Aranhas “estrangeiras” estão invadindo a Europa
Pesquisadores suíços alertam: cada vez aranhas exóticas encontram seu caminho à Europa. Essa é uma idéia que dá medo a qualquer aracnófobo.
Os cientistas dizem que nos últimos 150 anos, diversas espécies dos insetos de oito patas, maiores do que as espécies domésticas, foram importadas acidentalmente durante a expansão do comércio mundial.
Um gigantesco monstro de pernas cabeludas aparece na tela. Ele tem oito pernas e você sabe que está pronto para devorar qualquer coisa que cruze o seu caminho. Estamos falando, naturalmente, do clássico de cinema rodado em 1975: “A invasão das aranhas gigantes”.
Atualmente é muito provável que você não se lembre ou mesmo nunca tenha visto essa produção barata de filme de horror. Mas escondida em algum lugar no fundo da sua consciência, essa imagem de artrópodes não quer se desfazer.
No mundo real esses animais não são tão medonhos, mas isso não significa que não haja uma invasão. Ela existe, mas ocorre de forma lenta, um processo que já ocorre a mais de um século.
De acordo com Wolfgang Nentwig e seus colegas pesquisadores no Instituto Zoológico da Universidade de Berna, 87 espécies exóticas de aranha entraram na Europa nos últimos 150 anos.
“Parte dessa invasão é feita por animais que estão reocupando a área que eles abandonaram durante a última Idade do Gelo. Esse é um processo lento, pois os animais movem possivelmente apenas um quilômetro por ano, em boas condições.
A expansão rápida do comércio mundial nos anos recentes também foi um fator que possibilitou a chegada desses imigrantes indesejáveis, encurtando o tempo necessário para a sobrevivência desse passageiro clandestino.
“São as maiores, as mais resistentes aranhas que conseguem sobreviver a essa viagem”, explica Nentwig. “De qualquer maneira, é necessário ressaltar que esses animais têm apenas alguns milímetros de comprimento”.
Furtivos
Estivadores nos portos foram, normalmente, os primeiros a descobrir as aranhas quando elas estão tentando entrar furtivamente no país.
Um exemplo muito comum foi o da “aranha da banana”, um inseto originário da América do Sul, agressivo e com uma picada extremamente dolorosa. Ela se esconde em meio aos frutos e consegue, dessa maneira, viagem gratuita para várias partes do mundo.
“Essas aranhas eram trazidas nos cachos de bananas importados, assim como outros animais como pequenos répteis ou outros insetos. Porém as mudanças feitas nas formas de transporte e na conservação dos frutos bloquearam sua imigração”.
A maior parte das novas espécies vem da Ásia, onde as condições climáticas na parte central do continente muitas vezes se assemelham as da Europa continental. As rotas de comércio são relativamente curtas e existem bastante vôos entre as duas regiões do globo.
Apenas três espécies vêm da América do Sul e quatro da Austrália e Nova Zelândia. Porém Nentwig alerta que mais espécies estariam a caminho da Europa.
“O processo de aquecimento global deve provavelmente acelerar este processo. Ele dará a mais espécies exóticas condições ideais para a sua colonização”, explica.
Detalhes furtivos
Os resultados do estudo de Berna são considerados, no melhor dos casos, conservadores. Aranhas não são o principal objeto das pesquisas científicas e os detalhes relativos aos recém-chegados ainda são raros e pouco precisos. Nentwig presume que, pelo menos, uma nova espécie consegue se estabelecer por ano na Europa.
E os seres-humanos devem se acostumar brevemente a dividir o espaço com os recém-chegados. Afinal, três quartos dessas espécies preferem viver nas proximidades das áreas urbana ou até mesmo em prédios, o que aumenta a probabilidade de uma mordida.
Será que as pessoas precisam agora fazer atenção antes de se sentarem nos assentos dos toaletes ou vasculhando os sapatos nos armários à procura de “Viúvas negras” australianas mortais?
“Na Europa? Certamente não”, responde com um grande sorriso.
No meio tempo, não há nada que impeça o leitor de aprender o texto de uma pequena canção sobre os perigos causados por aranhas em lugares escuros:
“…Havia uma viúva negra no assento do toalete.
Quando eu estava lá na última noite.
Eu não a vi na escuridão.,
Mas rapaz, eu senti sua mordida…”
swissinfo, Scott Capper
Aracnofobia é o medo (ou fobia) de aranhas. É a mais comum das fobias, e possivelmente a fobia de animais mais extensa.
As reações dos aracnofóbicos parecem freqüentemente bem irracional às pessoas, e ao próprio afetado mesmo. Tentam permanecer o longe de todo o local onde pensam de que habitam aranhas, ou onde observaram aranha.
Se virem uma aranha perto de algum lugar onde vão entrar, evitam entrar nesse lugar, mesmo que a distância entre o local e onde está a aranha seja grande, ou ao menos terão antes, que fazer um esforço para controlar seu medo, que está caracterizado na respiração rápida, por taquicardia e por náuseas.
Na Europa ocidental e central, não existem aranhas nativas perigosas o suficiente para justificar o medo, sugerindo que este é transmitido através da cultura. Porém Nentwing afirma que não existe prova disso.
Muitas culturas não européias geralmente não conhecem a aracnofobia. Em alguns casos, os insetos fazem até parte da dieta local.
Nentwig explica que existem entre quatro ou cinco espécies de aranhas no mundo que representam algum perigo para seres humanos, apesar de quase todos esses insetos disporem de veneno. Um único representante das espécies de risco que vive na Europa é uma variedade da Viúva-negra (Latrodectus mactans) encontrada na região do Mediterrâneo.
A maior parte das aranhas são muito pequenas para conseguir picar a pele humana com suas garras. Também baixaram as taxas de mortalidade em acidentes provocados pelos insetos.
É pouco provável que as aranhas gigantes encontradas nas regiões tropicais possam ser encontradas um dia na Europa. Segundo o pesquisador Nentwig, isso requereria um clima estável, com nívels corretos de humidade e temperaturas elevadas.
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