Como suíços foram incorporados à identidade “alemã” no sul do Brasil
Embora o Vale do Itajaí seja conhecido pela forte herança alemã, milhares de suíços também participaram da formação da região. Ao longo do tempo, porém, suas origens foram absorvidas por uma identidade germânica mais ampla.
O Vale do Itajaí, em Santa Catarina, é uma das regiões brasileiras mais associadas à imigração europeia. Festas típicas, arquitetura enxaimel e tradições culturais reforçam a imagem de uma região marcada pela presença alemã. O que muitos visitantes desconhecem é que milhares de suíços também se estabeleceram na área ao longo do século 19, especialmente em cidades como Joinville.
Segundo pesquisadores, cerca de 15 mil suíços emigraram para o Brasil naquele período, fugindo da pobreza, da escassez de terras e das crises agrícolas na Europa. Como muitos vinham de cantões de língua alemã, acabaram sendo identificados genericamente pelos brasileiros como “alemães”. Com o passar das décadas, escolas, clubes e associações culturais fortaleceram uma identidade germânica comum, diluindo as origens suíças.
O processo se intensificou no século 20, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial, quando o uso público do alemão foi proibido no Brasil. Os descendentes de suíços perderam primeiro os dialetos suíço-alemães e depois o próprio alemão, adotando o português. Hoje, especialistas afirmam que a herança suíça continua presente no Vale do Itajaí, embora muitas vezes esteja escondida dentro daquilo que o país passou a reconhecer apenas como “cultura alemã”.
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