Seca força retorno antecipado de rebanhos dos Alpes e ameaça produção de queijo na Suíça
A seca que atinge diversas regiões da Suíça está levando produtores rurais a retirar parte dos rebanhos das pastagens alpinas antes do previsto. A situação já afeta a disponibilidade de água e forragem, reduz a produção de queijos tradicionais e aumenta a pressão sobre fazendas em todo o país.
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As regiões do Arco do Jura, da Suíça francófona e partes do leste do país estão entre as mais afetadas pela seca, afirmou Selina Droz, diretora-geral da Federação Suíça da Economia Alpina (FSEA). Segundo ela, a situação é crítica em todo o território suíço.
A entidade não dispõe de números exatos sobre quantas fazendas precisaram antecipar a descida dos animais das pastagens de montanha. De acordo com Droz, porém, a maioria das propriedades afetadas trouxe de volta apenas parte do rebanho para os vales, numa tentativa de preservar também as reservas de água potável e de alimentação disponíveis nessas áreas.
Fazendas de planície também enfrentam dificuldades
A situação, considerada pela FSEA como “altamente excepcional”, não afeta apenas as regiões alpinas. As fazendas localizadas nas áreas de planície também enfrentam escassez de forragem em consequência da estiagem.
Com estoques limitados, alguns produtores já recorreram ao abate antecipado de animais, uma das poucas alternativas disponíveis para lidar com a falta de alimento para o gado.
Produção de queijo deve cair
A redução do período de pastoreio nas montanhas também tem impacto direto na produção agrícola. A FSEA prevê que a produção de queijos alpinos ficará abaixo da média neste ano.
No caso do Gruyère d’alpage, uma das variedades tradicionais produzidas nas montanhas suíças, a associação do setor estima uma queda de cerca de 10% na produção em comparação com o ano passado.
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Como se faz um queijo gruyère
Mudanças climáticas ampliam desafio
Segundo a federação, os verões secos tendem a se tornar mais frequentes por causa das mudanças climáticas. Ainda assim, a retirada antecipada dos rebanhos das pastagens alpinas deve continuar sendo uma medida de emergência.
Droz observa que o transporte de água por caminhões ou helicópteros só se justifica em situações extremas, quando a propriedade dispõe de ainda menos recursos de alimentação para os animais.
Para enfrentar o problema no longo prazo, a FSEA defende que as fazendas alpinas revisem e adaptem suas infraestruturas de abastecimento de água. Projetos como a construção de novos reservatórios ou a captação de fontes naturais, segundo a entidade, exigirão mais recursos da Confederação e dos cantões.
De acordo com a FSEA, a Suíça conta com cerca de 6.600 pastagens alpinas. Durante o verão, essas áreas correspondem a aproximadamente um terço da superfície agrícola utilizada no país e são responsáveis pela produção anual de cerca de 5.500 toneladas de queijo alpino.
Adaptação: Fernando Hirschy
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