Ex-presidente do Fed Alan Greenspan morre aos 100 anos
O ex-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central) Alan Greenspan, uma das figuras mais influentes da economia moderna dos Estados Unidos, morreu nesta segunda-feira (22), aos 100 anos.
Apelidado de “Oráculo” e “Mestre”, ele comandou a instituição responsável pela política monetária dos Estados Unidos por mais de 18 anos, entre 1987 e 2006, mas sua reputação foi afetada pela crise financeira de 2008.
Sob sua liderança, o Federal Reserve alcançou uma era de estabilidade de preços que apoiou o crescimento econômico e ajudou a consolidar a confiança do público na instituição”, afirmou o Fed em um comunicado.
Nascido em Nova York, Greenspan foi uma criança extraordinária em matemática e estudou música antes de se dedicar à economia. Passou décadas nos círculos mais próximos do poder em Washington e comandou o Fed durante os governos de presidentes republicanos e democratas.
Iniciou a carreira pública no final da década de 1960, como conselheiro do republicano Richard Nixon, que chegou à Casa Branca em 1969. Após a renúncia de Nixon em 1974, ocupou o cargo de conselheiro de política econômica do novo presidente, Gerald Ford.
Em 1987, outro presidente republicano, Ronald Reagan, o nomeou presidente do Federal Reserve, cargo que exerceu nos mandatos de Reagan, George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush.
A esposa de Greenspan, Andrea Mitchell, uma veterana correspondente da NBC News, afirmou em um comunicado que ele faleceu em decorrência de complicações da doença de Parkinson.
“Foi um homem extraordinário que ajudou a moldar a economia americana durante décadas, sob governos de presidentes de ambos os partidos, mas sempre foi honesto ao reconhecer seus erros”, acrescentou.
O Fed expressou sua “profunda tristeza” pela morte de Greenspan, elogiando suas contribuições para “a política monetária e o pensamento econômico”, segundo um comunicado.
– “Exuberância irracional” –
Greenspan estava há apenas algumas semanas no comando do Fed, quando teve de enfrentar uma dos maiores quedas da bolsa da história, o “Crash de Outubro de 1987”.
Graças à sua rápida intervenção, com a injeção por parte do Fed de grandes volumes de recursos no sistema financeiro, saiu vitorioso dessa prova de fogo.
Posteriormente, suas breves declarações frequentemente agitavam os mercados financeiros. Cunhou a expressão “exuberância irracional” em 1996, em pleno auge da bolha da internet, para descrever o entusiasmo dos investidores e o otimismo econômico que podem impulsionar os preços das ações para além de seu valor.
Anos mais tarde, quando já havia deixado a presidência do Fed, a crise financeira de 2008 eclodiu.
Muitos o acusam de ter incentivado a desregulamentação e mantido as taxas de juros baixas, apesar do crescimento da bolha imobiliária alimentada pelos empréstimos de alto risco.
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