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Reconstituído drama de tetraplégico brasileiro

Entrada da penitenciária de Champ-Dollon, em Genebra, onde ocorreu o incidente Keystone

Por exigência da justiça suíça foi reconstituído em prisão de Genebra incidente que, em 1998, deixou Felipe Lourenço em cadeira de rodas. Foi realizada a primeira acareação de Felipe com o guarda que ele acusa de responsabilidade pela sua tetraplegia. O policial afirma que o brasileiro se automutilou.

O drama ocorreu em 7 de julho de 1998, na prisão de Champ-Dollon, em Genebra. Expulso da Suíça em 1997, Felipe Lourenço voltou e foi preso no ano seguinte, acusado de infringir lei suíça sobre permanência no país e abuso de cartões de crédito roubados.

Ao chegar à prisão foi interrogado por uma juíza de instrução que decretou sua prisão preventiva por 8 dias.

Na versão de Felipe, ele se recusara a entrar na cela e um dos guardas o empurrou e ele bateu a cabeça na parede. Ferido, reclamou que não sentia mais os braços e as pernas, mas teria sido socorrido apenas horas depois.

Na versão oficial, ele saiu nervoso da audiência com a juíza, chutou um cinzeiro e se jogou contra a porta da cela. Depois do drama teria sido rapidamente socorrido.

Uma comissão médica, designada pela justiça para analisar o caso, concluiu em agosto de 1999 que a hipótese mais provável era a automutilação e não uma agressão.

Estimava-se que o dossiê seria arquivado sem nenhuma inculpação. Mas Felipe Lourenço recorreu em dezembro e ficou decidido que a investigação seria completada.

A acareação aconteceu no domingo, primeiro de abril, a portas fechadas. Segundo o jornal “Le Matin” de Lausanne, estiveram presentes a juíza Christine Junod, encarregada da enquête e sua colega Carole Barbey, de plantão no dia do incidente, o procurador de Genebra Bernard Bertossa, especialistas médicos e guardas da prisão.

A advogada Catherine Broïdo que defende Felipe Lourenço disse a swissinfo que a acareação pode ter servido para a comissão de especialistas completar ou corrigir o laudo médico de agosto de 1999. Ela destacou ter havido contradição entre a versão do guarda e os ruídos que a juíza Carole Barbey ouviu na hora do drama.

Catherine Broïdo diz haver chance de o caso vir a ser julgado.

J.Gabriel Barbosa

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