Jornalista suíço vê revitalização da cultura indígena
No livro intitulado "Mãe Terra", apresentado na Cidade do México, o jornalista Daniel Wermus relata experiências de revitalização a cultura indígena na América Central.
A obra traça o itinerário do casal suíço-francês, Christiane e Diego Gradis, fundadores da ONG “Tradições para o Amanhã”.
Nahuas, mixes ou chontales do México; quichés ou mam da Guatemala; chortis e garifunas de Honduras; kakawira de El Salvador; miskitos da Nicaragua; bribris da Costa Rica ou kunas do Panamá.
O livro “Mãe Terra, Pelo renascimento indígena”, convida o leitor a uma viagem apaixonante pelo coração do mundo ameríndio da América Central; a um encontro com o mais humildes, a quem o jornalista suíço Daniel Wermus dá a palavra.
Publicado em 2002 na França e na Suíça, e posteriormente no Equador e sua versão em espanhol, “Mãe Terra” acaba de ser publicado também no México, em edição atualizada.
A apresentação na Cidade do México ficou a cargo do ativista suíço-francês Diego Gradis, que fundou, junto com sua esposa Cristiane, a ONG Tradições para o Amanhã. O intento é apoiar comunidades indígenas da América Central e da América do Sul que buscam preservar e consolidar sua indentidade cultural.
O enfoque cultural
O membros da “Tradições para o Amanhã” acompanham as comunidades que apresentam projetos culturais e educativos. Desde sua criação, em 1986, a ONG já montou 250 projetos, algums com o respaldo DDC, a agência governamental suíça para o desenvolvimento e a cooperação.
Diego Gradis conta que decidiu trabalhar essencialmente com o enfoque cultural “porque me dei conta que os projetos de um suposto desenvolvimento sempre continham conceitos europeus e nunca levavam realmente em consideração a trajetória histórica dos povos, que por isso não entendiam o que queríamos como desenvolvimento. Se investia recursos econômicos e técnicos que nem sempre davam resultado.”
Vendo que esses projetos só levavam em conta as carências sem promover os aspectos positivos, Gradis começou a refletir sobre as necessidades fundamentais do ser humano. Entendeu então que, para os indígenas, a cosmovisão é um elemento-chave do processo de desenvolvimento.
Ao criar a ONG, Diego Gradis quis “mudar os parâmetros do trabalho com os povos indígenas para que eles próprios expressassem suas necessidades de afirmar sua identidade cultural”.
Portanto, os testemunhos relatados em “Mãe Terra” são dos indígenas que conseguiram afirmar sua própria vontade, com apoio da ONG.
A voz dos sem-voz
Para relatar as experiências organizadas em livro, Diego Gradis convidou o jornalista Daniel Wermus, diretor da agência suíça de notícias Infosul. O especialista de questões Norte-Sul visitou muitas comunidades na América Central, onde a Ong tinha projetos.
Diego Gradis afirma que a “Tradições para o Amanhã” é o fio condutor do livro mas não o ator principal. O resultado é uma viagem do México ao Panamá em que o leitor encontra a voz dos sem-voz. As pessoas falam de sua realidade, de suas lutas e conquistas pela recuperação de sua identidade cultural.
Trata-se de uma galeria de retratos que nos permite aproximar um mundo desconhecido, com uma mensagem diferente.
Uma fonte de informação
Mas não é só isso. A excelência do trabalho de Daniel Wermus reside também nas notas de rodapé.
Por um lado, o autor coloca no contexto as problemáticas enfrentadas por esses povos. Por outro, descreve os projetos apoiados pea ONG Tradições para o Amanhã, como um ateliê de tradição oral em Puebla, museus indígenas em Oaxaca, rádios comunitárias na Guatemala e Peru ou de educação bilingüe em Kuna Yala, no Panamá, entre outros.
Com tantos dados, este livro de tripla entrada consitui uma fonte de informação riquíssima sobre a problemática indígena e o torna instrumento indispensável para todos os que querem se aproximar do mundo indígena e seus valores.
swissinfo, Patrick John Buffe, Cidade do México
adaptação, Claudinê Gonçalves
“Mãe Terra, Pelo renascimento indígena”, de Daniel Wernus, 268 páginas, Edições Casa Juan Pablos, México, 2004
Existe oitra edicão em espanhol, publicada en Quito, Equador, Edições Abya Yala.
A edição em francês, “Madre Tierra, Pelo renascimento ameríndio, foi publicada pelas Edições Albin Michel, Paris, Coleção Guide Clés, 2002.
A organização não governamental Tradições para o Amanhã foi criada em 1986 pelos suíços Christiane e Diego Gradis, para apoiar comunidades indígenas que querem presenvar sua identidade cultural.
A ONG, estabelecida na Suíça, França e Estados Unidos, já apoiou 250 projetos indígenas em 12 países da América Latina.
O método de trabalho da ONU pode ser resumido assim: ouvir antes de falar, olhar antes de mostrar, compreender antes de explicar, receber antes de dar.
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