Quem paga a conta do pacote econômico do coronavírus na Suíça

Money, money, money: a pandemia do coronavírus vai certamente custar bem mais que os CHF 65 bilhões dispostos pelo governo suíço. Keystone/Gaetan Bally

Fundos para um esquema de desemprego, empréstimos para empresas sem dinheiro em caixa, ajuda financeira para a cultura e o esporte, dinheiro para comprar máscaras higiênicas - para citar apenas algumas novas despesas. A pandemia do coronavírus está causando custos consideráveis para o governo suíço.

Este conteúdo foi publicado em 02. maio 2020 - 08:49

Além das despesas relacionadas à Covid-19, o Ministério da Fazenda também está se preparando para a diminuição das receitas deste ano, notadamente do imposto sobre o valor agregado, do imposto retido na fonte e do imposto federal direto.

Apesar das incertezas consideráveis, a Suíça está bem posicionada para lidar com o impacto financeiro da crise.

Quanto dinheiro o governo prometeu até agora?

Até o momento, os diferentes ministérios do governo destinaram mais de CHF 65 bilhões (US$ 66,8 bilhões) para lidar com o impacto da pandemia, segundo a Administração Financeira Federal.

Parte dos fundos são empréstimos a serem reembolsados.

O Ministro das Finanças Ueli Maurer estimou na semana passada que o governo suíço forneceria entre CHF 70 bilhões e CHF 80 bilhões em ajuda financeira.

Além disso, os 26 cantões e autoridades locais do país contribuirão para os esforços de socorro.

O número é comparável aos 68 bilhões de francos suíços que o governo destinou para o resgate do banco UBS quando este se viu em dificuldades na esteira da crise financeira global de 2007-2008.

Outro número pode dar mais algum contexto: no ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) da Suíça - um indicador econômico chave - foi de CHF 698,6 bilhões.

Especialistas do Ministério da Economia estimam que o PIB despencará quase 7% este ano.

O governo suíço pode se dar ao luxo de gastar quantias tão grandes?

Apesar do chamado mecanismo de freio da dívida - que limita as despesas, veja aqui explicação em vídeo (em inglês) - é possível gastar os recursos necessários.

O nível relativamente baixo de endividamento e a situação financeira favorável dão à Suíça margem suficiente para se deparar com dívidas mais elevadas, segundo a Administração Financeira Federal.

De onde vem o dinheiro para financiar o pacote de alívio?

Atualmente há muito dinheiro disponível, ou como dizem os especialistas: há alta liquidez. Mas o governo também pode pedir dinheiro emprestado de outras fontes, notadamente do mercado financeiro. Isto, por sua vez, tem um preço - as dívidas.

Um valor preciso só estará disponível no final do ano. É seguro dizer uma coisa nesta fase, de acordo com a Administração Financeira Federal. O endividamento vai aumentar. Mas não é possível dar um valor preciso, pois a situação é extremamente volátil.

O Ministro da Fazenda Maurer estimou recentemente que as contas federais poderão cair no vermelho este ano com um déficit entre CHF 30 bilhões e CHF 40 bilhões, depois de vários anos consecutivos com superávit.

Qual é o papel do parlamento, e os cidadãos suíços também têm algum direito à palavra?

O Parlamento é a autoridade suprema em assuntos do orçamento nacional. Portanto, ele tem que aprovar todas as despesas adicionais. Os eleitores só têm a palavra final no caso de uma proposta de mudança na constituição, e se uma emenda legal for contestada para um referendo.

Os contribuintes - cidadãos, consumidores e empresas - terão que pagar a conta em última instância?

No momento não há planos para aumentar os impostos, segundo o fisco federal.

Os 26 cantões do país estabelecem seus próprios níveis de impostos. 

Por que o governo não pede ao banco central que imprima mais dinheiro?

O papel do Banco Nacional Suíço não é imprimir dinheiro em nome do governo. O banco é independente e sua política - definida por lei - tem como objetivo garantir a estabilidade de preços.

Devido a um acordo com o Ministério das Finanças, o banco central distribui parte de seu excedente entre as autoridades federais e os cantões.


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