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Cresce interesse pelas cinematografias emergentes

Fuon, Yoichi Higashi (divulgação) Fuon (divulgação)

O Festival Internacional de Filmes de Friburgo tornou-se uma vitrine para os filmes dos países do Sul, conquistou o público e suscitou interesse por um outro cinema.

Mas tem um desafio pela frente.

Transformar o olhar do europeu em relação aos países emergentes, criar um elo Norte-Sul, aproximar culturas, dar um passo em relação ao outro… Existem várias maneiras de formular o objetivo do Festival Internacional de Filmes de Friburgo – FIFF. Um festival, iniciado muito modestamente em 1980 e que encerra neste domingo, 13 de março, sua décima nona edição (nos primeiros sete anos ele era bienal).

O FIFF vem cumprindo essa missão, trazendo anualmente a Friburgo dezenas e dezenas de produções cinematográficas de qualidade da África, Ásia e América Latina ou produções européias que estejam relacionadas com a realidade vivida nessas regiões.

Hoje tem uma fórmula que funciona: de dez a 12 longas-metragens e tantos outros curtas em competição, longas hors-concours, uma retrospectiva, um cineasta de peso em destaque…

Interesse pelo cinema do Sul

“Como a mecânica está bem untada. Como tudo funciona tão bem, de vez em quando gostaríamos de ter um problema que desse vontade de consertar para ter mais ação”, diz Martial Knaebel.

Mas o diretor artístico do festival estima que as perspectivas não sejam nem ruins nem muito auspiciosas, mencionando o eterno problema do apoio à cultura: “Quando as finanças do Estado vão mal, quase sempre a cultura sofre. Para nós o apoio do Estado à cultura é importante porque garante a liberdade de seleção neste Festival de Filmes”.

O especialista constata, porém, na Europa um crescente interesse pela cinematografias da África, Ásia, América Latina. Só pode alegrar-se com essa evolução.

Mas constata que isso significa mais concorrência para o Festival de Friburgo. Concorrência positiva, porque obriga o Festival a melhorar a seleção de filmes.

“Em vez de falar em termos geográficos do Sul comecemos a integrar no conceito uma noção mais sociológica. É este o desafio, até porque existe o Sul no Norte e o Norte no Sul: há países ricos no Sul e populações pobres no Norte”, destaca Knaebel.

Desafio

Quanto ao futuro do Festival, Knaebel constata uma “laminagem da cultura” na Europa e nos Estados Unidos no que toca ao cinema, sendo sempre Hollywood a referência.

Mas indaga: “Qual é a maneira de conceber o cinema ou um evento cultural? Queremos mostrar as últimas novidades, o que está na moda para atrair o público e a imprensa, ou continuar uma reflexão sobre um evento que ano após ano tenta analisar o mundo através de filmes?

Essa análise ele a concebe em vários níveis: político, através de documentários e ficções para compreender melhor a situação política do momento. É isto que está em jogo, arremata.

Exemplo

Esta vontade de refletir e entender está patente, por exemplo, na produção que encerra o festival, o filme japonês Fuon, de Yoichi Higashi, de 2004. O cineasta aborda temática relacionada com a Segunda Guerra Mundial: os numerosos kamikazes freqüentemente obrigados a se lançarem contra os aviões norte-americanos.

“No filme há toda uma reflexão sobre a História (com H maiúscula) e a percepção que os velhos e os jovens têm dessa mesma História. E como eles a integram na própria história (com minúscula)”.

“Isso é interessante, observa ainda, num momento em que se acabou de comemorar na Europa o fim da Guerra, e na França a Libération. Não é desinteressante falar dessa História numa ficção, de maneira engraçada…”, conclui.

swissinfo, J.Gabriel Barbosa, Fribourg

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