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Começa evacuação de 11 mil marinheiros bloqueados em Ormuz

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A evacuação de mais de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz pelo conflito no Oriente Médio começou nesta terça-feira (23), mas persistem as divergências entre Irã e Estados Unidos em torno do acordo para pôr fim à guerra.

A Organização Marítima Internacional (OMI), agência especializada da ONU, anunciou um plano de evacuação “para os mais de 11 mil marinheiros que seguem bloqueados na região” do Estreito de Ormuz.

“Essa operação em larga escala será realizada em estreita colaboração com Irã, Omã, os demais Estados costeiros da região, os Estados Unidos e o setor marítimo”, declarou o secretário-geral da OMI, o panamenho Arsenio Domínguez.

Na semana passada, Teerã e Washington assinaram um memorando de entendimento para interromper uma guerra que deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou a economia global.

O memorando estabeleceu as bases para as negociações que começaram no domingo na Suíça, com a mediação do Paquistão e do Catar. O objetivo é chegar a um acordo final em 60 dias prorrogáveis, sobre questões como o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais contra Teerã.

– Programa nuclear e mísseis iranianos –

O Irã confirmou, nesta terça-feira, que as negociações técnicas foram concluídas e anunciou a criação de quatro grupos de trabalho para tratar dessas questões.

No entanto, refutou as declarações do vice-presidente dos EUA, JD Vance, negando que seu governo tivesse concordado em convidar inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para monitorar as instalações nucleares bombardeadas pelas forças israelenses e americanas durante a guerra de 12 dias em junho de 2025.

“Não tivemos nenhuma reunião com o diretor-geral da AIEA, nem prevemos que a Agência inspecione as instalações nucleares iranianas danificadas pela agressão militar dos EUA e de Israel”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu que o Irã aceitou “plena e completamente” permitir inspeções nucleares “no mais alto nível”.

“Com base nisso e em outras concessões importantes feitas pelo Irã, concordei em permitir que o Estreito de Ormuz permaneça ABERTO, sem qualquer outro bloqueio naval”, escreveu em sua plataforma, Truth Social.

O principal negociador iraniano advertiu que a circulação pelo estratégico Estreito de Ormuz — por onde passavam 20% das exportações globais de hidrocarbonetos antes da guerra — não voltará a ser como antes.

Irã e Omã anunciaram que prestarão “serviços marítimos” no âmbito de uma administração conjunta da via marítima e anunciaram que estão estudando os “custos”.

Nesta terça, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que sem seus mísseis o Irã teria terminado “como Gaza” e insistiu que seu programa balístico é inegociável.

“Se não existissem os mísseis que temos para nossa defesa, Israel e Estados Unidos teriam arrasado o Irã assim como Gaza, sem mostrar piedade nem com os idosos, nem com os jovens”, declarou durante visita ao Paquistão, um mediador crucial dos diálogos entre Teerã e Washington.

“Jamais negociaremos com ninguém, sob nenhuma circunstância, nunca, as nossas capacidades defensivas”, acrescentou.

– Ormuz –

Ao chegar aos Emirados Árabes Unidos nesta terça, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ressaltou que “nenhum país tem o direito de cobrar pedágios ou taxas em uma via navegável internacional”.

Os Emirados são a primeira etapa de uma viagem de Rubio pelos países do Golfo para demonstrar solidariedade a aliados impactados pela guerra.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que suspendeu sanções ao Irã para permitir a produção, a venda e o abastecimento de petróleo e derivados até meados de agosto.

Como parte do acordo, Washington aceitou liberar US$ 12 bilhões (R$ 62 bilhões, na cotação atual) em ativos iranianos congelados, noticiou a agência iraniana Mehr.

JD Vance afirmou que os recursos ainda não foram desbloqueados, mas que, se isso ocorrer, deverão ser usados apenas para a compra de produtos americanos, como soja, e não para financiar atividades “terroristas”.

Ainda assim, o embaixador iraniano na ONU, Ali Bahreini, declarou que o Irã será “o único país” a decidir o destino desses recursos.

– Frente libanesa –

O memorando de entendimento estabelece o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo no Líbano, uma das principais exigências de Teerã. 

O país foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março pelo Hezbollah, que agiu em defesa do Irã quando o aliado foi atacado por EUA e Israel. 

Embora os combates no Líbano tenham diminuído após a declaração de um novo cessar-fogo, soldados israelenses mataram duas pessoas nesta terça-feira que “estavam perto de uma escavadeira” em uma estrada no sul do país, segundo a imprensa estatal.

Enquanto isso, era iniciada em Washington a quinta rodada de negociações diretas entre Israel e Líbano, às quais se opõe o Hezbollah, que denunciou uma “violação flagrante” do cessar-fogo e exigiu a retirada total das tropas israelenses em um calendário determinado.

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