Um sentimento de culpa
Para Claude Auroi, professor no Instituto Universitário de Estudos do Desenvolvimento, em Genebra, a solidariedade tem origem religiosa.
Mas se trata também de um sentimento de culpa. Entrevista.
swissinfo: a Suíça é tanto ou mais solidária que seus vizinhos?
Claude Auroi: Difícil dizer, porque não podemos medir a solidariedade. Mas é verdade que na Suíça a população tem muito espírito de solidariedade em geral, e de solidariedade com os pobres, em particular.
Em certo sentido trata-se de um sentimento cristão. Mas a Suíça pode-se também dar ao luxo de ser mais generosa que outros países porque é mais rica.
Em muitos outros países há tantos problemas internos que não se pode pedir que pensem no resto do mundo.
Como definir a generosidade dos suíços?
C.A: No fundo, a generosidade vem de um sentimento cristão. Mas talvez também de um sentimento de culpa relacionado com o fato de sermos ricos. Acho que esses dois sentimentos se mesclam e que procuramos provar que fazemos alguma coisa pelos pobres.
Em nível institucional, a ajuda ao desenvolvimento ocupa lugar de destaque desde os anos 60. Somas importantes foram investidas no chamado Terceiro Mundo.
Os suíços mostram-se mais generosos que os países escandinavos. Pode-se fazer mais?
Sempre se pode fazer mais. De fato consagramos menos de 0.4% do PIB a ajuda pública ao desenvolvimento. Poderíamos certamente duplicar essa soma.
Mas o problema é encontrar bons projetos de investimento. Os países escandinavos agem de maneira mais fácil que os suíços porque dão somas importantes que entram diretamente no orçamento dos governos que eles ajudam.
Normalmente a Suíça não age dessa maneira. De preferência investe em projetos concretos.
Entrevista realizada por Patrícia Islas-Züttel.
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