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Jovem é baleado após marcha estudantil no Chile

Estudantes marcham pelo centro de Santiago do Chile pedindo um aumento do bônus de alimentação e contra o assédio sexual no meio educacional, em 25 de março de 2022 afp_tickers

Um jovem foi baleado enquanto participava de uma marcha estudantil nesta sexta-feira (25) no centro de Santiago, onde indivíduos encapuzados provocaram alguns episódios de violência, no primeiro protesto durante o presidente de esquerda Gabriel Boric, com apenas duas semanas no cargo.

“Um jovem foi ferido por um disparo”, disse à imprensa o vice-secretário do Interior, Manuel Monsalve, ao informar que o manifestante foi ferido por uma arma de um “funcionário de trânsito, não do Controle de Ordem Pública.

Pouco depois, a ministra do Interior, Izkia Siches, reunida na cidade vizinha de Viña del Mar com o presidente Boric, informou que se trata de um jovem de 19 anos “que foi ferido por um impacto de bala no tórax” e qualificou o fato como “gravíssimo”.

Os ministros da Educação, Marco Aguilar, e da Saúde, María Begoña Yarza, que participaram com o presidente de uma reunião extraordinária de ministros e parlamentares da coalizão de governo, viajaram imediatamente a Santiago para saber do estado de saúde do jovem, que não corria risco de vida.

Segundo a Polícia, o funcionário atirou sua arma de serviço para se defender quando, junto com outros colegas que desviavam o trânsito, para agilizar a passagem da marcha foram atacados por um grupo de indivíduos não identificados. “A proporcionalidade será investigada e seus detalhes serão colocados à disposição das instâncias correspondentes”, disse a general dos Carabineiros, Marcela González.

A Força Aérea do Chile informou, por sua vez, que três de seus funcionários foram atacados com pedras e outros objetos por participantes da marcha.

“É muito importante que o trabalho de resguardo da ordem pública sempre esteja acompanhado da proteção dos direitos humanos das pessoas”, afirmou a porta-voz do governo, Camila Vallejo.

“Isso vai implicar o grande desafio que tempos como governo pela frente (…), que é a reforma dos Carabineiros”, uma instituição questionada por agir para controlar as manifestações sociais, acrescentou.

O autônomo Instituto Nacional de Direitos Humanos elogiou a rápida investigação iniciada pelo Ministério Público – “Esperamos que esses fatos sejam esclarecidos o mais breve possível”, disse Beatriz Contretas, chefe da região Metropolitana do órgão.

– Junte-se à luta –

“Boric, escuta, junte-se à luta”, gritaram grupos de estudantes universitários ao passar em frente ao Palácio Presidencial de La Moneda.

Os manifestantes pediam um aumento do valor de um cartão de alimentação entregue pelo Estado, equivalente a cerca de dois dólares por dia, e foram recebidos por autoridades do Ministério da Educação.

“Esta bolsa não foi aumentada segundo a inflação em doze anos, o que é inaceitável (…) não chega com a grana de hoje em dia”, disse à AFP Ale, estudante de direito de 21 anos.

“Se Boric hoje em dia é presidente da República é graças ao movimento estudantil. Sabemos que ele deve ter um compromisso permanente com a educação, que não melhorou”, afirmou Sebastián, também estudante de direito.

Paralelamente, alunas do ensino médio somaram-se à manifestação para protestar contra as denúncias de abuso e assédio nas escolas.

Boric, ex-líder estudantil, liderava há uma década manifestações reivindicando educação pública, gratuita e de qualidade no Chile.

“O cartão da Junaeb (Junta nacional de auxílio escolar e bolsas) nos deixa a (base de) pão e água”, protestaram os estudantes com vários cânticos dirigidos a Boric, de 36 anos, que assumiu o poder em 11 de março como o presidente mais jovem da história do Chile.

– Encapuzados e violência –

A alguns metros da sede presidencial, um grupo de encapuzados saqueou uma farmácia e depredou uma parada do transporte público. Também atirou pedras em policiais, que desta vez controlaram a marcha com menos pessoal e maior distância da coluna principal de estudantes, que em sua maioria fizeram uma mobilização pacífica.

Grupos violentos também agrediram uma equipe da TV pública chilena e uma agente de polícia no centro de Santiago.

Para repelir os encapuzados, as forças especiais lançaram jatos d’água e fizeram soar as sirenes de seus carros de polícia, mas desta vez sem jogar bombas de gás lacrimogênio.

Boric propôs em seu programa de governo avançar em um sistema de proteção mais robusto em educação, pensões e saúde.

Também prometeu avançar no perdão das dívidas milionárias que arrastam estudantes que adotaram o chamado “CAE” ou Crédito com Aval do Estado, instaurado em 2006 e que permitiu a muitos estudantes de classe baixa e média acessarem as universidades chilenas, mas com um alto nível de endividamento por causa dos juros.

O CAE tem cerca de 350.000 inscritos e supera os 10 bilhões de dólares no Chile, um dos países com a educação mais cara da América Latina.

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