Governo lança atlas político eletrônico
A partir de agora é possível analisar por computador como os suíços votam nos plebiscitos populares, uma forma única de participação democrática nas decisões políticas de um país.
O Departamento Federal de Estatísticas acaba de publicar o novo “Atlas Político da Suíça” em cd-rom. Além dos números, ele contém mapas e gráficos interativos.
Para um suíço comum, a ida às urnas não é um direito político esporádico como é para a maioria dos cidadãos nos países democráticos no mundo. No país dos Alpes a participação em plebiscitos populares e votações ocorre várias vezes por ano. Elas servem não apenas para escolher governantes e representantes nos Parlamentos, mas também para decidir sobre assuntos mais específicos como um orçamento municipal ou a construção de uma escola.
Por isso, um dos exercícios mais fascinantes para cientistas políticos é analisar o comportamento do suíço nas urnas: a diferença nas votações entre os centros urbanos e o campo, os suíços de língua francesa e alemã e os cantões católicos e protestantes, é visível até nos dias de hoje.
O Departamento Federal de Estatísticas facilita a vida dos pesquisadores e jornalistas lançando agora um cd-rom intitulado “Atlas Político da Suíça”.
A obra contém mais de mil documentos sobre os resultados de votação federais ocorridas desde 1866 e das eleições para a Câmara dos Deputados suíça desde 1919. Além disso, ela mostra os resultados detalhados nas cidades e municípios desde 1971 e nas eleições desde 1981. O banco de dados pode ser inclusive atualizado eletronicamente após cada novo escrutínio através de download no site do órgão federal.
Protestantes não votam como os católicos
O cd-rom é um instrumento de trabalho interativo. Ele permite fazer pesquisas cronológicas e temáticas. Os resultados das votações são classificados em doze temas principais – os mais importantes são políticos, culturais e econômicos.
Os resultados das pesquisas são visualizados em forma de tabelas ou mapas. Dessa forma é possível analisar o desenvolvimento de um partido numa determinada região ou mesmo descobrir que seus eleitores votam mais “à esquerda” do que os das regiões vizinhas.
Um exemplo é dado pela religião: no século XIX, 80% dos plebiscitos realizados mostravam uma clara diferença entre os suíços católicos e protestantes. Hoje em dia esse fator perdeu sua importância e só se manifesta em decisões de urna polêmicas como aquela que aprovou aborto. Nesse caso os eleitores protestantes se mostraram mais liberais do que os católicos.
No fim do século XIX também era fácil de identificar o enorme fosso cultural entre os suíços de língua francesa e alemã. Hoje em dia, de 10 a 30% das votações ainda mostram essa diferença, como no caso dos plebiscitos relativos à integração da Suíça na União Européia. A aceitação por parte dos francófonos é muito maior do que pelos suíços de língua alemã.
O cd-rom também revela que, desde 1992, o comportamento político dos suíços que vivem nas zonas rurais é cada vez mais diferente daqueles que vivem nos centros urbanos. No interior do país o eleitor tende a ser muito mais conservador do que o habitante de Zurique ou Genebra.
Os interessados na obra podem contactar o Departamento Federal de Estatísticas e encomendá-la por 49 francos suíços.
swissinfo com agências
O “Atlas Político da Suíça” em cd-rom contém:
Mais de mil documentos.
Mais de 100 mapas em formado PDF.
2094 mapas e 1039 tabelas interativas.
Preço: 49 francos suíços.
Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch
Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!
Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.