Genocídio armênio terá processo na justiça suíça
Ainda esta semana, a Câmara dos Deputados votou contra o reconhecimento oficial do genocídio armênio, perpetrado entre 1915 e 1916. No entanto, 17 responsáveis de organizações turcas serão réus em Berna, acusados de "negação de crimes contra a Humanidade".
Por uma diferença de 3 votos, a Câmara dos Deputados rejeitou o reconhecimento oficial do genocídio de armênios perpetrado pelas forças otomanas entre 1915-16, em que morreram entre 800 mil e 1,5 milhão de pessoas. O governo era contra o reconhecimento e o ministro das Relações Exteriores, Joseph Deiss, afirmou que preferia o diálogo com a Turquia.
No debate parlamentar de terça-feira, vários deputados mencionaram que a que o Código Penal suíço já reconhecia o genocídio como crime. Eles se referiam ao artigo 261 bis, que pune “os que … publicamente, … negarem, minimizarem grosseiramente ou procurarem justificar um genocídio ou outros crimes contra a Humanidade”.
Até agora, esse artigo do Código Penal suíço, previsto contra o racismo, só foi aplicado a casos de negação do holocausto, crimes nazistas contra o povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial.
Quatro anos atrás,, organizações armênias na Suíça deram queixa no tribunal de Berna contra os autores de uma petição que negava que o exércio do Império Otomano cometera um crime coletivo contra o povo armênio, entre 1915 e 1916.
A queixa foi aceita pelo tribunal e o julgamento deverá ocorrer ainda este ano. O contexto é delicado porque sabe-se que a petição assinada por 17 líderes de organizações turcas teriam sido redigida com a colaboração de autoridades turcas.
O presidente do tribunal disse estar consciente que o processo pode provocar uma crise diplomática entre a Suíça e a Turquia. O juiu solicitou inclusive um estudo sobre a maneira como a Turquia interpreta a questão armênia.
Michel Walter
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