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Um país pioneiro na engenharia genética

Modelo do DNA, onde se encontram os genes que definem as características de cada ser humano. Luís Salinas

Há trinta anos aplica-se a biotecnologia, na Suíça e outros países industrializados, em diferentes setores científicos e industriais.

A engenharia genética é uma nova ciência, sobretudo no que se refere às suas diferentes aplicações. O suíço Federico Miescher foi um pioneiro na pesquisa.

A biotecnologia é uma área da ciência já conhecida há mais de cinco mil anos pela humanidade. Ela começa quando os egípcios inventam a cerveja.

Outro exemplo histórico: na Mesopotâmia, há mais de três mil anos já fabricava-se queijo e iogurte através da fermentação, um processo que pode ser também considerado biotecnológico.

A aplicação da biotecnologia em processos científicos e industriais começa mais tarde, mais precisamente nos anos 70 do penúltimo século.

Em 1973, os cientistas americanos H.Boyer e S.Cohen começaram a experimentar com a assim chamada “informação genética”, que deu o passo de abertura de vários novas áreas da ciência e, posteriormente, na indústria.

Um cientista da Basiléia

As raízes da biotecnologia comprovam a igualdade da substância hereditária, encontrada em quase todos os seres vivos.

Em 1869, o cientista suíço Federico Miescher, de Basiléia, foi o primeiro a se ocupar da investigação e análise exata da estrutura química do ácido desoxirribonucléico (o DNA), que está contido nas células e é o portador da “informação hereditária”.

No DNA, que está configurado em forma de espiral (veja a foto), se encontram os genes que definem as diferentes características específicas dos seres humanos e animais.

As áreas de aplicação

A engenharia genética se desenvolveu com grande velocidade. Hoje ela é aplicada não só na investigação científica básica, como também em diferentes campos industriais: desenvolvimento de medicamentos, de diagnósticos, na agricultura, na produção de alimentos e em processos relativos ao meio-ambiente (como depuração de águas e eliminação de desperdícios).

O maior êxito dessa técnica está na investigação e desenvolvimento de novos medicamentos.

Hoje existem no mercado mais de 80 medicamentos e vacinas elaboradas através da engenharia genética. Cerca de 20% deles servem para o tratamento do câncer, 15% em diabetes, 18% no tratamento de enfermidades cardíaca, 20% são vacinas para diferentes enfermidades contagiosas e os demais têm aplicação no tratamento da esclerose múltipla, da hepatite ou da anemia.

Reticências quanto às manipulações genéticas

Na agricultura a engenharia genética é empregada no desenvolvimento de plantas como milho, trigo, arroz e tomate, que são mais resistentes contra pragas ou doenças.

Apesar dos grandes avanços nessa área, uma grande parte dos consumidores desconfia desses novos produtos. Essa posição se explica pelas possíveis conseqüências de longo prazo para a saúde humana.

Situação industrial e política

A aceitação da engenharia genética na Suíça, assim como em outros países, é baixa. A critica é dirigida, sobretudo, aos setores agrícolas e de produção de alimentos. Elas afirmam que as manipulações genéticas não são realizadas sem ausência de riscos. Sobretudo ecologistas se perguntam se é realmente necessária a criação de novas plantas e produtos, tendo a humanidade um grande sortimento de produtos naturais à sua disposição.

Por outro lado, a opinião pública tem uma posição positiva quando se trata de tecnológicas que desenvolvem novos medicamentos e terapias médicas.

Empresas farmacêuticas

Sob o ponto de vista científico e farmacêutico, a biotecnologia oferece grandes perspectivas. Aumentando a segurança e baixando seus riscos possíveis, ela poderá ser aplicada em vários setores industriais.

Na Suíça mais de 60 empresas trabalham no campo da biotecnologia, sendo que a maioria encontra-se no setor farmacêutico. Grandes nomes como a Roche ou a Novartis, por exemplo, chegaram a comprar outras empresas nos EUA para estar mais bem posicionada nesse mercado. A Serono, de Genebra, é uma das mais importantes empresas do setor na Suíça.

A grande maioria das 60 empresa suíças é consideradas de pequeno porte e concentram suas pesquisas na produção de substâncias básicas utilizadas em medicamentos e sistemas de diagnóstico.

A venda de vacinas e medicamentos na Suíça, elaborados a partir da engenharia genética, ficou contabilizada em 2002 em mais de 160 milhões de dólares.

swissinfo, Luis A. Salinas
tradução de Alexander Thoele

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