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Cidade italiana é laboratório para arquitetos suíços

Varese: um ateliê ao ar livre para arquitetos. Herzog&deMeuron

A cidade de Varese, no norte da Itália, foi eleita pelos estudantes e professores da Academia de Arquitetura de Mendrisio, sul da Suíça, como laboratório de pesquisa aplicada.

Este conteúdo foi publicado em 07. maio 2010 - 16:01

A turma de formandos deste ano dedicou boa parte dos projetos de láurea às questões urbanísticas do munícipo italiano.

A contribuição do instituto suíço com a administração local é do interesse de ambos. Depois de experiências feitas com Padova e Veneza, chegou a vez da vizinha cidade-jardim, como Varese é conhecida.

A aplicação da teoria na prática é o sonho de muitos alunos. Nos últimos meses, para participar do projeto, eles arregaçam as mangas e saem em campo para buscar informações e ver com os próprios olhos as áreas previstas para as futuras intervenções por parte da prefeitura. Cem alunos, com pranchetas e réguas e compassos nas mãos, além de máquinas fotográficas, documentaram com riqueza de detalhes as prováveis áreas de reurbanização.

Os trabalhos são “estudantis”, não são profissionais, mas possuem o poder de dar sugestões, de abrir os debates sobre o tema e, quem sabe, servir de ponto de partida para um projeto concreto. Décadas atrás os estudantes faziam os projetos sozinhos, trancados num quarto, sobre uma escrivaninha. Hoje existe a participação de todos os atores, privados e públicos, numa reverência ao futuro da cidade.

“ O primeiro passo é bem conhecer a história da cidade, perceber a essência das transformações ocorridas e, partir delas, criar com inteligência um projeto”, disse para a swissinfo, um estudante da Academia, oriundo de Taiwan. Até o mês de junho, ao longo deste semestre, os alunos formandos vão passar o pente-fino em Vale Olona, Cidade do Esporte, Estádio e Palácio do Esporte, mais as Estações Ferroviárias, a praça da República, a ex-indústria Aermacchi, Ville Ponti, Sacro Monte, cemitério de Belforte, entre outras localidades...enfim, uma verdadeira operação de varredura para identificar pontos de melhoria e oferecer sugestões para a prefeitura para um desenvolvimento urbano racional.

E de todas elas, a única que não está em terra firme representa o maior desafio pelo alto risco de impacto ambiental. O lago de Varese, com a orla decadente emoldurando uma das paisagens mais bonitas e bem conservadas do norte da Itália, viveu os seus dias de glória muitos anos atrás. Hoje, semi-abandonado e esquecido pela população, ele luta para não “afundar” nos mares do esquecimento.

Salva-lago

O espelho de água reflete o dilema das cidades européias como Varese: o culto ao passado e o mergulho no futuro.A idéia principal é aquela de revitalizar o lago. Pontilhado de estruturas velhas e mal conservadas e obsoletas paras as funções às quais foram criadas, as margens precisariam passar por uma bela reforma. E mais de dez projetos se concentraram em como tirar os “pés” do lago de Varese da lama. Eles foram apresentados ao longo de um ciclo de conferências oferecido pela Academia de Arquitetura de Mendrísio na Villa Panza, tradicional residência e centro cultural da cidade.

O trabalho em torno ao lago foi orientado para construção de modernas instalações para atividades esportivas. Claro, os projetos deveriam partir do príncipio de respeito absoluto ao ecossistema da região, aos vínculos paisagísticos. A ordem era a de integrar os projetos à natureza. E pelo visto os estudantes fizeram bem o dever de casa. As projeções dos trabalhos finais na Villa Panza demonstraram que é possível realizar um pouco de tudo sem comprometer a fauna e a flora locais.

Piscinas e ginásios esportivos, de preferência com estruturas, basicamente, horizontais, ganharam destaque. A presença deles seria uma atração maior aos moradores de Varese, além, claro, dos novos visitantes. A ampliação do campo gravitacional do lago passa pela sua própria modernização. Varese tinha uma bela paisagem agrícola, mas tudo ao redor foi arruinado. . Varese é uma cidade rica de história e cheia de energia.

História e modernidade

Os professores e irmãos portugueses, os arquitetos Francisco e Manuel Aires Mateus são os relatores das teses referentes ao lago. “ Achamos que é preciso criar grandes espaços públicos para que as pessoas possam querer vir sabendo que irão desfrutar de bons momentos numa natureza que foi respeitada, afinal a consciência ecológica hoje é muito importante e grande”, afirmam eles.

“ Eu não creio que o arquiteto deva trabalhar fora do seu tempo, mas acho fundamental que ele conheça os outros tempos. A história é feita de camadas e devemos respeitá-las, por outro lado podemos deixar heranças para a geração futura”, completa Francisco Aires Mateus.

E é exatamente isso que o escritório suíço Herzog&Meuron está prestes a fazer em Milão. Um grande terreno, junto a Porta Volta, nobre área milanesa, espremida entre o bairro chinês da cidade e prédios antigos, vai ser palco do nascimento de um projeto ímpar: a sede da Fundação Feltrinelli, um dos maiores centros de documentação da Europa. “Depois de 30 anos, estamos redesenhando Milão que cresce regenerando terrenos degradados”, afirmou o secretário de urbanism, Carlo Masseroli.

Inspiração gótica

Ele vai ser erguido seguindo a tradição da construção civil da região da Lombardia, ou seja, com prédios gêmeos. Os dois edifícios modernos, desta forma, se conectam com o as raízes, no caso com as fundações, respeitando e homenageando os seus precursores, os seus ancestrais. O projetista Jacques Herzog afirmou: “a forma longelínea a linear da construção são referências, de um lado ao estilo gótico e de outro aos prédios lombardos, as Cascine, que estão por todos os lados”.

As obra devem ser iniciadas no começo do segundo semestre. O terreno foi ocupado durante 15 anos por uma floricultura. O contratato de aluguel termina no mês de junho. Mas a apresentação do projeto marcou a contagem regressiva para o começo de um processo completo de revitalização de toda aquela zona. O terreno particular, da casa-editora Feltrinelli, é vizinho de um público. Os dois vão ser unidos para oferecer aos pedestres um grande espaço público.

O complexo Feltrinelli vai ter sala de leitura com vista para cidade, restaurante, auditório para debates, cafeteria, livraria, além de outras atividades comerciais. Jardins e pista ciclável também foram contemplados no projeto que abriga três prédios, dois para a casa-editora Feltrinelli e um para a prefeitura de Milão.

Guilherme Aquino, Varese, swissinfo.ch

Saiba mais

As obras do complexo Feltrinelli devem durar entre 2011 e 2013.

A fundação Feltrinelli foi fundada em 1949.

O acervo tem 200.000 volumes, 17.500 jornais e um milhão de cartas de arquivo.

Todo este material representa a história politica, econômica e social, desde o século 16 até hoje.

Herzog & Meuron construíram, entre outras obras, o estádio olímpico de Pequim.

A Academia de Arquitetura de Mendrísio foi fundada em 1996 pelo arquiteto Mario Botta.
Mario Botta foi o autor da reforma do teatro La Scala, em Milão.

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