Avião que decolou de Cabo Verde por surto de hantavírus faz escala nas Canárias
Um dos dois aviões que decolaram de Cabo Verde para evacuar os passageiros do navio de cruzeiro afetado por um surto de hantavírus pousou nesta quarta-feira (6) no arquipélago espanhol das Canárias para reparos na “bolha de isolamento” de um paciente.
O hantavírus, transmitido por roedores infectados, normalmente através da urina, dos excrementos e da saliva, preocupa a população após a morte de três pessoas. Uma das mortes ocorreu por hantavírus e outras duas são suspeitas.
Dois aviões decolaram ao mesmo tempo de Cabo Verde rumo aos Países Baixos.
Um deles, que levaria pelo menos um ex-passageiro do cruzeiro, pousou em Amsterdã às 17h47 GMT (14h47 de Brasília) desta quarta-feira, constatou a AFP.
O outro fez escala nas Canárias para reparos na “bolha de isolamento” de uma das pessoas depois que o Marrocos recusou o pouso, informou à AFP uma fonte do governo regional do arquipélago espanhol.
“Não foi um reabastecimento (…) Estavam com uma bolha de isolamento de um paciente danificada e pararam para consertá-la”, informou a fonte, acrescentando que ninguém embarcará ou desembarcará do avião, que seguirá seu itinerário previsto até os Países Baixos.
Apesar da preocupação com o surto, a situação não é similar à do início da pandemia de covid-19, declarou à AFP o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. “O risco para o resto do mundo é baixo”, disse.
O navio de cruzeiro afetado, operado pela empresa holandesa Oceanwide Expeditions, tinha zarpado de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril.
Dois tripulantes doentes e outra pessoa que teve contato com um dos casos confirmados foram evacuados do MV Hondius, em frente à costa de Cabo Verde, informou a OMS.
As três pessoas se encontram “estáveis” e uma “está assintomática”, afirmou a representante desta agência da ONU em Cabo Verde, Ann Lindstrand.
O avião que pousou no arquipélago espanhol sobrevoou o oceano durante dezenas de minutos antes de aterrissar em Gran Canária, segundo dados do site de rastreamento de voos FlightRadar24.
No entanto, segundo uma fonte do Ministério da Saúde da Espanha, o avião terá que ser substituído por causa de uma avaria.
“O médico do avião informou sobre uma avaria no sistema elétrico de suporte do paciente. Por isso, o paciente permanece dentro do avião com suporte elétrico do aeroporto, à espera de que um novo avião chegue para continuar seu trajeto”, explicou a fonte.
– Navio a caminho das Canárias –
O surto de hantavírus provocou uma confusão entre o Executivo espanhol e o governo regional canário, relutante em receber o navio.
Nesta quarta-feira, a embarcação partiu da costa de Cabo Verde, onde estava fundeada desde o último domingo, constatou um correspondente da AFP.
O navio vai atracar “no prazo de três dias” no porto de Granadilla, na ilha canária de Tenerife, anunciou a ministra espanhola da Saúde, Mónica García.
Todos os estrangeiros, exceto os gravemente doentes, serão trasladados de avião dali para seus países de origem, informou.
Os 14 espanhóis a bordo do MV Hondius – 13 turistas e um membro da tripulação – serão trasladados a Madri, onde “permanecerão em quarentena pelo tempo que for necessário”, acrescentou a ministra.
Segundo as autoridades holandesas, dois especialistas em doenças infecciosas dos Países Baixos acompanham os passageiros pelo resto da viagem.
Os passageiros começaram a adoecer há um mês. Uma mulher holandesa morreu na África do Sul em 26 de abril, após ter deixado o navio devido à morte a bordo de seu marido.
Outras duas pessoas recebem tratamento: uma em Joanesburgo e outra na cidade suíça de Zurique.
– Cepa dos Andes –
Especialistas sanitários estão preocupados com a possibilidade de que o surto se propague, após a notícia de que a mulher holandesa falecida tinha voado com sintomas em um avião comercial da ilha de Santa Helena para Joanesburgo.
As autoridades tentam localizar os ocupantes do voo que, segundo a companhia aérea sul-africana Airlink, transportava 82 passageiros e seis tripulantes.
“Este tipo de transmissão é muito pouco frequente e só ocorre devido a um contato muito próximo entre as pessoas”, declarou, nesta quarta-feira, o ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, a uma comissão parlamentar.
Ele confirmou que os exames detectaram a cepa dos Andes, a única capaz de ser transmitida entre pessoas.
A Suíça confirmou, ainda, que o passageiro internado em um hospital de Zurique testou positivo para a cepa dos Andes.
O cruzeiro levava a bordo 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades.
O paciente de Zurique eleva a três o número de casos de hantavírus, juntamente com um dos falecidos e um britânico que está em uma unidade de terapia intensiva em Joanesburgo.
Há um outros cinco casos suspeitos, incluídas as outras duas mortes, informou a OMS.
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