Briga pelos genéricos opõe Pretória a multinacionais
Iniciado segunda-feira 5/3 em Pretória, capital sul-africana, processo em que gigantes do setor farmacêutico pressionam a lei adotada pela África do Sul em 1997. Essa lei, ainda não aplicada, permitiria importar bem mais em conta, cópias de medicamentos fabricados na índia e no Brasil, para combater a aids - um flagelo no país.
O processo foi intentado pela Associação dos Produtores Farmacêuticos da África do Sul em nome de uns 40 grandes laboratórios mundiais do setor da Europa e dos Estados Unidos, entre os quais os gigantes suíços Roche e Novartis. Eles questionam lei que favorece importação de medicamentos genéricos, bem mais baratos que os patenteados.
A posição dessas multinacionais deu manchete no jornal “Le Temps”, de Genebra: “Os gigantes da farmácia defendem seus privilégios em Pretória”.
O jornal realça tratar-se de “processo exemplar porque ele constitui um teste no debate mundial sobre o acesso dos países pobres aos medicamentos”.
A África do Sul é o país em que a AIDS mais se expande. Já atinge 4.2 milhões de pessoas, 10 por cento da população. Ora uma “triterapia” (coquetel de medicamentos contra a doença) custa 10 mil dólares por ano e por paciente na Europa, e 15 mil nos Estados Unidos.
O mesmo tratamento, com genéricos antiaids fabricado na Índia, sai pelo menos 15 vezes mais barato. (E já é caro, porque em certos países africanos a renda per capita não chega a 60 dólares anuais).
Observadores constatam que os gigantes do setor farmacêutico devem amortizar enormes gastos em pesquisas. Mas enfatizam que a África representa apenas 1% de suas vendas mundiais.
Resta que o processo deve pelo menos fazer avançar o debate sobre os genéricos que vem alimentando controvérsias em vários países.
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