Chuva volta a atingir Zona da Mata de MG após provocar dezenas de mortes
Fortes precipitações foram registradas na noite desta quarta-feira (25) na região da Zona da Mata de Minas Gerais, dois dias depois que chuvas torrenciais deixaram pelo menos 48 mortos e milhares de pessoas tiveram que abandonar suas casas.
Com volumes incomuns de água, o temporal desencadeado na segunda-feira no estado provocou inundações, desabamentos de edificações e deslizamentos de terra que soterraram dezenas de pessoas.
A cidade mais atingida foi Juiz de Fora e, em menor medida, a vizinha Ubá. No total, há 19 desaparecidos, segundo um novo balanço oficial dos socorristas, que também informa que mais de 3.000 pessoas terão que passar a noite longe de suas casas.
Essa tragédia no sudeste do país soma-se a outros grandes desastres causados por intempéries climáticas sofridos pelo Brasil nos últimos anos, que cientistas associam, em vários casos, aos efeitos do aquecimento global.
Uma forte chuva, com raios e trovões, caiu na noite desta quarta em Juiz de Fora, deixando ruas inundadas no centro, constatou a AFP.
Bombeiros que trabalham nos resgates nessa cidade explicaram à AFP que, a esta altura, é pouco provável encontrar sobreviventes sob as montanhas de lama.
Equipes de resgate e moradores continuaram as buscas na quarta-feira pelos desaparecidos devido às chuvas torrenciais, em um clima de desespero.
“Nossa família está desesperada”, disse entre lágrimas à AFP Josiane Aparecida, uma cozinheira de 43 anos em Juiz de Fora que buscava, entre os escombros, os dois filhos de 6 e 9 anos de sua prima, assim como o namorado dela.
A prima morreu em um deslizamento de terra, assim como sua mãe.
“Temos esperança e não temos, porque é muito difícil [encontrá-los] e já perdemos dois”, lamentou.
A casa de seus parentes, no bairro de Paineiras, ficou completamente destruída e soterrada pela lama.
A poucas quadras dali, socorristas retiraram o corpo de um homem que, antes de morrer, conseguiu tirar a esposa da casa atingida pelo deslizamento, segundo relataram os bombeiros à AFP.
Em Juiz de Fora, a previsão é de mais chuva forte até sexta-feira.
– ‘Era o caos’ –
Na cidade de Ubá, a duas horas de carro de Juiz de Fora, moradores cobertos de barro limpavam a lama de um rio que havia transbordado, constatou a AFP.
Felippe Souza Lima, de 30 anos, dono de uma loja de ferragens agora cercada por água barrenta e escombros, afirmou que percebeu a gravidade da situação quando viu duas pessoas passando de canoa na noite de segunda-feira.
A água “superou um metro e meio aqui dentro da loja, a nossa porta foi estourada, então foi um caos. A cidade vive uma tragédia e só Deus mesmo vai dar força para a gente”, disse à AFP.
Em outra parte da cidade, Mauro Pinto de Moraes Filho, de 63 anos, observava desesperado a lama que cercava os veículos novos em sua concessionária.
Ele afirmou que as inundações — de até dois metros de altura — provocaram prejuízos de cerca de 5 milhões de reais.
“É uma situação extremamente difícil e lamentável. Vou fechar temporariamente a filial. Depois deste desastre, é muita loucura gastar um surto de dinheiro para montar novamente uma empresa”, afirmou Moraes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou na terça-feira o estado de calamidade na região e colocou a Defesa Civil nacional em “alerta máximo”.
O Brasil tem sofrido tragédias nos últimos anos vinculadas a eventos climáticos extremos, desde inundações até secas e intensas ondas de calor.
Em 2024, enchentes inéditas atingiram o sul do país e deixaram mais de 200 mortos e dois milhões de habitantes afetados, em uma de suas piores catástrofes naturais.
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