The Swiss voice in the world since 1935

O telefone

Keystone

“Este telefone tem defeitos demais para que possa um dia ser considerado um instrumento de comunicação. A nosso ver, este equipamento não tem valor algum”.

Dessa maneira, um comunicado interno a Western Union acolhe a invenção de Alexandre Grahm Bell, em 1876, ano em que foi registrada a patente do primeiro telefone.

Só mudou com o celular

Na época, a Western Union é uma empresa gigantesca que, vinte anos antes, enterrara o famoso “Pony Express” ao cobrir os Estados Unidos com uma rede de cabos de telégrafo.

A invenção de Samuel Morse constitui o início da era das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC). Pela primeira vez, utiliza-se a eletricidade para a comunicação à distância. Mas, mesmo se a direção da Western Union não a enxerga, o telefone anuncia uma revolução de uma outra dimensão.

É um progresso extraordinário para uma época, porque permite veicular a voz e não somente os impulsos elétricos de uma escrita codificada.

Em 127 anos, o princípio do telefone não se modificou fundamentalmente. Esse mesmo princípio é a base do telefone móvel (celular).

Como funciona

O princípio do telefone deriva diretamente do princípio do telégrafo, inventado 30 anos antes.

São impulsos elétricos que viajam – primeiro por fios e, depois, sob forma de ondas de rádio rumo aos satélites que os reenviam à Terra. E, mais recentemente, sob forma de luz nas fibras óticas.
A diferença entre a invenção de Morse e a de Bell situa-se na partida e na chegada. O pai do telefone chegou, de fato, a transformar as vibrações do ar produzidas pela voz em sinais elétricos, e vice-versa.

Os primeiros telefones utilizam um diafragma de camurça para captar e restituir o som. A qualidade sonora deixa muito a desejar. É preciso aguçar o ouvido para compreender as palavras.

Aparelho intelingente

O defeito será rapidamente corrigido por Thomas Edison a quem devemos igualmente o fonógrafo, a lâmpada incandescente e a válvula (antecessora do transistor).

Ainda como empregado da Western Union, esse inventor genial solicita em 1877 uma patente para um transmissor e um receptor, ambos dotados de microfones de carvão.

Em vez de transmitir diretamente uma corrente elétrica, o microfone de Edison utiliza as vibrações de uma membrana metálica que age em grânulos de carvão.

Essas variações provocam uma variação de resistência dos grânulos, o que permite modular uma corrente elétrica.

Esse progresso de capital importância marca o início do desenvolvimento do telefone. No fim de 1877, já se contam mais de 1300 linhas de telefones nos Estados Unidos. Hoje, os assinantes de telefones fixos são mais de um bilhão no mundo.

Desde o início, o telefone passou por muitos desenvolvimentos, mas seu princípio básico não mudou. Simplesmente ele se tornou mais confiável , de melhor desempenho e de mais fácil de utilização.

O telefone tornou-se também inteligente, ou seja, capaz de memorizar números e mostrar informações numa pequena tela.

Ele também sabe responder sozinho quando o proprietário está ausente e registrar uma mensagem que transmitirá a ele quando regressar, a não ser que o proprietário opte por acessá-lo à distância.

Por fim, o telefone sabe igualmente imprimir documentos que foram escaneados em lugar distante. É a base do fax.

Como funciona?

De início, a transmissão pelas linhas de telefone se faz de maneira analógica.

O som é transformado em impulsos elétricos que viajam em fios de cobre, partindo de quem telefona até a central mais próxima, e de lá até a central que se encontre mais perto de quem é chamado, e, por fim, até este último.

A partir dos anos 1960, as companhias telefônicas começam a utilizar a transmissão digital de uma central telefônica a outra.
Trata-se de transformar os sinais sonoros em linguagem binária (a dos computadores). Isso permite transportar volume maior de dados, com melhor qualidade.

Paralelamente, os satélites permitem atravessar os oceanos de maneira mais eficiente e menos dispendiosa que os cabos submarinos.
Entretanto, esses cabos não desapareceram. São cada vez mais fabricados em fibras óticas, capazes de transportar simultaneamente mais de 100.000 comunicações.

Na maioria dos países industrializados, os dados viajam dessa maneira de uma cidade a outra. Mas a transmissão entre a central e o assinante é, em contrapartida, geralmente analógica.

Mais lidos

Os mais discutidos

Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR