Hamas alerta que ofensiva israelense em Rafah deixaria ‘dezenas de milhares’ de vítimas
O Hamas alertou, neste sábado (10), que uma ofensiva terrestre israelense em Rafah poderá deixar “dezenas de milhares de mortos e feridos” nesta cidade do sul da Faixa de Gaza, último refúgio para os palestinos deslocados pela guerra no território.
Novos bombardeios israelenses atingiram neste sábado a cidade, onde vivem 1,3 milhão de palestinos, ou seja, mais de metade da população total da Faixa de Gaza. A grande maioria são refugiados que fugiram dos combates em outras áreas do enclave.
Cinco policiais morreram em dois bombardeios, segundo fontes de segurança palestinas. As forças israelenses afirmaram que dois membros do alto escalão militar do Hamas morreram em um deles.
Após consolidar sua presença na cidade de Gaza e em Khan Yunis, Israel dá sinais de preparar uma operação terrestre em Rafah.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu na sexta-feira aos militares que elaborassem um “plano combinado” para “evacuar” civis de Rafah e “destruir” o Hamas nesta cidade.
“É impossível alcançar o objetivo da guerra sem eliminar o Hamas e deixar quatro batalhões do Hamas em Rafah”, afirmou. Para isso, é necessário que “os civis evacuem as áreas de combate”, acrescentou.
O movimento islamista palestino, que governa Gaza desde 2007, advertiu em um comunicado sobre o risco de “uma catástrofe e um massacre que poderiam resultar em dezenas de milhares de mártires e feridos”.
Um pouco mais ao norte, o Ministério da Saúde do Hamas relatou “combates intensos” no Hospital Nasser de Khan Yunis, onde ainda estão presentes 300 funcionários, 450 feridos e 10.000 deslocados.
O Exército e o serviço de segurança interna de Israel afirmaram neste sábado que descobriram um túnel do Hamas na cidade de Gaza, sob a sede da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA).
A UNRWA, acusada por Israel de estar “totalmente infiltrada pelo Hamas”, indicou por sua vez que não ocupa sua sede desde 12 de outubro.
– Consequências “catastróficas” –
A população de Rafah vive na incerteza. “Estamos entre a vida e a morte e não sabemos se amanhã haverá esperança de uma trégua ou mudanças no campo”, disse Basel Matar, um deslocado.
“Forçar mais de um milhão de palestinos deslocados em Rafah a evacuar [a cidade] novamente sem encontrar um lugar seguro para onde ir seria ilegal e teria consequências catastróficas”, disse Nadia Hardman, especialista em direitos de migrantes e refugiados da ONG Human Rights Watch.
O alto representante da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, alertou que “uma ofensiva israelense sobre Rafah provocaria um desastre humanitário indescritível e graves tensões com o Egito”.
Países como Alemanha, Arábia Saudita, Jordânia e Espanha expressaram também seus receios, assim como a ONU.
Os Estados Unidos alertaram que não apoiariam uma operação “sem planejamento e sem reflexão” sobre o destino dos civis.
Em uma rara crítica a Israel desde o início da guerra, há quatro meses, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, considerou “excessiva” a “resposta na Faixa de Gaza” ao ataque de 7 de outubro.
O conflito eclodiu naquele dia, quando milicianos islamistas mataram mais de 1.160 pessoas, a maioria civis, e sequestraram cerca de 250 no sul de Israel, segundo um relatório da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Em resposta, Israel prometeu “aniquilar” o Hamas e lançou uma campanha incansável de bombardeios e operações terrestres contra Gaza, onde 28.064 pessoas morreram até agora, principalmente mulheres, crianças e adolescentes, segundo o Ministério da Saúde do governo do Hamas.
– Tensões na região –
Na frente diplomática, um “novo ciclo de negociações”, patrocinado pelo Egito e pelo Catar, e com a participação do Hamas, começou na quinta-feira no Cairo com o objetivo de obter “calma na Faixa de Gaza” e uma troca de reféns nas mãos do movimento islamista por prisioneiros palestinos em Israel, indicou um alto funcionário egípcio.
A delegação do Hamas deixou a cidade na sexta-feira após “negociações boas e positivas” com mediadores, disse uma fonte do grupo.
Uma trégua de uma semana no final de novembro permitiu a troca de cerca de uma centena de reféns por prisioneiros palestinos. Estima-se que cerca de 132 pessoas capturadas em 7 de outubro ainda estejam em Gaza e que 29 delas teriam falecido.
Segundo o portal Axios, o chefe da CIA viajará na próxima semana ao Egito para tentar obter uma nova pausa nos combates e a libertação de reféns.
A guerra em Gaza também exacerbou as tensões no Líbano, Iraque, Síria e Iêmen, onde grupos apoiados pelo Irã lançaram ataques em apoio ao Hamas, gerando retaliações de Israel, Estados Unidos e seus aliados.
Um alto funcionário do Hamas sobreviveu no sábado a um ataque israelense no Líbano, informou uma fonte de segurança palestina à AFP, em um incidente no qual dois civis morreram, segundo os socorristas.
No Iêmen, bombardeios americanos mataram na madrugada de sábado 17 combatentes huthis, informou a mídia oficial do grupo rebelde após os funerais dos falecidos em Sanaa, capital do país.
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