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Flávio Bolsonaro à frente de Lula na apuração do 1º turno presidencial

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mantém a liderança na apuração dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais, frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quase 92% das urnas apuradas.

Flávio Bolsonaro tem 47,89% dos votos frente a 44,15% de Lula.

Aos 80 anos, Lula busca um quarto mandato e, neste domingo, pediu a defesa da democracia contra a “barbárie” e o “negacionismo” que, em sua visão, são representados por seu rival.

Lula fez da soberania sua bandeira eleitoral e alerta para a pressão do presidente americano, Donald Trump, que amplia sua área de influência na região com governos de direita em Argentina, Chile e Colômbia.

Para Flávio Bolsonaro, de 45 anos, o Brasil “não aguenta mais tanto sofrimento, tantos impostos altos, tantas mulheres mortas”, disse ao votar no Rio de Janeiro. 

O senador, pouco conhecido nacionalmente há alguns meses e que se define como mais moderado que o pai, baseou sua campanha na promessa de “resgatar” o Brasil em questões como a insegurança desenfreada.

As pesquisas previram uma pequena vantagem para Lula e um segundo turno entre ambos em 25 de outubro se nenhum dos candidatos alcançar a metade mais um dos votos.

– Polarização –

Lula conta com sua base eleitoral no Nordeste e entre os eleitores de baixa renda, os católicos e as mulheres.

Thifany Simoes, de 23 anos, esquerdista que votou no mesmo colégio eleitoral de Lula, disse à AFP que quer um Brasil com muitos direitos para a população e direitos humanos. 

Bolsonaro lidera no Sul, entre os mais ricos e os evangélicos. 

“Estamos votando no Flávio Bolsonaro pra não votar no PT”, disse em Brasília o advogado Raphael Machado, de 45 anos.

Cerca de 160 milhões de eleitores estavam aptos a votar. 

“Fiz a minha parte. Estamos juntos”, disse Neymar em uma mensagem no Instagram após votar vestindo a camisa de seu clube, o Santos. 

Há quatro anos, o jogador apoiou Jair Bolsonaro em sua campanha pela reeleição contra Lula.

– Continuidade ou mudança –

Até o momento, Trump não declarou explicitamente apoio a Flávio Bolsonaro, mas disse que acompanha as eleições “muito de perto”.

O republicano vem usando tarifas e sanções para pressionar Brasília, desde que seu aliado Jair Bolsonaro foi julgado e condenado a mais de 27 anos de prisão. 

Nos comícios de Flávio Bolsonaro, seus apoiadores agitaram bandeiras americanas e imagens de Trump, enquanto muitos esquerdistas rejeitam energicamente qualquer influência.

Victor Jorge Martins, organizador de eventos de 25 anos, que demonstrou apoio a Lula em Brasília, disse à AFP que teme que Flávio ‘venda’ o Brasil aos estrangeiros.

Em poucos meses, o discreto senador conseguiu alcançar Lula nas pesquisas, mesmo sendo investigado por corrupção no financiamento de um filme biográfico sobre seu pai. 

Ele prometeu pulso firme contra a insegurança, assim como austeridade fiscal em meio ao aumento da dívida pública. 

“Precisamos de mudança. No local onde trabalho acontecem muitos assaltos. O mais importante é exatamente a nossa segurança”, disse na mesma seção Babiliana Figueira, bombeira civil de 40 anos.

– “Que defenda a natureza” –

Lula, reconhecido pelos programas sociais que tiraram milhões de pessoas da pobreza no início dos anos 2000, voltou ao poder em 2023, depois de ter sido preso por um enorme escândalo de corrupção e seu julgamento ter sido anulado por motivos processuais. 

Há quatro anos, derrotou Jair Bolsonaro por apenas 1,8 ponto percentual em uma eleição tumultuada que degenerou no ataque às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023, por parte de bolsonaristas. 

Durante o terceiro mandato de Lula, a inflação se manteve sob controle e o desemprego caiu, mas os brasileiros reclamam do alto custo de vida e se mostram cansados da criminalidade. 

Também houve uma redução drástica do desmatamento na Amazônia, embora as mudanças climáticas tenham estado ausentes da campanha, apesar da multiplicação de eventos extremos, como secas e inundações, no país.

“Nós, indígenas, sofremos muito com os impactos ambientais (…) Então é  importante escolher um candidato que defende o nosso território, defenda a natureza”, disse à AFP Tainara da Costa Cruz, 22 anos, indígena da etnia Kambeba da comunidade Três Unidos, na margem do Rio Negro, perto de Manaus, no Amazonas.

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