Manifestantes exigem em Israel acordo sobre reféns em Gaza
Dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas de Israel nesta terça-feira (26) para exigir a libertação dos reféns e o fim da guerra em Gaza, sobre a qual o presidente Donald Trump dirigirá uma “grande reunião” na quarta-feira na Casa Branca.
Após quase 23 meses de ofensiva israelense no assolado território palestino, também atingido pela fome segundo a ONU, as operações militares israelenses causaram ao menos 35 mortos na terça-feira, de acordo com dados da Defesa Civil que a AFP não pôde verificar devido às restrições impostas à imprensa e às dificuldades de acesso ao local.
Ao longo do dia, manifestantes se reuniram em cruzamentos de estradas e em frente às residências de ministros israelenses para exigir uma trégua no conflito, iniciado pelo ataque do movimento islamista Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.
“Chega!”, gritou ao microfone Silvia Cunio, cujos dois filhos estão há 690 dias cativos em Gaza, no início de uma grande concentração em Tel Aviv à noite.
A mobilização, convocada pelo Fórum de Famílias de Reféns, começou logo cedo, quando cerca de 400 manifestantes pararam carros, agitavam bandeiras israelenses e exibiam fotos dos cativos, segundo um fotógrafo da AFP.
Das 251 pessoas sequestradas durante o ataque do Hamas em 2023, 49 continuam detidas lá, das quais ao menos 27 teriam morrido, segundo o Exército israelense.
Esses protestos coincidiram com uma reunião do gabinete de segurança de Israel, anunciada após os ataques daquele país contra o hospital Nasser, em Khan Yunis, no sul de Gaza, que causaram a morte de cinco jornalistas, três colaboradores da Al Jazeera, Reuters e AP.
O Exército israelense afirmou nesta terça-feira que esse ataque tinha como alvo “uma câmera colocada pelo Hamas na área do hospital Nasser, usada para observar a atividade das tropas a fim de dirigir atividades terroristas contra elas”.
Acrescentou que no ataque, no qual um total de 20 pessoas perderam a vida, morreram seis “terroristas”. Nenhum dos seis nomes divulgados corresponde aos repórteres mortos.
O Hamas rejeitou a declaração do Exército israelense, qualificou-a como “infundada” e acrescentou que “trata-se de uma explicação desprovida de qualquer prova, que busca apenas escapar da responsabilidade jurídica e moral de um massacre”.
– “Monstros” –
Após a reunião do gabinete, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu falou em um evento realizado na noite desta terça-feira, sem dar detalhes sobre as intenções do governo. Meios de comunicação locais informaram que a reunião havia terminado sem conclusões.
“Direi uma coisa: isso começou em Gaza e terminará em Gaza. Não deixaremos esses monstros lá, libertaremos todos os nossos reféns e garantiremos que Gaza nunca mais represente uma ameaça para Israel”, afirmou.
Esperava-se que o gabinete, um grupo seleto com capacidade para tomar decisões estratégicas, se pronunciasse sobre a mais recente proposta de cessar-fogo dos mediadores (Catar, Egito e Estados Unidos), já aceita pelo Hamas.
Enquanto a guerra continua causando estragos, o presidente americano, Donald Trump, presidirá na quarta-feira uma “grande reunião” na Casa Branca em que será discutido “um plano muito completo” sobre os planos para o território no pós-conflito, anunciou seu enviado especial Steve Witkoff.
Em fevereiro, o magnata republicano lançou a ideia de que os Estados Unidos assumissem o controle da Faixa para reconstruí-la e transformá-la na “Riviera do Oriente Médio”, uma vez evacuada de seus habitantes.
– Sentar-se à mesa –
Na semana passada, Netanyahu ordenou manter conversas imediatas para assegurar a libertação dos cativos em Gaza, sem mencionar a proposta dos mediadores.
Segundo fontes palestinas, ela contempla a libertação escalonada de reféns ao longo de um cessar-fogo inicial de 60 dias em troca da libertação de prisioneiros palestinos em Israel.
Paralelamente, o dirigente israelense aprovou um plano para que o exército tome a Cidade de Gaza, a maior urbe do território e reduto do Hamas, o que despertou temores pela segurança dos reféns e uma nova onda de protestos de dezenas de milhares de pessoas nas ruas.
O governo de Netanyahu enfrenta pressão dentro e fora do país para pôr fim à sua campanha em Gaza, onde a guerra provocou uma crise humanitária e devastou grande parte do território palestino.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) advertiu nesta terça-feira que a ajuda que Israel permite entrar em Gaza é insuficiente diante da situação de fome na Faixa.
A ONU instou nesta terça-feira Israel não apenas a investigar suas incursões mortais, mas também a “obter resultados”.
O ataque do Hamas contra Israel que desencadeou o conflito em 2023 causou a morte de 1.219 pessoas, em sua maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em cifras oficiais.
A campanha israelense de represália em Gaza matou ao menos 62.819 palestinos, também em sua maioria civis, segundo cifras do Ministério da Saúde do território — governado pelo Hamas —, que a ONU considera confiáveis.
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