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Empresas de tecnologia médica emitem sinais de alerta

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Sim Keystone / Gaetan Bally

Menos novos empregos, menos investimentos: a fase de expansão das empresas do setor de tecnologia médica (indústria voltada ao desenvolvimento e fabricação de dispositivos, aparelhos e instrumentos para uso em saúde) parece ter chegado ao fim.

Este é o setor em questão: Empresas suíças de tecnologia médica fabricam produtos como implantes dentários, seringas de insulina, próteses de quadril, marca-passos ou aparelhos de diagnóstico. Cerca de 1.400 empresas atuam nessa área no país. Em 2025, o setor registrou um faturamento recorde de 26 bilhões de francos e empregou quase 72 mil colaboradores. O segmento representa uma importante indústria exportadora da Suíça e alcançou, em 2025, um superávit na balança comercial (quando o valor das exportações de um país supera o de suas importações) de mais de cinco bilhões de francos. O principal mercado de exportação é a União Europeia, seguido pelos Estados Unidos.

A importância do setor: As empresas de tecnologia médica desempenham um papel relevante não apenas na economia, mas também no sistema de saúde da Suíça. Elas abastecem consultórios médicos, hospitais e laboratórios com instrumentos e aparelhos essenciais. Além disso, fortaleceram a posição suíça nas cadeias globais de suprimentos (redes internacionais de produção, transporte e distribuição de mercadorias) durante a pandemia de coronavírus: como outros países tinham interesse nos aparelhos suíços de diagnóstico ou respiradores, a Suíça esteve integrada a redes de cooperação que, por sua vez, lhe garantiram acesso a princípios ativos (substâncias químicas responsáveis pelo efeito terapêutico de um medicamento) fundamentais.

A fabricante de tecnologia médica Zimmer Biomet planeja uma possível redução expressiva de postos de trabalho na unidade de Winterthur, no cantão de Zurique. Conforme anunciou a fabricante de próteses articulares na quarta-feira, uma reestruturação do parque produtivo em Winterthur poderá resultar na extinção de até 580 das 730 vagas existentes. Damian Müller, deputado federal do Partido Liberal Radical (PLR) e presidente da Swiss Medtech (a associação das empresas do setor), classificou o anúncio como “extremamente preocupante”. Segundo Müller, a decisão corrobora os alertas do novo estudo setorial da entidade: o centro empresarial suíço vem perdendo atratividade.

O que diz o novo relatório do setor: Swiss Medtech publica a cada dois anos um relatório sobre a situação da indústria de tecnologia médica. Segundo o documento, o setor continua em boa situação. Nos últimos dois anos, o faturamento cresceu duas vezes mais rápido do que o conjunto da economia suíça. Contudo, a Swiss Medtech adverte: “Mais da metade das empresas avalia a atratividade da Suíça como centro de negócios pior hoje do que há cinco anos”. Esse cenário já se reflete nos números: “Em termos líquidos, foram criados recentemente apenas cerca de 200 novos postos de trabalho, um número expressivamente inferior à média decenal de aproximadamente 1.500 vagas”. Além disso, 43% das empresas consultadas afirmaram não planejar novos investimentos, o índice mais alto registrado desde o início da série histórica do levantamento. O diretor da Swiss Medtech, Adrian Hunn, classifica a evolução como “preocupante”, ressaltando que os investimentos de hoje representam os empregos de amanhã.

As causas apontadas pelo setor: A força do franco suíço, as barreiras comerciais (obstáculos tarifários ou burocráticos impostos por governos à entrada de produtos estrangeiros) e os altos custos salariais constituem as principais dificuldades para as empresas. O franco valorizado é um problema recorrente para setores fortemente exportadores, pois encarece os produtos suíços no exterior. Como barreiras comerciais, a Swiss Medtech menciona as tarifas alfandegárias norte-americanas e os impasses não resolvidos nas relações com a União Europeia. Desde 2021, não há mais o reconhecimento mútuo das certificações de dispositivos médicos entre a Suíça e o bloco europeu. Esse fator dificultou de forma expressiva o comércio desses artigos e gera custos e burocracia adicionais às empresas suíças, entre 150 milhões e 200 milhões de francos por ano, de acordo com consultas internas da entidade.

As demandas do setor à classe política: Para a Swiss Medtech, a prioridade máxima deve ser a eliminação de entraves comerciais. Além da normalização das relações com a União Europeia, a entidade reivindica o reconhecimento, por parte da Suíça, das aprovações de dispositivos médicos concedidas pelas autoridades dos Estados Unidos. Essa medida poderia facilitar o abastecimento de produtos médicos no mercado suíço e ampliar a atratividade do país para empresas com atuação internacional. A indústria também critica o excesso de burocracia e a elevada carga de tributos na Suíça, exigindo alívio fiscal e simplificação regulatória.

Adaptação: Alexander Thoele

Há anos as empresas suíças de tecnologia médica transferem etapas de suas linhas de produção para outros países. Essa “localização” (estratégia de aproximar a fabricação física dos principais mercados consumidores) produtiva no exterior é indispensável, afirma Simon Michel, executivo-chefe da companhia de tecnologia médica Ypsomed. Sediada em Burgdorf, a empresa mantém filiais na Alemanha, na China e planeja expandir operações nos Estados Unidos. “Queremos e precisamos produzir mais perto dos clientes, junto às indústrias farmacêuticas que abastecemos”.

Resta incerto, no entanto, se a Suíça conseguirá conter esse movimento apenas com a melhoria das condições para negócios demandada pelo setor. O SEO da Ypsomed sustenta: “A Suíça precisa tentar compensar essa tendência de aproximação física dos clientes tornando o seu próprio mercado doméstico ainda mais competitivo”.

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