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Incêndios florestais levam a evacuação de milhares de pessoas no sul da Europa

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Incêndios florestais violentos, alimentados pelo vento e pelas temperaturas elevadas, devastavam várias regiões do sul da Europa e levaram à evacuação de milhares de pessoas na França e na Espanha, que decretou emergência nacional na noite desta quinta-feira. 

Este ano é o segundo em termos de área queimada pelo fogo na União Europeia desde que os registros começaram, há 20 anos, segundo dados de satélite do sistema Effis analisados pela AFP. 

Três bombeiros morreram nos últimos dias, dois deles na França e um na Itália, enquanto a Europa enfrenta uma onda de calor cada vez mais intensa, com temperaturas de mais de 40°C em algumas regiões.

No sul da França, autoridades lutavam contra dois incêndios de grande magnitude, um dos quais, em Le Porge, afetou 4.800 hectares, segundo a última estimativa, e levou a mais de 20 mil evacuações em uma área de floresta. Segundo fontes consultadas pela AFP, as chamas teriam sido provocadas por trabalhos de limpeza de vegetação em uma estrada florestal.

O outro incêndio, que começou na última terça-feira em um campo e que se espalhava pelo departamento de Var (sudeste), afetou 2.700 hectares e levou à evacuação de mais de 300 pessoas.

A França solicitou a ativação do mecanismo de proteção civil da União Europeia (UE) e contará com meios aéreos europeus para combater os incêndios, anunciou nesta sexta-feira (24) no X o presidente do país, Emmanuel Macron: “Poderemos contar em breve com o reforço de dois Canadair croatas, dois Air Tractor portugueses e dois helicópteros pesados Black Hawk tchecos e eslovacos.”

Segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, mais de 12.500 incêndios foram registrados desde o começo do ano e 44.000 hectares já foram queimados. Os incêndios florestais nunca consumiram uma área tão grande do país nesta época do ano. Espanha e Itália também enfrentam um de seus piores anos.

– Incêndios na Sicília –

As florestas queimam com mais facilidade porque a vegetação e os solos europeus sofrem há meses com uma seca agravada pelas ondas de calor excepcionais que atingiram o continente em junho e julho, causando maior evaporação da água. 

São justamente as mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima contínua de petróleo, carvão e gás, que agravam a seca atual, concluíram os climatologistas do grupo World Weather Attribution em um estudo publicado nesta quinta-feira.

Na Itália, dezenas de incêndios florestais e de vegetação devastam a Sicília, anunciou o ministro do Interior, Matteo Piantedosi. 

Cem moradores, assim como 22 pacientes de uma clínica no centro da ilha, onde as temperaturas ultrapassaram os 40°C nos últimos dias, foram evacuados na quarta-feira, segundo os bombeiros. 

“Foram mobilizados 6.000 efetivos e 20 meios aéreos estão operando”, declarou, na noite de quarta-feira, o presidente da região, Renato Schifani, que detalhou que cerca de 50 incêndios, dos 344 reportados na quarta-feira, seguem ativos.

Um porta-voz da Agência de Proteção Civil da Itália disse à AFP que os incêndios estão sendo alimentados por “temperaturas muito altas e solo muito seco”.

Mais de 160 incêndios também foram relatados nas últimas 24 horas na Calábria, região vizinha.

– Emergência na Espanha –

O governo da Espanha decretou na noite desta quinta-feira emergência de alcance nacional na região de Madri e na província de Ávila, devido a incêndios florestais fora de controle. O mais importante se encontrava aproximadamente 100 km ao norte de Madri, na província de Guadalajara.

Desde a quinta-feira passada, as chamas devastaram 32.000 hectares. Autoridades evacuaram hoje os 3.500 habitantes de Aldea del Fresno, a 60 km de Madri.

Em toda a região madrilenha, onde vários incêndios florestais estão ativos, há mais de 10 mil evacuados, segundo o governo regional. Dezoito unidades dos bombeiros trabalhavam no combate ao incêndio declarado perto de Aldea del Fresno, juntamente com soldados da Unidade Militar de Emergências (UME), informaram os serviços de emergência.

Em 2025, mais de 393.000 hectares foram consumidos pelas chamas na Espanha, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (Effis), o que representa o pior balanço na história recente do país.

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