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Genocídio em Ruanda continua, revela advogado

Jacques Vergès, à esquerda, e Jacques Poncet, à direita: arquivo Keystone Archive

"Genocídio permanente", este o título de relatório enviado ao Tribunal Penal Internacional de Haia pelo advogado suíço, por Dominique Poncet. Jacques Vergès, advogado francês, também colabora na denúncia do que se passou e ainda se passaria em Ruanda.

Em associação com Jacques Vergès, Dominique Poncet enviou esse relatório de 40 páginas que denuncia o genocídio de 1994 dos tutsi pelos hutu e o atual dos hutu pelos tutsi. O destinatário é Carla del Ponte, ex-procuradora geral suíça e atual presidente do Tribunal Penal Internacional.

Se os tutsis têm sido apresentados como vítimas de uma horrível matança que custou de fato a vida a 800 mil pessoas, os dois advogados reuniram “testemunhos concordantes” que permitiriam afirmar que a Frente Patriótica Ruandesa, FPR – atualmente no poder em Kigali – já massacrou mais de 200 mil hutu. E “esses massacres são organizados e sistemáticos”.

O documento visa justamente denunciar esse segundo genocício.

Os dois advogados indagam também porque o Tribunal Penal Internacional de Haia não manifesta interesse em conhecer os autores do atentado de abril de 1994 que desencadeou o massacre dos tutsi.

Tanto para Dominique Poncet como para Jacques Vergès (advogado das viúvas dos presidentes de Ruanda e Burundi, mortos no atentado) não há dúvida de que o principal responsável seja Paul Kagame, atual presidente de Ruanda.

Indicam mesmo que segundo ex-responsável da FPR, Christophe Hakizabera, refugiado em Benin, “a decisão de abater (o avião d) o presidente Habiarimana – então presidente de Ruanda – foi tomada numa reunião em locais da sede episcopal de Kabala”.

A respeito desse atentado, Carla del Ponte disse há um ano em Arusha: “Se o Tribunal não se ocupa do assunto, é porque ele não tem jurisdição na matéria”.

Pode-se perguntar se ela não tem motivo para mudar de idéia.

Ian Hamel, adapt. de J.Gabriel Barbosa.



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