Incêndios na França e na Espanha forçam evacuação de dezenas de milhares de pessoas
Dezenas de milhares de pessoas foram evacuadas nesta sexta-feira (24) devido aos incêndios no sudoeste da França e nos arredores da capital da Espanha, onde dois grandes focos de incêndio no oeste de Madri podem se unir em uma única frente e agravar ainda mais a situação.
Pelo menos 63 mil pessoas precisaram ser evacuadas ou permanecem confinadas na região de Madri por causa do “pior incêndio da história” da área, anunciou a presidente da comunidade autônoma, Isabel Díaz Ayuso.
“A previsão é de que o vento continue soprando e, portanto, até a noite o incêndio possa continuar avançando”, afirmou o delegado do governo regional, Fran Martín Aguirre. O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, deve visitar a região na manhã de sábado.
Nesta sexta-feira, os bombeiros lutam para impedir que os diferentes focos de incêndio convergissem, mas não tiveram êxito.
Agora o medo é que o incêndio na região de Madri (que queimou 6 mil hectares) e outro na província vizinha de Castela e Leão (9 mil hectares devastados) se unam.
O conselheiro regional de Meio Ambiente, Carlos Novillo, disse que o incêndio no sudoeste da região se encontra em seu “momento mais crítico” e que “já está além da capacidade de extinção”.
Por sua vez, a Guarda Civil deteve uma pessoa e outra está sendo investigada como possíveis autores do incêndio em Castela e Leão.
Embora ainda longe da capital, as chamas atingem uma série de municípios residenciais bastante povoados, muitas vezes cercados por colinas, áreas de mata e vegetação rasteira que favorecem a propagação do fogo.
“Tenho 53 anos e já vi incêndios grandes, mas não um tão grande como esse”, afirma Félix Hernández, vereador do município de Aldea del Fresno, que foi totalmente evacuado.
Outro importante incêndio em Guadalajara, iniciado na quinta-feira em uma área pouco povoada ao nordeste de Madri que queimou 32 mil hectares, encontra-se agora em fase de estabilização. O Exército se retirou da região.
Desde 1º de janeiro, quase 130 mil hectares na Espanha foram queimados, em comparação com 393 mil em todo o ano de 2025.
As condições meteorológicas complicam o trabalho dos bombeiros e dos militares que tentam conter as chamas, segundo imagens divulgadas pela Guarda Civil.
“Temos uma situação adversa, como vocês podem ver pelo vento. (…) Temos estimativas superiores a 50 km/h, a temperatura também não vai facilitar a nossa tarefa, nem o grau de umidade”, indicou o ministro do Interior, Fernando Grande Marlaska, a partir do posto de comando instalado na área.
– 141 mil evacuados na França-
Na França, o fogo também não dá trégua, e devasta zonas próximas à cobiçada região vinícola de Bordeaux, no sudoeste do país, onde os incêndios obrigaram moradores e turistas a fugir da península de Cap Ferret de barco e por estrada, em plena temporada de férias de verão.
No total, cerca de 141 mil pessoas foram retiradas das duas áreas ameaçadas pelos incêndios florestais no sudoeste da França, onde as chamas destruíram 19 mil hectares, informou nesta sexta-feira o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
O ministro prometeu que as autoridades francesas “farão todo o possível para proteger” a cidade de Bordeaux, perto da área das queimadas.
Os departamentos de Gironda (tendo Bordeaux como capital) e de Landes, ambos no sudoeste, são os mais afetados.
Este ano é o segundo com maior área queimada por incêndios na União Europeia desde que começaram os registros, há 20 anos, segundo dados de satélites do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (Effis) analisados pela AFP.
Desde o início do ano, mais de 50 mil hectares queimaram em incêndios na França, quase o triplo do registrado no mesmo período de 2025, indicou o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Em um ginásio poliesportivo na cidade de Lège Cap Ferret, Maria Lalanne, uma moradora de 90 anos e sem família, foi retirada durante a noite e teve que deixar em casa o seu aparelho auditivo e seus óculos. “Não sei quanto tempo isso vai durar. Não sei o que aconteceu com a minha casa”, diz, atordoada.
A mudança climática, causada principalmente pela queima contínua de petróleo, carvão e gás, agrava a seca atual, segundo climatologistas do grupo World Weather Attribution em um estudo publicado na quinta-feira (23).
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