Exílio, o castigo que Cuba impõe aos opositores políticos
Um mês depois de ser obrigado a se exilar de Cuba pelas suas ideias políticas, o artista Hamlet Lavastida afirma em Berlim que o governo de seu país castiga desta forma seus opositores por “medo”, diante de uma nova convocação para manifestação em 15 de novembro.
“Os artistas são os melhores embaixadores dos direitos civis, dos direitos culturais, da liberdade de expressão” e esse é “o grande medo” do governo, diz Lavastida, de 38 anos e ainda atormentado pelos “87 dias” que passou na prisão.
“Quando te enviam ao exílio (…), o que pensam é que, definitivamente, você vai se esquecer de tudo isso”. “Não é assim”, acrescenta.
Aceitar o exílio com sua esposa, a escritora e ativista Katherine Bisquet, membro do Movimento San Isidro (MSI) de contestação, foi a condição para concluir seu confinamento no quartel general da Segurança do Estado em Havana, onde sofreu “interrogatórios sustentados” e ameaças de ser condenado a entre “15 e 18 anos” de prisão, conta ele.
“Tenho pesadelos frequentes sobre a prisão”, acrescenta Lavastida, detido sob acusações de “incitação ao crime” depois de voltar para Cuba após concluir uma residência em uma galeria de arte de Berlim.
Lavastida “incitou e convocou a realização de ações de desobediência civil na via pública, usando as redes sociais e a influência direta sobre outros elementos contrarrevolucionários”, disse o jornal oficial Razones de Cuba.
O governo acusa o artista e outros ativistas forçados ao exílio, proibidos de entrar no país ou submetidos a detenções de curta duração, de fazer parte de um plano projetado e financiado em Washington para provocar uma mudança de governo na ilha.
Em um discurso recente, o presidente Miguel Díaz-Canel acusou a embaixada dos Estados Unidos de “identificar e promover líderes, principalmente jovens” e de “prepará-los no exterior” com esses propósitos.
Para as autoridades, “é difícil acreditar que existe uma juventude (…) que tem tanta vocação pela liberdade”, considera Lavastida.
Forçar opositores a irem embora é uma estratégia do governo comunista desde a vitória da revolução em 1959, inclusive de cubanos que lutaram junto a Fidel Castro, como o comandante Eloy Gutiérrez Menoyo, que se exilou na Espanha após ser libertado em 1986.
Por outro lado, a prática oficial também foi bem recebida por alguns ativistas como uma possibilidade para emigrar.
“A prática e as ‘soluções’ são as mesmas, agora reduzidas pelo aumento da pressão e da propagação da dissidência para todos os setores da sociedade”, opina o opositor Manuel Cuesta Morua, de 59 anos.