Incêndios mantêm região de Atenas sob ameaça
Os incêndios que devastam a região de Atenas há quatro dias continuavam representando uma ameaça nesta segunda-feira (3), apesar da diminuição das rajadas de vento e da intervenção de mais de dez aviões-tanque.
Embora os bombeiros tenham apontado uma ligeira melhora da situação na manhã desta segunda-feira, o prefeito da cidade de Megara — 30 km a oeste da capital e um dos principais focos desses incêndios — informou sobre uma “reativação do fogo que ocorreu à tarde”.
“Apesar de o vento ter enfraquecido na região, em Kandyli ainda há rajadas e correntes geradas pelo ar quente que sobe, e observa-se uma reativação do fogo”, declarou Panagiotis Margetis à AFP.
Os principais focos situam-se nas localidades de Kandyli e Agia Skepi, 50 km ao noroeste de Atenas. Mas “o fogo muda constantemente de direção” e está se aproximando da zona industrial de Megara, o que é “muito perigoso”, acrescentou o prefeito à emissora estatal Ertnews.
A assessoria de imprensa do corpo de bombeiros confirmou na tarde desta segunda-feira à AFP que “o incêndio se intensificou”.
No entanto, “isso é normal, já que ainda há focos ativos”, ponderou a mesma fonte.
– “Uma das piores crises” –
Afetada todo verão por incêndios devido às frequentes ondas de calor e à seca, a Grécia esteve até então relativamente a salvo dos grandes fogos que atingiram, no início da temporada de verão, a França e a Espanha.
Mas em uma semana, mais de 12.000 hectares de florestas e terras agrícolas queimaram neste país que, assim como todo o litoral mediterrâneo, foi duramente afetado pela crise climática, segundo dados publicados pela imprensa, que cita uma análise do observatório europeu Copernicus.
Diante do recrudescimento das chamas perto de Megara, que tem mais de 20.000 habitantes e é uma das cidades industriais do oeste de Atenas, os bombeiros continuam “em alerta”.
Graças à diminuição dos ventos, que chegaram a superar os 100 km/h nos últimos dias, treze aviões-tanque puderam decolar cedo nesta segunda-feira para apoiar os 12 helicópteros e os 450 efetivos mobilizados em terra.
“Eu diria que se trata, sem dúvida, de uma das piores crises relacionadas a incêndios que tivemos de enfrentar nos últimos 8 ou 10 anos”, declarou à AFP Théodore Giannaros, pesquisador do Observatório Nacional da Grécia.
E o aumento das temperaturas previsto para quarta-feira (até 37 ºC) poderá complicar a situação.
“Os combustíveis vão secar ainda mais rapidamente” e “isso os tornará mais inflamáveis”, advertiu Giannaros.
– Inaceitável –
Os habitantes não conseguem acreditar na magnitude da catástrofe, que afetou áreas florestais e agrícolas, sobretudo olivais.
Até o momento, pouquíssimas residências foram queimadas, segundo constataram os fotógrafos da AFP, e o fogo destruiu principalmente a vegetação das encostas das montanhas.
“É um desastre total, o que aconteceu é inaceitável”, declarou à AFP Konstantinos Makrinoris, ex-prefeito da cidade de Vilia, perto de Porto Germeno, uma localidade às margens do golfo de Corinto onde muitos atenienses vão passar o verão.
“O fogo conseguiu percorrer 45 km até aqui a partir do local onde começou”, detalhou.
Um fotógrafo da AFP viu colunas de fumaça se elevarem sobre a encosta de uma montanha e sobre alguns olivais, mas a situação é incomparável à da véspera, quando os ventos atiçavam as chamas.
O fogo fez várias vítimas na Grécia: três bombeiros morreram na semana passada e um piloto e o copiloto de um helicóptero morreram neste domingo ao colidir com outro aparelho enquanto tentavam apagar o fogo nos arredores de Psatha.
bur-hec/mmy/meb/fp/yr/jc