Israel reticente com suíço da equipe para Jenin
Israel aprecia pouco Cornélio Sommaruga na equipe que vai investigar o que aconteceu em Jenin, Cisjordânia, onde se travaram os mais intensos combates da operação "Muro Defensivo" - 3 a 12/4.
A equipe, chefiada pelo ex-presidente finlandês, Martti Ahtisaari, inclui a ex-diretora geral do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, a japonesa Sadako Ogata, e o ex-presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, o suíço Cornelio Sommaruga.
Manobra
Em 1993, Sommaruga, como presidente do CICV, visitou a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, isoladas por Israel após vários atentados terroristas. E criticou desrspeito aos direitos humanos.
Israel exerceu pressão para que ele não figurasse entre os membros dessa missão já descrita como “importante e delicada”, depois de constatar que as três figuras estão ligadas ao direito humanitário.
Observadores vêm nessa atitude israelense tentativa de conseguir com maior facilidade participação de especialistas militares e antiterroristas na missão que a entidade envia a Jenin.
Concessões
As três personalidades escolhidas por Kofi Annan foram defendidas pelo secretário geral da ONU. Annan as considera “altamente respeitadas e independentes”.
Além de Ahrisaari, Ogata e Sommaruga, Annan já previra que a equipe dispusesse de um assessor militar, o general norte-americano Bill Nash, e de um assessor em assuntos policiais, o irlandês Peter Fitzgerald.
Não podendo impedir a missão, principalmente depois que os Estados Unidos apoiaram nesse sentido a resolução no Conselho de Segurança da ONU dia 19, Israel se movimenta na defesa de seus interesses.
E com certo êxito. Se Kofi Annan se negou a satisfazer a exigências israelenses sobre adiamento da “missão de informação” e modificação da composição da mesma, já concedeu “pequeno prazo” para a chegada da missão a Jenin (provavelmente sábado) e admite inclusão de militares e especialistas antiterroristas.
Só apurar fatos
Israel vem exigindo uma “investigação” seja realizada sobre as “atividades terroristas” no acampamento de Jenin. A missão Ahtisaari-Ogata-Sommaruga, a ser provavelmente ampliada, deverá limitar-se a “informar” sobre o que possa ter acontecido no acampamento. Ela vai apenas estabelecer fatos – como “fact-finding mission” – e não avaliar se houve ou não crimes de guerra.
Anistia Internacional já deu o passo. Segundo os primeiros dados de uma investigação independente, já concluiu ter havido em Jenin graves violações do direito humanitário e até crimes de guerra. Estima ter havido assassinato em massa no acampamento e não apenas morte de combatentes.
Anistia reforça assim a afirmação dos palestinos de que houve massacre no acampamento onde viviam 14 mil pessoas. Israel desmente, garantindo terem sido visados apenas os combatentes.
J.Gabriel Barbosa
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