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Rússia afirma não ter ‘prazos’ para acabar com guerra na Ucrânia

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A Rússia afirmou, nesta quinta-feira (26), que não tem “prazos” para chegar a um acordo que ponha fim à guerra na Ucrânia, pouco antes do início de uma reunião de alto nível em Genebra entre representantes americanos e ucranianos para preparar uma nova rodada de negociações. 

Negociadores russos e ucranianos viajaram a Genebra para conversas separadas com autoridades americanas como parte do tenso processo de negociação promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma tentativa de pôr fim a mais de quatro anos de conflito.

O negociador-chefe da Ucrânia, Rustem Umyerov, informou sobre o início da reunião com os enviados americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner, centrada em questões econômicas do pós-guerra e nos “preparativos para a próxima rodada de negociações trilaterais com a participação da parte russa”.

Diversas rodadas de negociações não conseguiram produzir um acordo para encerrar o pior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, que deixou centenas de milhares de mortos e feridos, milhões de ucranianos deslocados para o exterior e destruição generalizada.

A Rússia, que ocupa 20% do território ucraniano, quer ter o controle total da região ucraniana de Donetsk (leste), exigência que Kiev descarta por considerá-la equivalente a uma rendição.

“Vocês ouviram algo nosso sobre prazos? Nós não temos prazos, temos tarefas. E estamos cumprindo-as”, declarou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, segundo agências de notícias estatais.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também afirmou ser muito cedo para fazer “previsões”.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou repetidamente que uma reunião com seu homólogo russo, Vladimir Putin, é necessária para chegar a um acordo sobre questões-chave.

Peskov reiterou nesta quinta-feira que Moscou não aceitará uma cúpula presidencial até que as negociações estejam concluídas, e somente então assinará um acordo alcançado entre as equipes de negociação.

O assessor econômico do Kremlin, Kirill Dmitriev, também tem uma reunião marcada com Witkoff e Kushner em Genebra, de acordo com uma fonte citada na quarta-feira pela agência de notícias estatal russa Tass, mas não há indícios de que terá contato com a delegação ucraniana.

– Bombardeios russos antes das negociações –

O encontro na Suíça foi precedido por mais uma noite de ataques russos na Ucrânia e pela troca de restos mortais de soldados mortos em combate. 

A Rússia anunciou ter entregado mil corpos de soldados ucranianos a Kiev em troca dos restos mortais de 35 militares russos. 

Moscou disparou cerca de 420 drones e 39 mísseis contra o país vizinho, deixando dezenas de feridos, incluindo crianças, anunciou Zelensky na rede X. A maioria dos mísseis foi interceptada, mas causaram danos a infraestruturas cruciais e edifícios residenciais em oito regiões, especificou. 

Em Kiev, jornalistas da AFP ouviram explosões no meio da noite durante os ataques aéreos russos.

Na noite de quarta-feira, Zelensky e Trump conversaram por telefone durante 30 minutos sobre a reunião em Genebra e os preparativos para novas negociações trilaterais, agendadas para o “início de março”, segundo o presidente ucraniano.

As negociações, baseadas em um plano americano apresentado no final do ano passado, estão paralisadas principalmente devido à situação no Donbass, a região industrial no leste da Ucrânia que tem sido o epicentro dos combates. 

A Rússia insiste em obter o controle total da região de Donetsk, mas a Ucrânia se opõe e se recusa a assinar um acordo sem garantias de segurança que impeçam a Rússia de invadi-la novamente.

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