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Parceria com UE pode abrir espaço para indústria bélica suíça

Um tanque na autoestrada
Um tanque francês Leclerc na autoestrada suíça A13 durante um exercício conjunto, a 8 de maio de 2025, em Reichenau. Gian Ehrenzeller / Keystone

O governo suíço quer negociar uma parceria de segurança e defesa com a União Europeia (UE), em meio à aproximação militar com o Ocidente após a invasão russa da Ucrânia. E a UE, quer também?

Apesar de sua neutralidade, nunca houve dúvidas quanto ao alinhamento da Suíça com o Ocidente. Desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, o país aproximou-se ainda mais de seus parceiros ocidentais também no campo militar — por exemplo, com a adesão à European Sky Shield Initiative (Iniciativa Europeia “Escudo Celeste”) e com o aprofundamentoLink externo da cooperação com a OTAN.

No ano passado, o governo suíço anunciouLink externo que pretendia iniciar conversações com a União Europeia (UE) sobre um acordo de segurança. No verão de 2026, o Parlamento suíço concedeu ao governo um mandato para as primeiras negociações exploratórias. Se essa fase de sondagem for promissora, somente então decidirá sobre um mandato formal de negociação.

O acordo imaginado pelo governo seria uma Parceria de Segurança e Defesa (Security and Defence Partnership – SDP, na sigla em inglês). Trata-se, em primeiro lugar, de acordos políticos e declarações de intenção, explica Gesine Weber, especialista do Centro para estudos de segurança (CSS) da Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH): “Por meio deles, as partes concordam em aprofundar o diálogo e cooperar de forma mais estreita em termos estratégicos. Em geral, esses acordos também especificam diretamente as diferentes áreas de política pública nas quais se pretende cooperar.”

Como Weber demonstra em uma análise do CSS, desde 2022 a UE intensificou significativamente sua cooperação com países terceiros nas áreas de segurança e defesa. E, segundo a análise, faz isso de maneira relativamente rápida e flexível. Desde o final de 2024, a UE já assinou doze parcerias desse tipo com diversos países como Reino Unido, Índia e Gana.

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A UE firmou acordos de defesa tanto com Estados europeus não pertencentes ao bloco, como Noruega e Reino Unido, quanto com parceiros internacionais, como Canadá e Índia. São países com os quais a UE já coopera na área de segurança. “Com isso, a União Europeia pretende dar um enquadramento político mais sólido à cooperação já existente. Outro objetivo frequente é aprofundar a cooperação na indústria de defesa”, afirma Weber.

Isso está longe de ser um detalhe: até 2030, os Estados-membros da UE deverão investirLink externo 800 bilhões de euros (750 bilhões de francos) em defesa. E é justamente aí que a Suíça quer se integrar.

Oportunidade para a indústria de defesa

Como país neutro e armado, a Suíça sempre considerou importante manter uma indústria de defesa própria. Parte desse setor também foi financiada historicamente pelas vendas de equipamentos militares a parceiros europeus. Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, a Suíça encontra-se em uma posição delicada.

Isso porque o país proíbe a revenda de material bélico suíço exportado para Estados envolvidos em conflitos armados. Essa política não apenas provocou uma crise de confiança entre seus parceiros da União Europeia, como também resultou em desvantagens concretas para as exportações: desde então, equipamentos militares suíços passaram a ser evitados.

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Isso provocou mudanças importantes na política suíça. As regras para a exportação de material de guerra foram revisadas.

Como revelou neste verão o ministro suíço da Defesa, Martin Pfister, durante um debate no Parlamento, o possível acordo de segurança com a UE também deve ser entendido nesse contexto: ele deverá ajudar a Suíça a participar mais ativamente de projetos conjuntos de aquisição de armamentos em toda a Europa.

Durante um debateLink externo no Parlamento sobre uma possível parceria de segurança com a UE, Pfister declarou: “Se pudermos realizar aquisições conjuntamente com outros países europeus, elas também se tornarão mais baratas graças aos ganhos de escala. Isso abre oportunidades para a nossa própria indústria, que passa a ter a possibilidade de participar.”

Interesse da UE e da Suíça

Até que ponto a União Europeia está receptiva a um acordo desse tipo com a Suíça? Já na primavera, a porta-voz da UE, Anita Hipper, declarouLink externo que a Suíça poderia ser considerada para uma parceria. Segundo Hipper, a Comissão Europeia tem interesse em parcerias que “sirvam aos interesses políticos e estratégicos da UE e apoiem os valores universais defendidos pela União”.

Do lado suíço, até agora o foco tem recaído principalmente sobre o aspecto econômico. E isso parece encontrar eco em Bruxelas. A especialista em segurança Gesine Weber afirma: “Considerando que a Suíça dispõe de uma enorme capacidade de pesquisa, a perspectiva da UE vê como especialmente interessante a cooperação na política de defesa e na indústria de armamentos. Creio que esse é o setor para o qual Bruxelas potencialmente está olhando.”

A Suíça está particularmente bem posicionada no setor de drones. O Ministério da Defesa suíço anunciouLink externo recentemente que estabelecerá como prioridade estratégica os drones, os sistemas de defesa antidrones e a robótica. Universidades e a indústria também deverão ser envolvidas nesse processo.

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Soldados do Exército suíço em formação.

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No final de setembro, as suíças e suíços votarão a Iniciativa da Neutralidade. Formalmente, ela não tem relação com negócios de armamentos. No entanto, seu objetivo é abolir as sanções internacionais, que são centrais para a política da UE em relação à Rússia. O governo suíço opõe-se à iniciativa popular, cuja eventual aprovação provavelmente suscitaria em Bruxelas as mesmas dúvidas que uma rejeição dos Acordos Bilaterais III.

Do ponto de vista formal, os Acordos Bilaterais III (n.r.: o conjunto atualizado de tratados entre a Suíça e a UE) também não têm relação direta com um possível acordo de defesa. Mas e se o eleitorado suíço rejeitar esse pacote bilateral? “Eu dificilmente consigo imaginar um cenário em que, diante de tensões significativas em torno dos Acordos Bilaterais, Bruxelas passe subitamente a demonstrar grande interesse em aprofundar a cooperação com a Suíça em outras áreas”, afirma Weber.

A votação popular sobre os Acordos Bilaterais III está prevista para 2027. Já a conclusão de um eventual acordo de defesa deverá levar ainda mais tempo.

Edição: Benjamin von Wyl

Adaptação: Flávia C. Nepomuceno dos Santos

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