ONGS ameaçam processar empresas suíças
Por terem mantido negócios com o regime de "apartheid" bancos e outras empresas suíças podem ser levadas à Justiça. A ameaça é da Jubileu 2000, uma coalizão que reúne cerca de 4 mil organizações não governamentais. Os acusados negam ter sustentado o regime racista, abolido em 1994.
“As organizações não governamentais (ONGs)querem acertas contas com os bancos suíços”, declarou Neville Gabriel, secretário para a Justiça da Conferência Episcopal Sulafricana, em recente viagem à Suíça. Elas exigem indenizações por danos morais mas também por trabalhos forçados, precisou Gabriel.
As pressões sobre empresas e bancos suíços vêm principalmente da Jubileu 2000, organização que reúne aproximadamente 4 mil ongs, mas também do poderoso sindicato COSATU e das principais igrejas sulafricanas.
A Suíça nunca aderiu ao boicote internacional contra a África do Sul no tempo do “apartheid”. Empresas, e sobretudo bancos mantiveram portanto seus negócios normalmente. Em 1985, por exemplo, a Africa do Sul estava em situação difícil devido a dívida externa.
O UBS, principal banco suíço, participou ativamente do reescalonamento dessa dívida, em troca de ouro. Bancos de outros países também participaram do plano, mas a Suíça ficou conhecida como segundo maior credor governo sulafricano da época.
Populações inteiras foram deslocadas e forçadas a trabalhar nas minas e nas indústrias, segundo Neville Gabriel. “Os lucros obtidos graças à repressão devem ser devolvidos às vítimas em indenizações”, afirmou ele na cidade suíça de Fribourg.
Gabriel lamentou a falta de cooperação dos bancos, que negaram abrir os arquivos para investigações e não aceitaram debater publicamente o assunto, preferindo discussões privadas. Aliás, os bancos, através da Associação Suíça de Banqueiros (ASB) negam toda implicação ou responsabilidade no regime de “apartheid”.
Os bancos alegam que sempre agiram em conformidade com a posição oficial da Suíça, que nunca aderiu às sanções econômicas contra o regime racista sulafricano. Quando à anulação da chamada “dívida odiosa” herdada do regime de “apartheid”, a ASB afirma que nunca recebeu qualquer pedido de Pretória.
swissinfo com agências
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