Relojoaria precisa inovar ou terá nova crise
Se não criar novos produtos e investir em novas tecnologias, a indústria relojoeira suíça terá uma nova crise dentro de 5 anos.
A previsão de Nicolas Hayek, patrão do maior grupo relojoeiro suíço.
Apesar do sucesso da indústria relojoeira suíços nos últimos 10 anos, as manufaturas estão mal preparadas para os desafios do futuro.
A constatação é de Nicolas Hayek, patrão do grupo Swatch, maior fabricante relógios da Suíça. Hayek, é sempre polêmico e falou durante a cerimônia dos 150 anos da marca Tissot, uma das muitas que fazem parte do grupo Swatch.
Dinheiro não é tudo
Antes de se aposentar, recentemente, Hayek deixou o filho no conselho de administração do grupo, embora continue a ser uma vozes mais ouvidas nesse setor tradicional da indústria suíça.
“Nos últimos 3 anos, toda a indústria relojoeira suíça cometeu o grande erro de só correr atrás de dinheiro”, declarou Hayek a swissinfo. “Não houve produção, inovação, pesquisa, criação, nada. Quando lanço um apelo à inovação, todo mundo me critica”, acrescenta.
Suas declarações têm a ver com a polêmica criada meses atrás quando a ETA, fabricante de componentes de relógios e controlada pelo grupo Swatch, anunciou que não ia mais vender seus produtos fabricantes que não membros do grupo.
“Eu disse que ia parar de vender se os demais fabricantes não começassem a produzir seus próprios componentes”, pondera Hayek. “Se isso não acontecer, teremos uma nova crise como nos anos 70”, insiste o patrão suíço.
Os demais produtores reagiram e a Comco – Comissão da Concorrência – ordenou que o fornecimento continue e abriu um inquérito para investigar se não há violação da lei contra os cartéis.
Polêmica com outros fabricantes
A decisão da Comco não supreendeu Hayek. “Eu esperava. Durante toda minha vida tentei sacudir os fabricantes de relógios e esta é a quarta onda de críticas que enfrento. No final, todo mundo reconhece que tenho razão”, explica.
No ano passado, ele recebeu na Áustria a maior distinção do país como “salvador da indústria relojoeira suíça”. Ele acha que, atualmente, o setor está sofrendo de uma deterioração moral dos consumidores.
Por isso, e esta não é a primeira vez, pede a intervenção do Banco Central para baixar o franco suíço. Não quis comentar, no entanto, o balanço do grupo no ano passado, resultados que serão publicados dentro de algumas semanas.
swissinfo/Robert Brookes
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