Cinema brasileiro com mais espaço em festival suíço
O Festival Internacional de Filmes de Fribourg, de 11 a 18 de março, dedicado exclusivamente à esquecida cinematografia dos "países do Sul", apresenta 85 filmes de 40 países. O FIFF 2001 - que traçou uma retrospectiva latino-americana, com algumas obras que marcaram época - inclui 3 filmes brasileiros, inclusive um em competição, "Quase Nada", de Sérgio Rezende.
O Festival Internacional de Filmes de Friburgo, FIFFna Suíça de expressão francesa, projeta unicamente obras da Ásia, África e América Latina.
Nos últimos anos, o FIFF tem dado maior espaço à cinematografia asiática, em particular da China, Hong Kong e Irã e índia, deixando em segundo plano a produção africana e latino-americana, com exceção da Argentina. Na edição deste ano, por exemplo, dos 12 filmes em concurso, 8 são asiáticos, dois cubanos, 1 brasileiro e 1 senegalês.
A atual retrospectiva latino-americana que preenche um vazio, despertou grande interesse por filmes que marcaram época como “Os Cafajestes” (Ruy Guerra, Brasil, 1962), “La Hora de los Hornos” (Fernando Solandas e Octavio Getino, Argentina, 1968) “Memorias del Subdesarollo” (Tomás Gutiérrez Alea, Cuba, 1968) e “Tres Tristes Tigres” (Raúl Ruiz, Chile, 1968).
Nos 30 filmes da retrospectiva latino-americana predomina a temática da ruptura, “ruptura dentro da ruptura”, ruptura com os padrões estéticos cinematográficos, ruptura política. Na maioria, os realizadores denunciam desrespeito a direitos humanos elementares, a exploração humana e diferentes formas de injustiça.
Quanto ao Brasil, o FIFF projetou “Limite” (Mario Peixoto, 1930, filme experimental de vanguarda que na opinião de especialistas anunciou “Que Viva México” do mestre russo Eisenstein. “Limite” foi um filme que impressionou profundamente os cineastas do Cinema Novo.
Os suíços puderam também descobrir, além de ” Os Cafajestes” (1962) que envelheceu um pouco (p. ex., a seqüência sobre a nudez de Norma Bengell, escândalo na época, tornou-se exremamente longa e irritante), “Rio, 40 graus” (Nelson Pereira dos Santos, 1955), verdadeiro mito do Cinema Novo e ainda “Barravento” (Glauber Rocha, 1962), considerado um poema “desenfreado e livre”.
Quanto aos filmes em concurso para “o olhar de ouro”, principal recompensa do evento, com prêmio no valor de aproximadamente 9 mil dólares, a obra “Quase Nada” de Sérgio Rezende, não parece ter chances. O filme é um tríptico, três casos de polícia, dramas calcados na realidade brasileira.
“Quase Nada” será projetado em Paris brevemente no quadro de uma apresentação de filmes brasileiros e portugueses.
Fora de competição, foi apresentado o primeiro longa metragem de Lina Chamie, “Tônica Dominante”, obra de muita sensibilidade em que a imagem diz quase tudo e que deve agradar em particular aos melômanos.
Mas o filme brasileiros que mais impressionou foi o documentário de Tetê Moraes, “Sonho de Rose” que conta a eclosão do MST, Movimento dos Trabalhadores sem Terra, e experiências bem sucedidas no sul do Brasil. O filme é muito bem feito, já recebeu vários prêmios em outros festivais e só peca por não dar a palavra aos que criticam o movimento.
Em tempo: é “Domésticas, o Filme” obra brasileira de Nando Olival, terminada este ano, que fechará o 15° Festival Internacional de Friburgo, no domingo 18/3.
J.Gabriel Barbosa
Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.