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Rússia ataca Ucrânia durante cessar-fogo decretado por Kiev

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A Ucrânia acusou a Rússia de um novo ataque nesta quarta-feira (6), após a entrada em vigor, à meia-noite, de um cessar-fogo anunciado por Kiev de forma unilateral.

As sirenes de alerta foram acionadas em várias regiões da Ucrânia. As autoridades de Zaporizhzhia, na região sul, relataram um ataque durante a manhã contra uma instalação industrial.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, anunciou na segunda-feira a trégua de duração indeterminada em resposta a outro cessar-fogo que seu homólogo russo, Vladimir Putin, havia anunciado para permitir as celebrações da vitória contra a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, em 9 de maio. Moscou não respondeu nem aceitou a trégua proposta por Kiev.

O chefe de Estado ucraniano, que pede com insistência um cessar-fogo prolongado, ressaltou, no entanto, que Kiev responderia “de maneira recíproca” a qualquer violação de sua trégua.

“É evidente para qualquer pessoa razoável que uma guerra em larga escala e o assassinato diário de pessoas constituem um péssimo momento para ‘celebrações’ públicas”, afirmou Zelensky. 

“A escolha da Rússia é uma rejeição evidente a um cessar-fogo e a salvar vidas”, denunciou nas redes sociais.

Segundo ele, “até 10h00 (4h00 de Brasília) o Exército russo cometeu 1.820 violações do cessar-fogo”, com “bombardeios, tentativas de ataque, ataques aéreos e uso de drones”.

A Rússia lançou “108 drones e três mísseis”, em particular em Kharkiv e Zaporizhzhia, afirmou o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sibiga.

Na região de Sumy (norte), uma mulher morreu na queda de um drone russo e outro ataque, contra uma creche, matou uma cuidadora e feriu duas pessoas, segundo o governador regional Oleg Grigorov – nenhuma criança estava no local, segundo as autoridades. 

– “Olho por olho” –

Um oficial ucraniano no front afirmou à AFP, sob a condição de anonimato, que os combates não foram interrompidos em Kramatorsk, uma cidade sob controle de Kiev na região de Donetsk (leste).

“O inimigo não aceitou as condições do cessar-fogo (…) portanto, de acordo com a ordem do presidente ucraniano, nossa unidade respondeu da mesma maneira”, afirmou.

Outro militar disse à AFP que a noite “foi mais calma do que o habitual na linha de frente, mas a intensidade das operações de combate persiste”. 

“O inimigo não respeita o cessar-fogo. A resposta das Forças Armadas ucranianas continua a mesma: olho por olho, dente por dente”, declarou.

A terça-feira (5) foi um dia particularmente violento no conflito no coração da Europa, com 28 pessoas mortas na Ucrânia, segundo um balanço atualizado nesta quarta-feira.

Os ataques russos mataram 12 pessoas em Zaporizhzhia, seis em Kramatorsk, quatro em Dnipro, quatro em Poltava, uma em Kharkiv e uma em Nikopol. 

Além disso, um ataque ucraniano contra a Crimeia ocupada deixou cinco mortos em Dzhankoi, segundo as autoridades russas.

– Manobra tática –

A Ucrânia pede há muito tempo uma trégua prolongada no front para facilitar as negociações e chegar a um acordo que ponha fim à guerra, desencadeada pela invasão russa em larga escala em fevereiro de 2022, o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

A guerra na Ucrânia, no entanto, foi ofuscada pela agenda dos Estados Unidos no conflito do Oriente Médio, o que dificultou a perspectiva de negociações de paz. 

Segundo o analista político ucraniano Volodimir Fessenko, o anúncio de uma trégua por parte de Kiev é uma manobra tática nos âmbitos “informacional e político”.

“Se a Rússia não respeitar o nosso cessar-fogo, temos o direito de não respeitar o deles. Isso anula a iniciativa de Putin”, declarou Fesenko à AFP. Segundo ele, é “quase certo” que nenhuma suspensão das hostilidades seja plenamente respeitada.

Moscou rejeita uma pausa duradoura das hostilidades, ao argumentar que isto permitiria a Kiev reforçar suas defesas.

Antes de qualquer pausa nos combates, a Rússia exige que a Ucrânia ceda toda a região de Donetsk (leste), que o Exército russo controla apenas parcialmente.

A situação das forças russas piorou nos últimos meses: pela primeira vez desde 2023, o território que controlam na Ucrânia diminuiu em cerca de 120 quilômetros quadrados em abril, segundo uma análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).

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