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Mandato de potência protetora da Suíça no Irã sob crítica

Nuvem de fumo sobre Teerão.
Fumaça sobre Teerã em 1 de março de 2026. Copyright 2026 The Associated Press. All Rights Reserved.

A Suíça representa os interesses dos EUA no Irã. Porém políticos criticam o mandato de potência protetora.

A hostilidade de longa data entre o Irã e os EUA culminou em uma guerra. Para a Suíça, a situação é especial, pois, desde 1980, ela representa os interesses dos EUA no Irã como potência protetora.

“O importante é que esse canal de comunicação entre Washington e Teerã permaneça aberto”, afirma Monika Schmutz Kirgöz, chefe do Departamento do Oriente Médio e Norte da África do Ministério suíço das Relações Exteriores (EDA, na sigla em alemão).

Os mandatos de potência protetora fazem parte da política externa e de paz da Suíça e têm uma longa tradição. Eles garantem aos Estados um mínimo de contatos mútuos após o rompimento de suas relações diplomáticas ou consulares. Agora, porém, as críticas ao mandato no Irã estão se tornando mais veementes.

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“Mandato de potência protetora é desnecessário”

O parlamentar Gerhard Pfister faz parte da Comissão de Política Externa da Câmara dos Deputados. “Há anos considero que os chamados bons serviços que a Suíça reivindica para si são, na verdade, péssimos serviços prestados ao povo iraniano”, afirma. Com o início da guerra, o mandato de potência protetora tornou-se desnecessário.

A senadora Franziska Roth (Partido Socialista) concorda com Pfister. “O governo federal deve renunciar ao mandato de potência protetora. Esse foi o principal motivo para a Suíça agir com cautela em relação ao brutal regime dos mulás.”

Por isso, a Suíça teria renunciado a adotar as sanções da UE. “A política de apaziguamento que temos seguido até agora não leva a nada”, afirma.

O Conselheiro Federal Ignazio Cassis e Abbas Araghtschi apertam as mãos
Em meados de fevereiro, o ministro suíço das Relações Exteriores, Ignazio Cassis (à direita) encontrou-se com o seu homólogo iraniano, Abbas Araghtschi, em Genebra. Keystone / Cyril Zingaro

A colega de partido e de comissão de Pfister, Elisabeth Schneider-Schneiter (Partido do Centro), tem uma opinião totalmente diferente. “A Suíça deve agora assumir seu papel especial e contribuir para a desaceleração do conflito como potência protetora”, afirma.

Na opinião de Schneider-Schneiter, o governo federal deveria oferecer Genebra como local de negociação para mediar entre as partes em conflito.

Na verdade, os EUA e o Irã já haviam negociado em Genebra até o último momento, sem resultado, como demonstrou o início da guerra no sábado. “Não se pode desistir agora”, diz a política.

Leia a entrevista com o professor Cyrus Schayegh, do Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais:

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Esperar até que as coisas se acalmem?

O político do Partido do Povo Suíço (SVP), o deputado federal Roland Rino Büchel, por outro lado, pede cautela. “Não temos nenhum papel importante a desempenhar agora. Quando as coisas se acalmarem, quando o conflito estiver chegando ao fim, então poderemos voltar a ser uma plataforma”, diz ele.

Büchel considera que o mandato de potência protetora é superestimado. Trata-se principalmente de serviços consulares, como a emissão de vistos. “Não é um grande papel diplomático que temos desempenhado há décadas”, afirma o político de relações exteriores. Ele considera ruim e inútil fechar os canais de comunicação, como exigem outros políticos.

Assista a entrevista com a diplomata Monika Schmutz Kirgöz sobre a situação dos funcionários da Embaixada da Suíça em Teerã (em alemão):

Conteúdo externo

Adaptação: Alexander Thoele, com ajuda do Deepl

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