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Cidades tentam atrair organizações internacionais atualmente sediadas em Genebra

A cidade de Genebra acolhe 40 instituições, organizações e organismos internacionais, bem como a sede europeia da ONU, 750 ONG e as representações permanentes de 185 Estados-Membros, incluindo a Suíça.
A cidade de Genebra acolhe 40 organizações internacionais, a sede europeia da ONU e inúmeras ONG. Keystone / Salvatore Di Nolfi

A crise de financiamento da ONU, desencadeada pelos cortes de Trump na ajuda externa, criou uma disputa entre cidades interessadas no ecossistema diplomático global. Capitais da UE e países do Golfo competem para sediar organizações internacionais e atrair funcionários para longe de Genebra.

Depois que o governo Trump congelou a maior parte da ajuda externa dos EUA, se retirou da Organização Mundial da Saúde (OMS) e suspendeu o financiamento a vários órgãos da ONU, Genebra tem enfrentado alguns dos maiores desafios das últimas décadas. Sede europeia da ONU, de dezenas de organizações internacionais, centenas de ONGs e missões diplomáticas, a cidade luta para não perder sua posição no cenário global.

As crises orçamentárias forçaram as agências a enxugar empregos, congelar contratações e buscar locais mais baratos, tornando a cara Genebra um alvo óbvio para cortes. Ao mesmo tempo, muitos países vêm reduzindo suas contribuições ao sistema multilateral e gastando mais em áreas como a defesa nacional.

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A “Genebra Internacional”, como é conhecido o ecossistema de agências internacionais, gera cerca de 4 bilhões de francos suíços (5 bilhões de dólares) por ano, segundo estimativas do Ministério das Relações Exteriores. A cidade abriga aproximadamente 450 organizações internacionais e ONGs, além de cerca de 185 países representados por meio de missões permanentes.

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Funcionários das Nações Unidas sediados em Genebra exibem cartazes durante uma manifestação em Genebra, a 1 de maio de 2025, em protesto contra os profundos cortes no financiamento.

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Genebra internacional

Demissões na ONU desafiam trabalhadores a permanecer na Suíça

Este conteúdo foi publicado em Mais de 1.300 funcionários da ONU e de ONGs perderam o emprego em Genebra desde 2025. Sem acesso ao seguro-desemprego suíço e com prazo curto para manter a residência, muitos tentam recomeçar a carreira fora do sistema internacional.

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Autoridades suíças afirmam que cerca de 20 países estão tentando usar a turbulência financeira que paira sobre o sistema multilateral para reforçar suas próprias ambições como centros diplomáticos. Principalmente Áustria, França, Alemanha, Itália e Espanha, bem como Catar e Emirados Árabes Unidos, buscam atrair agências da ONU ou partes do ecossistema internacional de Genebra.

“Muitos países europeus têm ambições de se tornarem países-sede e querem aproveitar esse momento de tensão para fortalecer sua própria posição”, disse uma autoridade suíça. “É uma disputa descarada.”

“Os cortes profundos no financiamento em 2025 abriram uma oportunidade real para muitos concorrentes, especialmente na Europa”, disse Beatrice Ferrari, diretora de Assuntos Internacionais do cantão de Genebra.

A OMS propôs transferir alguns setores para Lyon, na França, como parte de sua reestruturação. A Unicef está transferindo centenas de cargos para cidades de custo mais baixo, incluindo Roma, enquanto a Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirmou que vai transferir parte do pessoal e das funções para um centro de treinamento já existente em Turim.

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Caixas de pasta de amendoim nutritiva

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Organizações internacionais em Genebra

Genebra sofre com congelamento da ajuda internacional  

Este conteúdo foi publicado em Genebra enfrenta uma nova realidade: menos recursos, menos pessoas e concorrência de países mais baratos que disputam um papel internacional.

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Uma autoridade suíça declarou: “Vimos alguns Estados-membros oferecerem uma determinada quantia em dinheiro por cada pessoa que conseguirem transferir de Genebra para sua cidade.”

Outra fonte, do contexto político de Genebra, relatou que os governos estão cada vez mais buscando funções especializadas, em vez de tentar replicar o modelo de uma cidade que reúne a cooperação internacional. A Espanha quer que Valência se torne um centro de digitalização e dados; a França está fortalecendo Lyon como polo de governança internacional em saúde, além de destacar o perfil educacional de Paris; a Alemanha está apostando nas instituições ambientais de Bonn e no papel internacional de Berlim; já Viena busca expandir sua presença como polo da ONU.

“Todos querem abocanhar partes diferentes do ecossistema”, disse o político.

Entre os países do Golfo, autoridades suíças veem o Catar como o concorrente mais forte, uma vez que o país se estabeleceu como mediador diplomático. Fontes destacaram o papel crescente de Doha na mediação, inclusive em relação a Gaza e na recente diplomacia envolvendo o Irã. O país está combinando a influência política com “ofertas financeiras muito atraentes” em sua busca para se tornar um centro humanitário de maior porte, apontam.

Berna respondeu à crise com um dos maiores pacotes de apoio dos últimos anos. Em junho, o governo federal aprovou o investimento de 269 milhões de francos suíços na Genebra Internacional, citando a crise financeira enfrentada pelas agências da ONU e a “crescente competição entre os países” para sediar organizações internacionais.

O pacote inclui financiamento de emergência para agências em dificuldades, investimento em infraestrutura para conferências, um empréstimo sem juros de 78 milhões de francos suíços para reformar edifícios utilizados por organizações internacionais e apoio ao desenvolvimento de iniciativas relacionadas à IA e outras tecnologias emergentes.

Mas o suporte vai também além do governo federal. O cantão (estado) de Genebra e a Fundação Hans Wilsdorf, que controla a Rolex, criaram um fundo de 50 milhões de francos suíços para apoiar a Genebra Internacional ao longo de cinco anos. O cantão também destinou 10 milhões de francos suíços para ONGs, enquanto a administração da cidade se comprometeu a contribuir com mais 2 milhões de francos suíços.

Autoridades suíças insistem que não estão tentando gastar mais do que as cidades-sede rivais, mas sim proteger a concentração de agências da ONU, diplomatas, ONGs e pesquisadores que tornou Genebra um dos principais centros mundiais de cooperação internacional.

Eles argumentam que os benefícios econômicos da realocação costumam ser superestimados. Salários e aluguéis mais baixos em outros locais podem ser compensados pelo custo de recriar instalações para conferências, apoio administrativo e redes diplomáticas, enquanto a dispersão das organizações corre o risco de enfraquecer a colaboração que tornou Genebra eficaz no enfrentamento de problemas globais.

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Presidente Trump na Casa Branca

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Genebra internacional

Saída dos EUA da OMS ameaça a segurança sanitária mundial

Este conteúdo foi publicado em Os EUA deixam a OMS, criando um buraco no orçamento da organização e ameaçando a saúde global. A decisão de Trump pode levar ao ressurgimento de doenças e enfraquecer a resposta a pandemias.

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“Há uma concorrência acirrada devido à retirada dos EUA”, disse Vincent Subilia, deputado do cantão de Genebra e diretor-geral da Câmara de Comércio de Genebra. “Mas o governo federal, o cantão e a cidade se mobilizaram para ajudar a preencher parte da lacuna.

“Nossa alta concentração de instituições significa que Genebra ainda oferece o ecossistema internacional mais forte e único.”

Nem todos os governos estão se retirando. Autoridades suíças afirmaram que países como a China intensificaram seu envolvimento com as instituições multilaterais de Genebra, enxergando a oportunidade de exercer maior influência à medida que os EUA se retiram.

Ferrari disse que seis novos países abriram missões permanentes nos últimos dois anos, incluindo Belize e alguns países insulares do Pacífico.

“A crise ainda não acabou, mas Genebra continua sendo o maior centro e o mais próximo dos tomadores de decisão”, acrescenta a diretora de Assuntos Internacionais do cantão. 

Copyright The Financial Times Limited 2026
Adaptação: Clarissa Levy

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Debate
Moderador: Dorian Burkhalter

Qual é o futuro do setor humanitário?

Grandes doadores cortaram verbas e o setor humanitário vive uma crise. Qual o caminho agora? Economias emergentes? Setor privado?

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