Reforma da saúde não satisfaz
Nova lei federal suíça sobre seguro-saúde, em vigor desde 1996, deu resultados pouco convincentes: não freou os custos e teve pouco impacto sobre os prêmios. É o que revelam estudos sobre o impacto da lei. Mostram também que os segurados, geralmente satisfeitos com os cuidados médicos, acham caro o sistema...
Na Suíça, o seguro-saúde básico é obrigatório. Um jovem de menos de 25 anos, por exemplo, paga em prêmio de cerca de 160-170 dólares por mês que cobre gastos com médicos da escolha do segurado e condições mínimas de hospitalização. Ele deve também pagar uma franquia anual de 230 francos – 133 dolares, aproximadamente.
O paciente paga 10 por cento do valor das consultas médicas e dos remédios. Tem igualmente garantia de hospital público ou mesmo privado, na categoria “enfermaria”.
Operações puramente estéticas ficam excluídas. Os prêmios são bem mais elevados para hospitalização em quartos privados ou semiprivados. E entram na categoria dos seguros complementares, com prêmios bem mais elevados.
Resta que a Suíça tem o custo de saúde mais caro do mundo, depois dos Estados Unidos. Há cinco anos, na tentativa de controlar a evolução dos gastos, o governo reformou a lei sobre seguro saúde. Não conseguiu frear, mas pelo menos atenuá-los.
Os resultados de 9 estudos sobre a questão acabam de ser apresentados pela Divisão Federal de Saúde : custo dos prêmios, serviços prestados, comportamento dos segurados e seguradores…
Segundo os diferentes estudos e uma sondagem realizada em 20 mil lares, os suíços estão geralmente satisfeitos com o sistema de saúde vigente e com os cuidados médicos à disposição. Mas consideram os prêmios de preço excessivo e os custos em geral muito elevados.
O governo quer introduzir uma tarifa médica única no ano que vem, mas encontra muita oposição. Seria mais uma tentativa de controlar a espiral de despesas no setor. E estima que já houve uma certa estabilização, mesmo porque aumentos decorrem também de progressos científicos no setor e do envelhecimento crescente da população.
O ideal visado é que o orçamento da saúde do cidadão não ultrapasse 8 por cento da renda tributável.
As autoridades lamentam porém que os segurados não tenham feito sua parte na tentativa de baixar os custos. Com a lei vigente, eles têm total liberdade de mudar de seguro uma vez por ano. A constatação é de que apenas 12 por cento o fizeram…
Por outro lado, as autoridades evitam “desregulamentar” o setor, receando o que descreve como “medicina de 2 velocidades”, ou seja, dos que podem pagar e os que não conseguem. Mas a via intermediária adotada é de um equilíbrio difícil. E cada ano, os custos de saúde no país vêm aumentandoi muito mais que o custo de vida.
swissinfo com agências
Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.