retirar os criminosos das ruas”, disse Homan em uma publicação no X após se reunir com Frey e o governador de Minnesota, Tim Walz.
“Embora não concordemos em tudo, estas reuniões foram um ponto de partida produtivo”, acrescentou Homan.
O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) insiste em que seus agentes foram deslocados para Minneapolis e para outras cidades-santuário com o objetivo de prender prioritariamente imigrantes em situação irregular que tenham pendências relacionadas a outros tipos de crimes.
Os chefes das principais agências de controle migratório do país comparecerão ao Senado para uma audiência pública em 12 de fevereiro.
– Um memorial –
Em Minneapolis, sob uma temperatura glacial, o local onde Pretti morreu no último sábado transformou-se em um memorial improvisado, onde ativistas vão para se recolher e rezar.
“Obrigado por sua compaixão e amor por todos aqueles de quem você cuidou”, dizia uma faixa deixada no local do incidente.
O ex-presidente democrata Joe Biden (2021-2025) criticou, por meio de um comunicado, uma violência que “trai nossos valores mais fundamentais como americanos”.
A investigação em torno das mortes dos dois americanos avança e a emissora Fox citou um porta-voz do DHS que assegurou existirem imagens de câmeras corporais dos agentes que participaram da tentativa de detenção de Pretti.
Os democratas no Congresso exigem o fim do deslocamento do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e da Patrulha de Fronteira, e ameaçam inclusive bloquear no Senado votações orçamentárias iminentes.
Isso poderia levar, até o fim da semana, a um novo fechamento parcial do governo, como já ocorreu no final de 2025.
Em meio à tensão que se vive em Minneapolis, a congressista democrata Ilhan Omar foi atacada durante um discurso na noite de terça-feira. Um homem borrifou um líquido desconhecido contra ela durante um comício em Minneapolis.
Omar, alvo frequente de críticas de Trump, acabara de pedir que o governo revertesse seu rumo atual na campanha de deportação no estado do norte do país quando foi atacada. O indivíduo foi detido pelas autoridades.
A Justiça americana bloqueou a expulsão dos Estados Unidos de Liam Conejo Ramos, de 5 anos, e de seu pai de origem equatoriana, que foram detidos na semana passada.
A Chancelaria equatoriana emitiu uma nota de protesto aos Estados Unidos após denunciar uma tentativa de incursão de agentes de imigração em sua sede consular em Minneapolis. O governo do presidente Daniel Noboa, aliado de Trump, pediu que “atos desta natureza não se repitam”.
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