The Swiss voice in the world since 1935

Como a Suíça ajuda a manter vivo o legado de Sherlock Holmes

Sociedade Holmes
Da esquerda para a direita: Peter Horrocks no papel do Professor Moriarty, Philip Porter no papel de Sherlock Holmes e Charles Miller no papel do Doutor Watson, durante um evento que recriou o confronto fatídico entre Holmes e Moriarty nas Cataratas de Reichenbach, a 3 de maio de 2026. Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved

Mais de 130 anos após sua criação, Sherlock Holmes continua inspirando séries, livros, peças de teatro e uma legião de admiradores que viaja até a Suíça para recriar a cena de sua suposta morte. A força desse fenômeno revela como um personagem de ficção se transformou em um legado cultural que atravessa gerações.

O assassinato em que nos envolveremos será violento, mas não por conta de um impulso ou acesso de fúria. Pelo contrário, o crime foi planejado há muito tempo. Há meses recebemos instruções sobre o que fazer durante nosso encontro, nos acostumando com a ideia de usar pseudônimos e disfarces. Mais tarde, eu vou acabar descobrindo que até órgãos dos governos suíço e britânico estavam envolvidos. Onde tudo isso vai dar?

Conteúdo externo
FT

A resposta está em um penhasco a 2700 metros de altitude, em uma trilha estreita, onde estou, junto a um grupo, esperando algo acontecer. Escutamos o barulho forte de uma cachoeira e vemos o jorro de água despencar dezenas de metros abaixo. Estamos perto da beira, onde uma escorregada seria fatal. Na minha frente, estão os dois homens. Um está vestido como se fosse à uma ópera — se estivéssemos no século XIX — com smoking, cartola e capa preta. O outro usa uma capa de lã e um chapéu de caçador. Com um grito, o homem de cartola avança, e eles se atracam em uma luta, cada um tentando empurrar o outro abismo abaixo.

Justamente no momento em que parece que o homem com o chapéu de caçador venceu, eles fazem uma pausa, ajeitam as roupas e repetem tudo de novo, para que as equipes de reportagem da TV possam conseguir um ângulo melhor. O que acontece é o seguinte: a Sociedade Sherlock Holmes de Londres — da qual agora faço parte — está em mais uma de suas excursões às Cataratas de Reichenbach.

Acredita-se que tenha sido neste penhasco que, em 1891, o nosso herói tenha mergulhado para a morte, preso nos braços de seu arqui-inimigo, o professor James Moriarty, “o Napoleão do crime”. Em memória a este dia, eu e mais quase outros 60 membros da Sociedade Holmes, passamos três dias viajando pela Suíça vestidos como vitorianos. Há uma parte de mim que sabe que tudo isso é muito bobo. Afinal, enquanto suo sob minha cartola e minha sobrecasaca, digo a mim mesmo: nem sou tão fã assim de Sherlock Holmes.

Mas estou aqui, conto às pessoas, porque me interesso pela enorme influência cultural deixada pela criação de Sir Arthur Conan Doyle. “Ouço falar de Sherlock em todos os lugares”, já havia observado Mycroft, irmão do detetive, prevendo o futuro melhor do que qualquer um poderia imaginar, no conto de Doyle  “A Aventura do Intérprete Grego”, publicado em 1893.

Holmes costuma figurar no topo das listas de personagens fictícios mais retratados nas telas, ao lado do Papai Noel e do Drácula. Mesmo que você nunca tenha lido nenhuma de suas histórias, sabe quem ele é. E provavelmente você vai vê-lo cada vez mais, já que as obras de Conan Doyle não têm mais direitos autorais, abrindo a possibilidade para todo mundo brincar e usar o personagem em produções culturais.

Ultimamente, você pode se deparar com o herói em Watson, uma série contemporânea que acompanha o companheiro de Holmes em seu retorno à medicina, ou em Jovem Sherlock, uma interpretação de Guy Ritchie que mostra as aventuras do detetive com 19 anos. No ano que vem, poderá assistir Rafe Spall em A Morte de Sherlock Holmes. E isso só na televisão.

Adrian Braddy, editor da Sherlock Holmes Magazine, diz que a revista publica, por ano,  mais de 80 resenhas de novos livros derivados das aventuras do detetive. E o Regent’s Park Open Air Theatre, em Londres, bem próximo à Baker Street, acaba de estrear uma nova peça, Sherlock Holmes.

Tudo isso antes mesmo de chegarmos à presença do personagem no mundo real. Não se trata apenas do fato de as paredes da estação de metrô da Baker Street estamparem seu perfil instantaneamente reconhecível. A estátua de Holmes do lado de fora da estação é uma das pelo menos cinco espalhadas pelo mundo. No mês passado, visitei três museus dedicados a ele. No ano passado, ele ganhou um conjunto de Lego.

Mostrar mais

Mas o que mais me interessa em Holmes é outra faceta de sua estranha vida: as pessoas escrevem cartas para ele. A primeira carta endereçada ao detetive foi registrada em 1890, quando um tabagista da Filadélfia solicitou a Holmes uma cópia de sua monografia sobre cinzas de tabaco (Holmes afirmava ser capaz de identificar 140 tipos).

Por algumas décadas, as pessoas escreveram para Holmes aos cuidados de Conan Doyle, talvez porque o autor tenha dado ao personagem o endereço 221B da Baker Street, que na época, não existia. A rua não passava do número 200.

Mas, no início da década de 1930, duas coisas mudaram. Primeiro, a prefeitura de Londres declarou que todos os trechos da rua alinhados com a Baker Street faziam parte da mesma via, adicionando então números acima de 200 na rua e criando uma existência para o endereço contido nos livros. E, em seguida, a Abbey Road Building Society construiu sua nova sede nos números 219 a 229 da Baker Street, tomando conta do quarteirão que efetivamente incluía o 221B. Em 1935, chegou a primeira carta no endereço “correto”.

O banco decidiu que as cartas endereçadas a Holmes deveriam receber respostas e, em uma decisão bem-humorada que teria consequências duradouras, optou por entrar na brincadeira. Um secretário respondia a cada correspondência explicando aos remetentes que, conforme descrito nos livros, o Sr. Holmes havia se aposentado em Sussex. As cartas passaram a chegar em grande quantidade e continuaram por décadas. Eram convites para palestras, pedidos de autógrafos e, é claro, pedidos de ajuda para resolver crimes. As correspondências continuam até hoje, embora, desde que o Abbey passou a fazer parte do Santander, elas sejam encaminhadas para o Museu de Sherlock Holmes, localizado mais adiante na mesma rua.

É aqui que devo declarar um interesse pessoal. Minha próxima série de romances conta a história de um secretário de correspondência de Holmes nos dias de hoje que decide resolver um dos crimes descritos nas cartas, usando as ferramentas de seu herói, apenas para descobrir que isso não é tão simples quanto parece nos livros.

Em minha pesquisa, descobri rapidamente que as respostas às cartas não eram as únicas brincadeiras com Holmes. Na década de 1930, um grupo de autores ilustres criou o que ficou conhecido como “O Jogo”. A premissa é simples: imagine que Holmes é uma pessoa real e tente reunir os fatos de sua vida a partir das histórias.

O Jogo começou como uma brincadeira de teologia satírica — uma tentativa de usar humor e ironia para zombar de dogmas. Ronald Knox, um padre católico que escrevia romances policiais, queria zombar dos estudiosos da Bíblia que argumentam que as inconsistências nos evangelhos provam que eles foram escritos por outros autores. Knox publicou seu próprio ensaio sobre as contradições nas histórias de Holmes. Conan Doyle escrevia com enorme rapidez e não era bom em verificar os detalhes de seus próprios trabalhos anteriores. Em alguns momentos descreveu Watson como solteiro, em outros como casado ou viúvo. Ele tem também um machucado de guerra cuja natureza e localização mudam ao longo dos anos. Knox argumentou que tudo isso demonstrava que as histórias de Holmes não poderiam ter sido escritas pela mesma pessoa e propôs que, na verdade, existiriam dois autores.

Fosse qual fosse a intenção de Knox, sua ideia pegou. A Sociedade Sherlock Holmes foi fundada no Reino Unido para discutir justamente esses assuntos. “Isso virou um hobby entre um seleto grupo de brincalhões aqui e nos Estados Unidos”, escreveu Dorothy L. Sayers, autora de romances policiais e entusiasta da brincadeira. “A regra do jogo é que ele deve ser jogado com a mesma solenidade de uma partida de críquete do condado no Lord’s: o menor toque de extravagância ou burlesco estraga a atmosfera”.

Mostrar mais

‘Lugar assustador’

É com esse espírito que estamos viajando pela Suíça. Cada um de nós recebeu a orientação de escolher um personagem dos livros (também conhecidos como “O Cânone”) para interpretar. Devemos nos vestir como esses personagens durante toda a viagem. Quando fiquei sabendo disso, fiquei relutante. No entanto, disse a mim mesmo que essa seria uma oportunidade fantástica para fazer a pesquisa para a série de livros. Meu herói deveria ser um obcecado por Sherlock.

Depois de perguntar pela segunda vez quem eu interpretaria, percebi que não daria para adiar mais. Uma pesquisa nos livros me apresentou o coronel Valentine Walter, um vilão em “Os Planos de Bruce-Partington”, que é descrito como um “homem de 50 anos, muito alto, bonito e de barba clara”. Achei que conseguiria cumprir três desses requisitos sem esforço.

Nos encontramos em Lausanne e, assim como Holmes, viajei para a Suíça de trem. Minha mala estava bem maior do que eu imaginaria para uma viagem de cinco dias, afinal, não estava acostumado a carregar uma sobrecasaca. No meu quarto de hotel, vesti minha fantasia e avaliei o resultado no espelho. Por um lado, me achei bem elegante. Por outro, fiquei com medo do ridículo. Já entrevistei três primeiros-ministros e, certa vez, voei em um Chinook até Cabul. Exijo ser levado a sério.

Pelo menos não foi difícil encontrar meu grupo no saguão do hotel. As mulheres estavam com vestidos enormes e os homens vestidos como se fossem a Ascot, exceto por um que estava fantasiado de jogador de rugby da Universidade de Cambridge – um personagem, como você certamente já adivinhou, vem dolivro “O Atleta Desaparecido”. Imediatamente me senti à vontade com eles, como acontece hoje em dia com qualquer grupo em que sou um dos membros mais jovens. Mesmo assim, me encostei em uma coluna, tentando manter distância, dizendo a mim mesmo que não sou realmente um deles. E então vi meu reflexo e percebi que esse distanciamento irônico é mais difícil de manter quando se está usando uma cartola.

Uma mulher veio correndo na minha direção: “Estamos super animados! Qual personagem você é?” Fiquei tão surpreso com o entusiasmo que não consigo lembrar a resposta. “Depois que você assume um papel, tende a mantê-lo”, me disse o homem que interpreta Moriarty. Ele passava uma sensação admiravelmente sinistra, embora eu tenha descoberto mais tarde que, quando não está fantasiado, ele é advogado.

Moriarty é quase tão famoso quanto Holmes, mas aparece diretamente em apenas duas histórias. Conan Doyle o inventou para “O Problema Final”, um super vilão à altura do super detetive. Em 1893, depois de escrever dois romances de Holmes e duas coletâneas de contos, o autor já estava cansado de seu detetive. Ele achava que as histórias estavam ofuscando os romances históricos que considerava suas grandes obras.

Conan Doyle estava procurando uma maneira de matar Holmes quando viajou pela Suíça e visitou as Cataratas de Reichenbach. Era “um lugar assustador”, onde a água “mergulha em um abismo tremendo” – o local ideal para Holmes morrer em um sacrifício heróico final, lutando contra seu arqui-inimigo.

Holmes e Moriarty
Holmes e Moriarty enfrentam-se nas Cataratas de Reichenbach. Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved

Hoje em dia, as águas estão um pouco menos turbulentas, pois a maior parte delas é desviada para uma usina hidrelétrica. Dizem que a única razão para ainda haver água é que as autoridades locais foram convencidas a reativar o fluxo, por assim dizer, para a nossa visita. Fomos acompanhados também por um observador da embaixada britânica, possivelmente para o caso de alguém levar as coisas muito ao pé da letra e seguir Holmes e Moriarty até o abismo.

A essa altura, eu já estava acostumado a me vestir bem. De fato, no segundo dia da viagem, reservei um tempo para voltar ao hotel e trocar de roupa para o jantar, seguindo os conselhos do colega que interpretava Moriarty. Os participantes da viagem eram principalmente homens, mas não exclusivamente. Heather Owen interpretava a Sra. Turner relembrando um erro de edição: Conan Doyle esqueceu, ao escrever “Um Escândalo na Boêmia”, que a esposa de Holmes se chamava Sra. Hudson. Owen integra o grupo há muito tempo. “É um jogo que jogamos juntos”, diz ela. O que a empolga é a chance de explorar a vida no final da era vitoriana: “é um retrato de uma época”.

Mostrar mais
Poster for Queen Victoria exhibition

Mostrar mais

Demografia

Como a Rainha Vitória transformou a hotelaria suíça

Este conteúdo foi publicado em “Ó, é terrível demais, pavoroso demais. E uma doença, um frio gélido que beira o mais profundo desespero, toma conta de mim. É mais do que um ser humano pode suportar.” A mulher mais poderosa do mundo precisava de uma pausa. Em 1868, quando Vitória escreveu estas linhas em seu diário, aos 49 anos de…

ler mais Como a Rainha Vitória transformou a hotelaria suíça

Outras mulheres admitiram que vieram a pedido dos maridos. Joan Blanksteen, que viajou dos Estados Unidos para se juntar a nós, brincou: “se algum dia nos divorciarmos, poderei mostrar ao juiz o que tive que aturar”, apontando para sua roupa vitoriana. Enquanto isso, seu marido, Charles, dava uma explicação detalhada sobre os tipos de armas de ar comprimido que poderiam estar à disposição de seu personagem, o coronel Sebastian Moran, que tenta matar Holmes em “A Casa Vazia”.

Foi nessa história, publicada em 1903, em que Conan Doyle cedeu à pressão do público e trouxe Holmes de volta à vida. Foi uma derrota para o autor, uma admissão de que esses eram os livros que as pessoas realmente queriam dele. Mas talvez ele sempre tivesse isso em mente porque chama atenção o fato de que, em “O Problema Final”, o corpo de Holmes nunca tenha sido encontrado, deixando uma porta aberta para o retorno do personagem.

O primeiro super-herói

Mas, quando foi lançado, “O Problema Final” a morte de Holmes gerou uma reação enorme. Há relatos de que as pessoas vestiram roupas pretas em sinal de luto em Londres. Conan Doyle recebeu cartas ofensivas.

Se você achava que as relações parassociais — em que adolescentes sentem que conhecem de verdade a Taylor Swift ou o Harry Styles — eram um fenômeno moderno, pense novamente.

A própria existência da Sociedade Sherlock Holmes, restabelecida em 1951 depois da Segunda Guerra Mundial, é prova disso. A maioria das sociedades literárias é dedicada a autores, não a personagens.

Holmes
Philip Porter no papel de Sherlock Holmes e Julie Porter no papel de Irene Adler. Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved

Pergunto a todos com quem converso por que Holmes é tão fascinante. “Adoro o quanto ele é imperfeito”, diz Laura Sparks, que veio do Canadá. Para outros, ele é o primeiro super-herói, cujos poderes são a observação e a dedução. Holmes era um homem de sua época. As histórias estão impregnadas de um otimismo do final da era vitoriana em relação à tecnologia e ao futuro. A própria abordagem científica do detetive refletia a crença de que o mundo poderia ser conhecido, compreendido e dominado.

E depois há a narrativa em si. O Cão dos Baskervilles, escrito e publicado em apenas sete semanas, é um modelo de thriller envolvente, com uma estrutura em três atos que poderia ter sido planejada em um estúdio moderno de Hollywood. A história não é um “quem fez isso” – o nome do vilão é revelado mais no final da narrativa – mas um “como isso aconteceu”: qual é a misteriosa fera que espreita na charneca? Bonnie MacBird, ex-roteirista de Hollywood que escreveu seis aventuras best-sellers de Holmes, afirma que “o estilo de Conan Doyle é, curiosamente, quase cinematográfico. Ao contrário de seus contemporâneos, ele usa diálogos extensivamente, mas suas descrições são sucintas e memoráveis. Ele define o cenário rapidamente e mergulha na ação com todo o ritmo narrativo de um filme.”

Mas, acima de tudo, os fãs adoram a relação de Holmes com Watson. Essa é uma das grandes histórias literárias de amizade: uma dupla improvável que não pode ser separada. Esposas — talvez até cinco — vão e vêm da vida de Watson, mas Sherlock permanece constante.

“Holmes é uma figura tão bem definida que é realmente um prazer escrever sobre o personagem”, diz Joel Horwood, autor da peça produzida pelo Regent’s Park. “É como brincar com os brinquedos de Conan Doyle. O mais difícil é que ele pertence tão inteiramente e por direito próprio ao público. Com Holmes, Conan Doyle criou um personagem tão amado que nem mesmo ele conseguiu matá-lo.”

Mesmo durante a vida de Conan Doyle, o personagem já estava fora de seu controle. Tente lembrar da imagem clássica do detetive: um homem de chapéu e com cachimbo? Agora, acredite se quiser, essas características distintivas do personagem foram invenções de outras pessoas. Foi Sidney Paget, ilustrador da revista The Strand, quem deu a Holmes seu chapéu de caçador, e foi o ator William Gillette quem colocou o cachimbo curvo em sua boca, ao levar o personagem aos palcos.

Para os sherlockianos, as adaptações para TV e cinema são uma faca de dois gumes. A versão modernizada da BBC, estrelada por Benedict Cumberbatch, foi escrita em parte pensando nos fãs e contém surpresas para eles: no primeiro episódio, há uma trama sobre a cicatriz de Watson se movendo. As opiniões sobre a série Jovem Sherlock em encontros de fãs poderiam ser educadamente chamadas de “contraditórias”. Mas os adaptadores podem alegar que têm a permissão do autor. Quando Gillette perguntou se poderia casar Holmes na peça, Conan Doyle respondeu: “Você pode casá-lo, ou assassiná-lo, ou fazer o que quiser com ele.” Enquanto discutimos essas questões até tarde da noite no bar do hotel, percebi que minha pretensão de ser um observador imparcial é uma autoilusão. Há uma razão pela qual minha esposa me deu a clássica série da Granada TV há 20 anos; há um porque em eu sempre baixar os livros de Holmes novamente, toda vez que troco de celular; e certamente há um motivo por trás de eu ter uma foto minha lendo “Um Escândalo na Boêmia” para meu filho no dia em que ele nasceu. E, ao que parece, somos muitos com essas manias. 

Enquanto estávamos nas Cataratas de Reichenbach, assistindo Holmes e Moriarty lutarem em frente às câmeras, uma jovem chinesa apareceu na curva da trilha, usando um chapéu de caçador. Estudante da Universidade de Manchester, ela havia escolhido aquele fim de semana para fazer sua própria peregrinação particular ao local onde seu herói morreu. Ao se deparar com o detetive na luta, ela ficou sem palavras. Mais de um século depois que seu criador tentou matá-lo, Sherlock Holmes ainda causa esse efeito nas pessoas.

Copyright The Financial Times Limited 2026

Adaptação: Clarissa Levy

Mais lidos

Os mais discutidos

Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR