O rádio
A mais antiga das mídias eletrônicas tem vários pais. A existência do rádio só foi possível graças a toda uma série de invenções nos domínios da eletricidade e das ondas.
Em 1895, o prêmio Nobel de Física, o italiano Guglielmo Marconi, faz as primeiras experiências com a propagação de ondas em longas distâncias.
Na época, tratava-se simplesmente de transmitir os “bip-bip” do telégrafo. Será necessário esperar mais 25 anos de aperfeiçoamento para chegar a inauguração da primeira antena pública em Pittsburgh (Estados Unidos).
Mas desde o fim do século XIX, já havia condições de implantação geral do rádio destinado ao público. Fazia anos que ele se tornara um passatempo ao qual se dedicavam centenas de milhares de “bricoleurs” muito especiais.
Eles vêem nesse extraordinário meio de comunicação um fator de paz e de concórdia universal. Sinal dos tempos: eles se exprimem geralmente em esperanto.
O rádio deve muito a esses pioneiros que batizaram o próprio espaço virtual de “Marconiland”.
Hoje, cerca de 3 bilhões de aparelhos funcionam no mundo. E, de todas as tecnologias da informação e da comunicação, o rádio continua sendo a mais difundida e a mais barata.
Como funciona
O princípio de base do rádio é o mesmo do telefone. O transmissor transforma um som em impulsos elétricos. E o receptor o decodifica para restituir o som.
Mas, diferentemente do telefone, desde o início, o rádio dispensou os fios. A proeza foi possível com a descoberta de Heinrich Rudolf Hertz, engenheiro alemão e “pai” das ondas eletromagnéticas, batizadas com o nome dele.
Como uma pedra que, lançada na água, provoca pequenas ondas na superfície de um lago, o encontro de um campo elétrico com um campo magnético propaga ondulações que se deslocam à velocidade da luz.
A largura da onda é a distância entre duas cristas de vagas. E a freqüência é a velocidade com que essas vagas oscilam.
Uma é inversamente proporcional à outra. Quanto mais as ondas são longas, mais a freqüência é baixa. E quanto mais as ondas são curtas, mais elevadas são as freqüências.
Inicialmente, o rádio utiliza principalmente as ondas longas. Ondas que se propagam facilmente por milhares de quilômetros. Uma qualidade que as ondas curtas também têm.
De fato, elas ricocheteiam no solo e nas altas camadas atmosféricas. E, de noite, podem fazer a volta ao mundo.
Mais tarde aparecerão as ondas médias. E, desde os anos 1940, a famosa FM, abreviação de freqüência modulada.
Nesse caso, em vez de fazer variar o comprimento de ondas na emissão, faz-se variar a velocidade de oscilação. E, levando-a ao máximo, obtém-se as ondas ultra-curtas.
Conseguem-se então emissões sem parasitas e de qualidade inatingível, mas de alcance reduzido (no máximo algumas dezenas de quilômetros).
Alguns anos mais tarde, chega o transistor, outra descoberta importante que irá revolucionar toda a eletrônica.
Substituindo o incômodo tubo a vácuo por um sistema mais barato e dez vezes menor, o rádio torna-se mais prático e nitidamente mais abordável.
Hoje, o rádio está praticamente por todas as partes, da mesinha-de-cabeceira ao banheiro, passando pelo carro. E, tecnicamente, ele se encontra às vésperas de uma nova revolução.
De fato, experimentada há alguns anos, a transmissão digital promete uma qualidade inatingível até agora, utilizando as mesmas bandas de freqüência.
Como funciona ?
Pelas ondas. Através do ar e a maioria dos obstáculos, inclusive prédios.
Pelo céu. Por meio de satélites que remetem a grande distância os sinais recebidos de um transmissor.
Pelo cabo. É a volta ao fio. Qualidade constante e ausência de parasitas.
Pela Internet. Onde nos encontramos, além das grandes estações, numerosos rádios e televisões temáticos que dispõem da web como único canal de difusão.
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