Esquerda derrotada em votações
Um sonoro não à abolição do Exército e nítida recusa de imposto sobre lucros em transações na Bolsa. Estes os resultados mais interessantes de votações suíças no fim de semana.
Num país de democracia direta, os suíços votam três ou quatro vezes por ano. Neste fim de semana, havia 5 propostas submetidas a votação popular:
– um decreto federal visando frear o endividamento do país -108 bilhões de francos – e 4 iniciativas populares (instrumento da democracia direta):
– taxação sobre energias (não renovável e hidráulica) para financiar aposentadorias e reduzir cotizações sociais
– supressão do Exército
– introdução de um serviço civil pela paz
– e impostos sobre ganhos em capital.
Só a proposta do Governo foi aceita. Todas as 4 iniciativas foram rejeitadas claramente.
“Não” à supressão do Exército e reforma do fisco
Os analistas da imprensa suíça são unânimes: os resultados refletem medo decorrente principalmente do “efeito 11 de setembro”.
No que diz respeito à proposta de abolir as forças armadas, não se levou em conta “o agravamento da situação internacional e as reformas do Exército” que foi enxugado bastante desde que, em 1989, em voto similar, os anti-militaristas receberam 36 por cento de sufrágios favoráveis.
Sobre o assunto, o jornal Blick, de Zurique (o de maior tiragem), afirma que os pacifistas que há 12 anos conseguiram “sucesso de estima”, desta vez receberam “um tapa na cara”.
Reforma “inoportuna”
Segundo o Neue Zürcher Zeitung (de Zurique): “O povo e os cantões (estados) não querem novos impostos, nem novas aventuras fiscais dispendiosas e ainda menos trocar a defesa armada contra uma canção de paz nesses tempos de ataques terroristas”.
O reflexo securitário também valeu para a iniciativa dos Verdes em favor de taxas sobre a energia e no sentido de sustar as despesas governamentais, escreve o Quotidien Jurassien (oeste).
L’Express, de Neuchâtel (oeste) realça igualmente que a ameaça terrorista, a guerra no Afeganistão, e a tensa situação no Oriente Médio deram nova credibilidade à defesa armada.
“Estabilidade acima de tudo”
Para o Tribune de Genève, sudoeste, “o povo se uniu na prudência”. E o La Liberté, de Friburgo, estima que “depois dos atentados de 11 de setembro, as democracias ocidentais precisam de tranqüilidade”.
O Berner Zeitung, de Berna, constata que “a estabilidade está acima de tudo”, uma vez que os acontecimentos dos últimos meses (atentados, Afeganistão e inclusive a crise da Swissair) convenceram os suíços de que “não é hora de reformas radicais”.
Resta que as 4 iniciativas votadas no fim de semana foram todas apresentadas pela esquerda que sái então enfraquecida do escrutínio. Segundo o jornal Le Temps, de Genebra, é “uma derrota amarga para um campo que se qualifica facilmente de progressista”.
swissinfo com agências.
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