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Cuba restaura eletricidade após apagão nacional, mas cortes persistem

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Cuba começou a restabelecer sua rede elétrica nesta segunda-feira (3), após um novo apagão nacional na noite de domingo, o sexto em um ano, enquanto diversas regiões do país continuam sem eletricidade em em meio a uma de suas piores crises energéticas e pressões dos Estados Unidos.

A ilha, com 9,4 milhões de habitantes, sofre constantes cortes de eletricidade de várias horas por dia devido ao envelhecimento de suas usinas termelétricas. A situação se agravou desde janeiro com o bloqueio petrolífero americano. 

Na noite de domingo, a estatal União Elétrica de Cuba (UNE) informou que na noite de domingo, uma “oscilação de frequência” deixou fora de serviço uma termelétrica no leste da ilha e “o sistema colapsou totalmente”.

Este é o sexto apagão geral do ano e o décimo primeiro desde o final de 2024. Apenas 24 horas antes desse último corte total, cinco das 15 províncias do país ficaram às escuras por uma falha na rede. 

Ao meio-dia desta segunda-feira, sete províncias do oeste e do centro de Cuba estavam conectadas à rede nacional, mas persistiam “impactos elevados e prolongados”, devido ao déficit de geração, o que continuava provocando apagões em todo o país, informou a TV estatal.

Até o momento, somente 27,6% de Havana contavam com serviço elétrico. 

Os cubanos não escondem seu cansaço e impotência diante dos apagões que, nas últimas semanas, superaram 30 horas consecutivas na capital. No interior do país, podem se prolongar por vários dias. 

“Desde sexta-feira só tive uma hora e meia de eletricidade, não tem água, não tem nada, o que nós cubanos estamos vivendo não é vida”, disse à AFP Mayra Rodríguez, uma contadora de 43 anos, que dorme na varanda de seu apartamento com dois filhos pequenos para suportar as noites de verão.

Carlos Dueñas, um mecânico de 62 anos, está exausto devido à uma conjuntura “insustentável”. 

“Ninguém diz quando poderá melhorar. Enquanto isso, temos que aguentar firme, nem todo mundo tem dinheiro para comprar painéis”, disse.

Havana atribui o grave estado de sua rede elétrica às medidas punitivas de Washington, enquanto o governo dos Estados Unidos insiste que a responsabilidade é do governo cubano e da má gestão da economia.

As sete usinas termelétricas que constituem a base do sistema elétrico cubano, com mais de 40 anos de operação, sofrem avarias constantes.

O bloqueio petrolífero imposto por Washington dificulta o fornecimento de combustível para estas usinas e para os geradores de reserva, que costumam funcionar com diesel importado.

Segundo o governo cubano, nos últimos sete meses Washington só permitiu a chegada de um navio-tanque russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto. 

O governo do presidente americano, Donald Trump, também intensificou as sanções contra estatais cubanas, o que levou muitas companhias estrangeiras a suspenderem suas operações no país, reduzindo assim a entrada de divisas.

lis/mar/fp/jc/mvv/yr

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