O futuro é a educação
Encontro de pequenas e médias empresas como o "Swiss Economic Forum" discute caminhos para a saída do marasmo econômico na Suíça.
Empresários exigem menos Estado e mais disposição dos suíços para reformas e concorrência.
O quinto “Swiss Economic Forum” realizou-se entre 8 e 9 de maio em Thun, uma pequena cidade cercada de montanhas e à borda do lago com o mesmo nome. Reuniu mais de mil representantes de pequenas e médias empresas suíças para debates sob o lema “Confiança e Crescimento”.
Na Suíça, esse setor é considerado de importância vital para a economia: 99% das empresas suíças são de pequeno ou médio porte e cerca de dois terços dos trabalhadores suíços devem a elas o seu emprego.
Os pontos altos do evento em Thun foram seguramente as mesas-redondas com políticos, jornalistas e empresários, como a que ocorreu na manhã de sexta-feira, reunindo personagens por vezes antagônicos para discutir o tema “Que direção deve tomar a economia suíça?”
“Não pensar mais no passado”
No debate, os palestrantes pediram reformas do Estado e da sociedade para que o país consiga assegurar o futuro da economia.
“É preciso valer a pena ter uma empresa. Hoje somos penalizados pela quantidade de impostos. É importante discutir os gastos do Estado”, critica Peter Spuhler, o exemplo suíço de self-made manager e presidente da empresa Stadler-Bussnang.
“Os suíços não têm a cultura do erro. Um empresário que erra na primeira vez, acaba não tendo uma segunda chance.”, complementa Gerhard Schwarz, editor de economia do respeitado jornal conservador Neue Zürcher Zeitung.
“A sociedade tem de aceitar as mudanças que vivemos e não pensar mais no passado.”, afirma Jürgen Dormann, presidente da multinacional suíço-sueca ABB.
“Um dos nossos maiores problemas é a questão demográfica: temos cada vez mais aposentados e menos trabalhadores pagantes de impostos”, ressalta o esquerdista Rudolf Strahm, deputado do Partido Social Democrata.
“Mais vontade de assumir riscos”
Apesar das críticas, os participantes do debate foram unânimes em afirmar que o aspecto positivo da Suíça como mercado é a qualidade do seu ensino e pesquisa. Elas precisam, porém, ser apoiadas pelo Estado e a iniciativa privada.
“Nossa empresa tem sua sede na Suíça por duas razões: suas universidades estão dentre as melhores do mundo e seu alto desenvolvimento tecnológico, através da pesquisa”, lembra Dormann, o chefe da ABB.
“A Suíça precisa assegurar seu futuro através da especialização em setores tecnológicos como a biotecnologia e a nanotecnologia”, afirma Robert Wyss, membro da direção na bolsa de valores suíça SWX Swiss Exchange.
“Precisamos mais inovação e mais vontade de assumir riscos. Também a educação deve ter a participação da iniciativa privada, e não só do Estado”, ressalta o jornalista Schwarz, do NZZ.
Um “high flyer” e um nobel para encerrar o debate
Para encerrar o debate antes do almoço, os organizadores haviam prometido trazer duas pessoas que representam a Suíça do futuro.
O primeiro foi o empresário Urs Rickenbacher, chefe da Lantal Textiles, uma empresa média que domina 55% do mercado mundial da produção de tecidos para revestimento de cadeiras de avião e trens. Dentre seus clientes destaca-se o “Air One”, avião oficial do presidente dos Estados Unidos.
Aproveitando a oportunidade do evento, ele apresentou à imprensa e aos presentes uma novidade mundial já patenteada: assentos infláveis que se modelam ao corpo dos passageiros, em aviões comerciais.
O segundo convidado era uma supresa, porém também simbolizava a Suíça do futuro: Kurt Wüthrich prêmio Nobel de Química de 2003 e professor da Escola Politécnica Federal de Zurique.
Se os palestrantes divergem na escolha de soluções para acabar com o marasmo econômico, um tema é de comum acordo: o futuro está na educação.
swissinfo, Alexander Thoele
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