Suíço do estrangeiro precisa pagar até 100 francos para votar
Os cidadãos suíços no exterior às vezes precisam arcar com altos custos de postagem para garantir que seus votos cheguem à Suíça a tempo. Nossa pesquisa mostra onde votar do exterior custa mais caro – e quando a participação democrática se torna proibitivamente cara.
“Caros suíços na Dinamarca, alguém já recebeu seus documentos eleitorais para a votação de 8 de março?”, perguntou em fevereiro um usuário do SwissCommunity, uma plataforma para suíços no exterior.
A pergunta surgiu porque, pela primeira vez, os documentos eleitorais da Suíça não seriam mais entregues pela empresa postal estatal PostNord.
A Dinamarca é considerada pioneira em digitalização. No final de 2025, se tornou o primeiro país europeu a descontinuar a entrega pública de cartas e remover todas as caixas de correio vermelhas. Desde o início do ano, as cartas – incluindo os envelopes eleitorais da Suíça – têm sido entregues pela empresa privada Dao.
Para os suíços que vivem lá, as votações de março foram um teste do novo sistema. “Li que o atraso na chegada dos documentos eleitorais é um problema recorrente para os cidadãos suíços no exterior. Mas esta é a primeira vez que isso me acontece aqui na Dinamarca”, disse à Swissinfo Alice el-Wakil, que vive no país nórdico desde 2022. Como cientista política especializada em participação e representação, el-Wakil presta muita atenção em quaisquer pequenas perturbações nos processos democráticos.
Leia nosso artigo sobre o atraso no envio do material eleitoral para os suíços no exterior:
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Atrasos nos correios privam suíços no exterior de seus direitos de voto
As experiências dos suíços com a Dao variam. Um usuário do Facebook escreveu: “Recebemos os documentos tanto para a votação de 8 de março quanto para as eleições de 29 de março no cantão de Berna. Mas eles só chegaram duas semanas antes do prazo, em vez de cerca de quatro semanas.”
Outros eleitores relataram ter recebido os documentos a tempo. Alguns, no entanto, tiveram a mesma experiência que el-Wakil e não encontraram nenhum envelope de votação em suas caixas de correio.
Maxime Bergamin, vice-presidente do Swissclub Dinamarca, também recebeu feedback de cidadãos suíços que não receberam seus documentos de votação a tempo. “Muitas pessoas, incluindo eu mesmo, não receberam uma única carta há semanas. Isso inclui também os documentos para votações e eleições na Suíça”, diz Bergamin.
Em resposta a uma consulta da Swissinfo, a Chancelaria Federal informou que havia consultado o Ministério das Relações Exteriores suíço sobre o impacto da situação na Dinamarca na entrega postal. “De acordo com as informações recebidas, a entrega pontual da correspondência não deve ser afetada pela mudança.” A Chancelaria Federal afirmou não ter indícios de atrasos sistemáticos.
Postagens caras do exterior
Além do atraso ou da não entrega dos envelopes de votação, os custos de postagem de devolução também estão causando preocupação entre a comunidade de suíços na Dinamarca. “Custa 46 coroas dinamarquesas (CHF 5,60) enviar uma carta para a Suíça e leva de quatro a 16 dias úteis, o que ultrapassa os prazos de votação na Suíça”, diz Bergamin.
Um usuário do Facebook expressou uma opinião semelhante: “Quem quer enviar uma carta de volta para a Suíça com esses preços?”
CHF 5,60 (US$ 7,18) por carta pode parecer um valor razoável. Mas, com quatro votações por ano, isso soma cerca de CHF 22,40 anualmente. Isso levanta a questão: a partir de quando a participação política se torna cara demais? E é aceitável que isso varie dependendo do país de residência?
Como regra geral, os eleitores suíços são convocados às urnas quatro vezes por ano, com uma média de dez a 15 propostas federais anualmente. A Lei dos Suíços no Exterior estipula que os cidadãos suíços no exterior podem participar da democracia suíça. Mais de 230 mil cidadãos estão atualmente habilitados a votar e registrados no cadastro eleitoral.
Na Bélgica, os eleitores suíços precisam gastar bastante. Para enviar os documentos de votação de volta à Suíça, o preço médio é CHF 8,10. “E há aumentos regulares de preço”, diz Florence Roth, membro do Conselho dos Suíços no Exterior na Bélgica.
O envio pelo correio do Canadá (CHF 3) ou da Irlanda (CHF 3,20) é mais barato. No entanto, se o tempo for curto, são necessários serviços mais rápidos, que custam quatro vezes mais – CHF 12,80 da Irlanda, por exemplo.
De acordo com Roland Erne, membro do Conselho dos Suíços na Irlanda, os custos de envio podem desencorajar alguns suíços no exterior de exercerem seu direito de voto. “Já ouvi isso várias vezes”, diz ele.
Ruth Perracini-Liechti, delegada da Costa Rica, tem a mesma opinião. “O custo do envio de volta da Costa Rica é de cerca de CHF 10.” O maior problema, no entanto, é que os documentos eleitorais muitas vezes não chegam a tempo. “Mesmo que recebamos os documentos, presumo que algumas pessoas optem por não votar devido aos altos custos.”
Atrasos são o maior problema
Perracini-Liechti aponta o que muitos suíços no exterior consideram o problema principal: não o custo do envio dos envelopes eleitorais, mas os atrasos na entrega em alguns países, que colocam em risco a chegada a tempo dos dos envelopes na Suíça.
Quem quer garantir que seu voto seja contado, mesmo com atrasos na entrega, costuma recorrer a serviços de entrega expressa. Mas esses serviços são caros.
“Se os documentos chegarem menos de uma semana antes da votação, só podemos enviá-los de volta por entrega expressa. Isso custa cerca de CHF 30 saindo de Xangai”, diz Daniel Heusser, membro do Conselho dos Suíços no Exterior na China.
A situação é semelhante no Sri Lanka. Como geralmente recebe os documentos eleitorais bem perto do prazo da votação, o conselheiro suíço no exterior Rolf Blaser diz que nunca tentou devolvê-los pelo correio normal. “Isso nos leva a recorrer aos serviços de [entrega expressa] courrier, que custam cerca de CHF 100”, diz. Esses custos o desencorajam a votar – “e provavelmente a todos os outros suíços nesta região também”.
Flurina Dünki, que mora na Cidade do México, também vê a distância como um grande obstáculo à participação política. “Leva cerca de duas a três semanas para o envelope de votação chegar até nós.” Depois disso, ele deve ser enviado de volta imediatamente pelo correio para ter alguma chance de chegar a tempo na Suíça. “Os serviços de entrega expressa privados são mais seguros”, diz ela.
Dünki pesquisou alternativas e encontrou somente o serviço de courier expresso. “Teria me custado cerca de 60 francos suíços para votar.” Um valor que exige considerável motivação política – se é que se pode arcar com isso.
A sugestão de Dünki: os eleitores qualificados deveriam unir forças e enviar um envelope coletivo por correio privado a uma pessoa na Suíça, que então cuidaria do envio doméstico.
No debate sobre os custos de postagem, muitos suíços no exterior apontam o voto eletrônico como uma possível solução. No entanto, o fiasco do voto eletrônico em Basileia, em 8 de março, enfraqueceu a confiança no sistema entre alguns eleitores no exterior.
Ao mesmo tempo, um sistema nacional de voto eletrônico na Suíça também envolveria custos elevados – até 600 milhões de francos suíços, de acordo com as últimas estimativas disponíveis. A diferença é que essa despesa seria arcada pelo Estado.
Edição: Balz Rigendinger/fh
Adaptação: Clarissa Levy
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