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El Niño ameaça a produção de trigo e cacau no mundo

Um bombeiro combatendo incêndio
Bombeiro combatendo um incêndio em 7 de agosto de 2025, em Hasley Canyon, Califórnia. AP Photo/Marcio Jose Sanchez

A combinação entre seca prolongada, aumento dos preços dos fertilizantes e a possível intensificação do fenômeno El Niño está elevando as preocupações nos mercados agrícolas globais. Este e outros temas foram destaques nas mídias suíças nesta semana.

E o jornal econômico zuriquense Finanz und WirtschaftLink externo continua: “Enquanto os Estados Unidos projetam sua menor safra de trigo de inverno em mais de meio século, produtores de cacau na África Ocidental enfrentam riscos que podem comprometer a oferta mundial da commodity”. Além disso, os jornais discutiram sobre o Mercosul, sobre a campanha do presidente brasileiro Lula à reeleição e até ofereceram aos leitores um interessante perfil de uma jovem agricultora brasileira. Leia os resumos abaixo.

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Mercosul leva nossos agricultores ao suicídio?

O artigo, escrito pela jornalista Isabel Villalon para o portal de finanças Inside ParadeplatzLink externo (uma plataforma suíça conhecida por publicar furos jornalísticos) trata de um tema sensível: o acordo de livre comércio firmado entre o Mercosul e os países da EFTA, bloco do qual a Suíça faz parte. O texto argumenta que, embora o volume de importações agrícolas isentas de impostos concedido pela Suíça aos países do Mercosul represente até 2% do consumo agrícola nacional, esse percentual já seria suficiente para pressionar fortemente os produtores suíços, especialmente diante da concorrência de carne bovina argentina, frango brasileiro, soja paraguaia e outros produtos agroindustriais.

Villalon adota um tom crítico ao sustentar que o acordo beneficiaria grandes estruturas agrícolas latino-americanas, marcadas por latifúndios, concentração fundiária, desmatamento ilegal e violência contra pequenos agricultores e ambientalistas. Em contraste, o texto afirma que o Conselho Federal suíço estaria disposto a sacrificar parte da agricultura nacional em troca de ganhos para setores exportadores, sobretudo a indústria farmacêutica e industrial, já que o acordo eliminaria tarifas sobre cerca de 95% das exportações suíças para o Mercosul.

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O artigo também destaca a insatisfação do Sindicato dos Agricultores Suíços, que reivindica uma compensação anual de 880 milhões de francos diante do impacto esperado das importações. A autora contextualiza essa demanda lembrando a importância estratégica da segurança alimentar, especialmente em momentos de crise, como a II Guerra Mundial e a pandemia de Covid-19. Por fim, o texto chama atenção para a precarização da vida agrícola na Suíça, com longas jornadas, remuneração média baixa e o fechamento anual de centenas de fazendas, cenário que poderia se agravar caso os subsídios agrícolas sejam reduzidos enquanto outras áreas do orçamento público recebem aumentos.

Fonte: insideparadeplatz.ch, 04.06.2026Link externo (alemão)

Super El Niño está a caminho

O artigo foi publicado no portal do jornal econômico Finanz und Wirtschaft, de Zurique, pela jornalista Susanne Toren, com o objetivo de analisar as mudanças climáticas e um fenômeno meteorológico recorrente: o El Niño. O texto parte do alerta de que um possível “Super El Niño” pode provocar seca, enchentes, destruição, perdas agrícolas e nova pressão inflacionária.

Segundo o artigo, o El Niño começa a se formar no Pacífico tropical e pode liberar enorme energia na atmosfera, alterando padrões climáticos em várias regiões do mundo. Embora a Europa Central deva ser menos afetada diretamente, o texto aponta riscos de ondas de calor, chuvas fortes e temperaturas recordes.

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ONU alerta para 80% de probabilidade de episódio de El Niño entre junho e agosto

Este conteúdo foi publicado em A Organização Meteorológica Mundial (OMM) advertiu, nesta terça-feira (2), que há 80% de probabilidade de um episódio de El Niño entre junho e agosto, o que aumenta o risco de fenômenos meteorológicos extremos nos próximos meses. 

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Os impactos mais severos são esperados na América do Sul, Austrália, Sudeste Asiático e África. O fenômeno pode causar secas em países produtores de óleo de palma, arroz, açúcar, trigo, café e cacau, além de enchentes, deslizamentos e prejuízos à pesca em áreas da costa do Pacífico.

Toren destaca que as perdas nas colheitas tendem a se refletir rapidamente nos mercados de commodities. Produtos como cacau, café, açúcar, arroz e trigo podem ficar mais caros, especialmente se países afetados restringirem exportações para proteger o abastecimento interno.

A consequência econômica central, segundo o texto, é o aumento do custo de vida. Com alimentos, energia, seguros, aluguéis e crédito sob pressão, os bancos centrais poderiam ser obrigados a reagir de forma preventiva à inflação, inclusive com novas altas de juros.

Fonte: fuw.ch, 03.06.2026Link externo (alemão)

Vacas até onde a vista alcança

O artigo foi publicado no SchweizerbauerLink externo, jornal dos agricultores suíços, pela jornalista Cécile Luterbacher, dentro da série do “Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026”, que apresenta doze mulheres agricultoras de outros países. A personagem destacada é a brasileira Aline Kehrle, de 43 anos, que administra a Fazenda Guará, no estado do Tocantins, na região do Cerrado.

A propriedade da família Kehrle tem cerca de 5.000 hectares, dos quais aproximadamente três mil hectares são usados como pastagem. A fazenda reúne 4.400 bovinos das raças Nelore, Boran e Curraleiro Pé-Duro, criados principalmente a pasto, em um sistema de pastoreio rotacional intensivo. Segundo Aline, sua prioridade é produzir de forma sustentável, respeitando a natureza e preservando áreas de floresta e zonas ripárias dentro da propriedade.

Vacas em um curral no Brasil
Uma criança acaricia uma vaca zebuína durante a feira ExpoZebu em Uberaba, no estado de Minas Gerais, no sábado, 27 de abril de 2024. Copyright 2024 The Associated Press. All Rights Reserved

Na Fazenda Guará, AlineLink externo divide a gestão com o pai e o marido. Ela é responsável pelo manejo do rebanho, pela organização das pastagens e pela venda dos animais, enquanto o marido cuida das finanças e da contabilidade. A carne bovina é a única fonte de renda da fazenda, vendida diretamente a frigoríficos, e a operação conta com 14 funcionários, entre vaqueiros, tratoristas, pastores, cozinheiro, jardineiro e outros ajudantes.

O texto também mostra os desafios enfrentados por Aline, muitos deles semelhantes aos de agricultores em outros países: a imagem negativa da agropecuária junto à população urbana, a falta de mão de obra no campo e o afastamento dos jovens da vida rural. Há ainda a dificuldade familiar de viver longe dos centros urbanos, já que sua filha de oito anos estuda em Palmas, a 160 quilômetros da fazenda, obrigando Aline e o marido a se alternarem entre a cidade e a propriedade.

Além da rotina na fazenda, Aline atua nas redes sociais e em cursos para explicar sistemas de pastagem regenerativa e defender uma pecuária capaz de produzir alimentos e proteger o meio ambiente. O artigo termina contextualizando a importância da agricultura no Brasil, país de grandes áreas produtivas, forte presença da pecuária e do agronegócio nas exportações, mas também marcado por desafios ambientais ligados à expansão de pastagens e lavouras.

Fonte: schweizerbauer.ch, 01.06.2026Link externo (alemão)

Lula acentua a mudança social

O artigo foi publicado no jornal francófono Le CourrierLink externo, pela jornalista Chantal Reyes, e analisa o projeto de reforma constitucional apresentado pelo presidente Lula quatro meses antes das eleições presidenciais. A proposta reduz a jornada de trabalho no Brasil e foi aprovada pela Câmara dos Deputados, embora ainda dependa do Senado.

O texto prevê o fim do chamado regime 6×1, no qual o trabalhador tem seis dias de trabalho e apenas um de folga. A reforma estabelece uma semana de cinco dias, com dois dias de descanso, além da redução da carga horária legal de 44 para 40 horas semanais, beneficiando cerca de 40 milhões de empregados formais.

Homem com um capacete na cabeça
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva participando da abertura do Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) no bairro do Anhembi, em São Paulo, Brasil, em 19 de maio de 2026. EPA/Isaac Fontana

Chantal Reyes destaca que a medida tem forte apelo popular e obrigou até a oposição de direita e extrema direita a apoiá-la na Câmara, em pleno ano eleitoral. Para Lula, ex-metalúrgico e líder sindical, trata-se de uma “vitória histórica” para os trabalhadores, mas o empresariado reagiu com revolta e promete resistir.

O artigo também interpreta a reforma como parte da estratégia eleitoral de Lula para recuperar iniciativa política diante de uma disputa apertada com Flávio Bolsonaro. Segundo analistas citados no texto, o presidente tenta priorizar medidas de impacto direto na vida cotidiana, mas enfrenta o desafio de conquistar o centro e mostrar por que merece um novo mandato.

Fonte: lecourrier.ch, 01.06.2026Link externo (francês)

Dois casos suspeitos colocados em isolamento no Brasil

O artigo, produzido por agências de notícias e republicado por várias mídias na Suíça, aborda um tema bastante sensível: a epidemia de Ébola. O texto informa que dois homens, vindos da República Democrática do Congo e de Uganda, foram colocados em isolamento no Brasil após apresentarem sintomas compatíveis com febres hemorrágicas virais.

Enfermeiro examinando uma pessoa na rua
Um profissional de saúde, vestindo uma bata de proteção e máscara, verifica a temperatura dos moradores locais como medida preventiva contra o ebola em Kanyaruchinya, perto de Goma, no Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, em 27 de maio de 2026. EPA/MARIE JEANNE MUNYERENKANA

No Rio de Janeiro, um homem que chegou de Uganda teve sintomas como tosse, tremores e diarreia, mas os exames deram negativo para Ébola e positivo para malária. Em São Paulo, um homem de 37 anos da República Democrática do Congo foi internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas; ele testou positivo para uma forma grave de meningite, mas a investigação para Ébola continuava até a conclusão dos testes específicos.

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Uma pessoa num laboratório de virologia.

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Segurança do paciente

Laboratório suíço identifica cepa mortal de hantavírus

Este conteúdo foi publicado em Um laboratório suíço identificou a cepa Andes do hantavírus em surto ligado a um cruzeiro transatlântico. A descoberta ajudou a OMS a entender riscos de transmissão e coordenar a resposta internacional.

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O texto ressalta que o Ministério da Saúde considera baixo o risco de transmissão no Brasil e na América do Sul. Ainda assim, as medidas de precaução foram reforçadas devido ao avanço da epidemia na RDC e em Uganda, onde novos casos foram confirmados, enquanto a Organização Mundial da Saúde emitiu alerta sanitário internacional.

Fonte: lematin.chLink externo, blick.chLink externo, 20min.chLink externo, 01.06.2026 (francês)

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Publicaremos nossa próxima revista da imprensa suíça em 12 de junho. Enquanto isso, tenha um bom fim de semana e boa leitura!

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