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Da euforia à modéstia

Keystone

O provável ataque dos EUA ao Iraque e suas conseqüências econômicas nortearam todas as dicussões do Fórum Econômico Mundial, em Davos, encerrado terça-feira, 28.01.

As intervenções mais comentadas foram as do secretário de Estado, Collin Powel, e do presidente Lula.

Diante de um panorama de recessão, escândalos financeiros, degringolada das Bolsas, pobreza e riscos de guerra, os participantes do 33° Fórum Econômico Mundial(WEF), nos Alpes orientais da Suíça moderaram seu otimismo.

Clima frágil nunca visto

Sob um dispositivo de segurança sem precedentes, com a perspectiva de guerra no Iraque e uma crise aguda das estratégias de globalização, os 2 mil participantes examinaram os males que afligem o planeta.

Considerado como a maior concentração de autoridades por metro quadrado no mundo, onde está representada cerca de 80% da economia planetária, o encontro tinha como tema central este ano a “restauração da confiança”.

“Nos 33 anos de existência do Fórum, nunca tinha vivido um clima tão frágil, complexo e perigoso de crises geopolíticas, riscos de recessão, exlosão demográfica, pobreza e mudanças climáticas”, reconheceu Klaus Schwab, fundador do WEF, em seu discurso de abertura.

Lula e Powel

Como reflexo desse contexto, as duas intervenções mais comentadas foram as do Secretário de Estado dos EUA, Collin Powel, e do presidente Lula. Powel declarou que, com ou sem aliados, seu país intervirá no Iraque.

Lula criticou o protecionismo comercial dos países industrializados, falou da necessidade de uma nova ordem econômica mundial e propôs a criação de um fundo mundial para lutar contra a fome e a pobreza, financiado pelo G-8, grupo dos 8 países mais poderosos.

Mediação suíça

Por outro lado, 4 dos 7 ministros que compõem o governo federal suíço estiveram em Davos. Na abertura do encontro, o atual presidente e ministro do Interior, Pascal Couchepin, incitou a economia a colocar-se a serviço da sociedade.

A ministra das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, ofereceu a Collin Powel a mediação da Suíça para evitar um ataque ao Iraque.

Acusado de ser um clube fechado e soberbo onde se desenha a hegemonia do capital, o Fórum de Davos voltou a ser objeto de manifestações de grupos opostos à globalização, apesar de ter aberto suas portas a ONGs internacionais e suíças.

Mais modéstia

Houve uma manifestação pacífica em Davos mas centenas de manifestantes rejeitaram os controles de polícia e voltaram para Berna, capital suíça, onde houve choques com a polícia e danos materiais avaliados em meio milhão de francos suíços.

Em entrevista ao jornal “Le Temps”, de Genebra, o fundador do WEF disse que foi “vítima de uma euforia culpável” ao crer na boa saúde da economia e ao pensar que tudo era possível graças aos progressos da tecnologia. A situação, afirmou Klaus Schwab, “nos convida e ser mais modestos e buscar mais moralidade”.

swissinfo, Jaime Ortega

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